Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Denuncia-se o que os golpistas não consideram vir ao caso. Dominado Brasil…

Intelectuais e Mantega: a polícia política voltou!

E a Globo curou o câncer da mulher dele… – PHA
publicado 25/09/2016
Trem.jpg

Como se sabe, a sordidez da prisão do Ministro Mantega se fez acompanhar da canalhice da Globo, que curou o câncer da mulher do Mantega.

Tudo isso devidamente “legitimado” pelos novos redatores do AI-5, os do 13 a 1 a favor do Moro.

Como dizem os respeitados intelectuais abaixo: a ditadura está de volta!

Intelectuais perguntam: Quem vai limitar arbitrariedades da Lava Jato?

Nota pública em defesa da ordem constitucional, em desagravo a Guido Mantega

A ordem pública brasileira vem sendo ameaçada sistematicamente por aqueles que deveriam protegê-la.

O direito ao protesto coletivo vem sendo coibido por intervenções provocativas, abusivas e desproporcionais por parte da Polícia Militar, como se a velha polícia política das ditaduras estivesse de novo às soltas.

Ano a ano, cidadãos brasileiros invisíveis são conduzidos coercitivamente a depoimentos – ou algo pior — sem serem intimados pela justiça.

Quando o espetáculo da acusação sem prova e da condução sem intimação é exibido deliberadamente por agentes da lei, na persecução de objetivos estranhos à ordem jurídica e da publicidade sem limites, a cultura da arbitrariedade expõe suas entranhas.

O caráter republicano e isento da Operação Lava-Jato já foi posto à prova, e reprovado, inúmeras vezes.

Há seis meses, o evento da condução coercitiva do cidadão Luís Inácio Lula da Silva, que não resistiu a uma intimação judicial porque sequer foi intimado, parecia marcar o auge na exposição pública da arbitrariedade dos que o perseguiam, levando a uma reação firme, e republicana, de uma sociedade que já escolheu em que regime de garantias civis e políticas quer viver.

O episódio da prisão do professor e economista Guido Mantega levou o arbítrio a novos limites.

A fragilidade da acusação e a desproporção da ação tornaram-se ainda mais evidentes por causa de sua coincidência com a presença do acusado em um centro cirúrgico, acompanhando a esposa enferma.

O professor e economista Guido Mantega deu mostras de dedicar-se à coisa pública de modo republicano.

É um homem público de endereço conhecido e não representa qualquer ameaça à ordem pública.

O mesmo não pode ser dito de seus perseguidores.

Se fosse necessário prender Guido Mantega para recolher possíveis provas, por que foi possível soltá-lo tão rapidamente depois que a sociedade conheceu o absurdo de sua prisão, sob alegação de que as diligências para coleta de documentos não seriam prejudicadas se fosse solto?

Se não seriam, por que foi expedida a ordem original de prisão desde logo?

Como todo brasileiro, Guido Mantega merece o respeito de suas garantias constitucionais.

O combate à corrupção não pode ser um pretexto para corromper a Constituição, autorizar a perseguição política e inflar vaidades de juízes, procuradores e policiais.

Quem vai limitar a arbitrariedade da força-tarefa da Operação Lava-Jato e do juiz Sérgio Moro?

É a pergunta que fazem os cidadãos que, abaixo, subscrevem este documento em defesa da ordem constitucional e contra mais um golpe às instituições democráticas.

Luiz Gonzaga Belluzzo – Professor Titular de Economia — Unicamp

 Marilena Chauí — Professora Titular da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, USP

 Maria da Conceição Tavares — Professora emérita da UFRJ e da Unicamp
Luís Carlos Bresser-Pereira — Professor Titular de Economia – FGV

 Tereza Campello – Economista e Ex-Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome da presidenta Dilma Rousseff

 Eleonora Menicucci Oliveira — Profa Titular de Sociologia da Unifesp e ex-Ministra de Politicas para as Mulheres do governo Dilma Rousseff

 Pedro Paulo Zahluth Bastos — Professor Associado (Livre Docente) – Economia — Unicamp

 Theotonio dos Santos — Professor Visitante da UERJ e Professor Emérito da UFF

Ladislau Dowbor – Professor Titular de Economia — PUC-SP

 Eleuterio F. S. Prado — Professor Titular de Economia da USP

 Walquiria Domingues Leão Rêgo — Socióloga e professora titular da Unicamp

Gilberto Maringoni — Professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC)

 Hermano de Medeiros Ferreira Tavares — Professor Titular (aposentado) — Faculdade de Engenharia Elétrica – e ex-reitor da Unicamp

 Nelson Rodrigues dos Santos – Professor Titular – Faculdade de Ciências Médicas — Unicamp

 Luiz Carlos de Freitas — professor titular da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas — Unicamp

Marcio Pochmann – Professor IE/Unicamp

Itala M. Loffredo D’Ottaviano — Professor Titular em Lógica, Unicamp

 João Quartim de Moraes – Professor Titular de Filosofia – Unicamp

 Joaquim Palhares — Carta Maior

 Lena Lavinas – Professora Titular de Economia (UFRJ)

 Maria de Lourdes Rollemberg Mollo – Professora Titular da UNB

 Antonio Prado – Secretário Executivo Adjunto da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL)

 Magda Barros Biavaschi – advogada, ex-Desembargadora ap. TRT4.

Antonio Correa de Lacerda – Economista – Professor PUC-SP

 Matías Vernengo — Professor of Economics, Bucknell U. — Co-editor, Review of Keynesian Economics

 Rosa Maria Marques, professora titular do Departamento de Economia e do Programa de Estudos Pós-graduados em Economia Política da PUCSP e presidente da Associação Brasileira de Economia da Saúde

 Sebastião Velasco e Cruz — Professor Titular do Departamento de Ciência Política da Unicamp

Wladimir Pomar – Jornalista e escritor

 Armando Boito Jr. – Professor do Departamento de Ciência Política – Unicamp

 Laurindo Lalo Leal Filho — Professor da ECA/USP

 Maria Rita Loureiro — Professora titular da FEA/USP e FGV/SP

 Alfredo Saad Filho – SOAS, University of London

Maryse Fahri – Professora IE/Unicamp

 Giorgio Romano Schutte — Professor de Relações Internacionais e Economia da Universidade Federal do ABC (UFABC)

 Gastão Wagner de Sousa Campos — Professor Livre-Docente, Departamento de Medicina Preventiva e Social, Universidade Estadual de Campinas

 Frederico Mazzucchelli – Professor IE/Unicamp

Nelson Marconi – Economista – FGV

Carlos Aguiar de Medeiros – Professor associado da Universidade Federal do Rio de Janeiro

Clemente Ganz Lucio – Economista

Ricardo Musse — Departamento de sociologia da USP

 Valter Pomar — Professor da UFABC

Carlos Berriel – Professor do IEL/Unicamp

Fernando Nogueira da Costa – Professor IE – Unicamp

 Vanessa Petrelli Corrêa — Professora Titular IE – UFU

 Hugo Gama Cerqueira — Professor do Cedeplar, Universidade Federal de Minas Gerais

Rubem Murilo Leão Rêgo — Sociólogo e professor da Unicamp

 Wolfgang Leo Maar — Professor titular da UFSCar

 Tatiana Berringer — Professora Adjunta da Universidade Federal do ABC

 Márcia Mendonça — Instituto de Estudos da Linguagem — IEL – Unicamp

 Adriano Codato – Cientista Político – Professor UFPR

 Cristina Fróes de Borja Reis — Professora adjunta da Universidade Federal do ABC

Daniela Magalhães Prates – Professora do IE/Unicamp

 Hildete Pereira de Melo — Professora associada da UFF

 Claudio Salm – Professor de Economia UFRJ

 Marcelo Milan — Professor de Economia e Relações Internacionais, UFRGS

Rubens Sawaya — Economista, professor da PUCSP

Anna Christina Bentes — Departamento de Lingüística, Instituto de Estudos da Linguagem — Unicamp

 Humberto Miranda — Professor do IE e Pesquisador do CEDE/Unicamp

 Reginaldo Moraes – Professor de Ciência Política — Unicamp

 Eduardo Fagnani – Professor IE/Unicamp

 Alcides Goularti Filho — UNESC/CNPq

Daniela S. Gorayeb – Professora Facamp

Marcus Ianoni Ciência Política — UFF

 Adriana Nunes Ferreira — Professora do IE/Unicamp

 Francisco Luiz C. Lopreato — Professor IE/Unicamp

 José Eduardo Roselino – Professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR)

 Guilherme Mello – Professor IE/Unicamp

 Marco Antonio Martins da Rocha – IE/Unicamp

 Alexandre de Freitas Barbosa — Professor de História Econômica e Economia Brasileira – Instituto de Estudos Brasileiros — Universidade de São Paulo (IEB/USP)

 Luiz Fernando de Paula — Professor titular da FCE/UERJ

Lauro Mattei — Professor de Economia da UFSC

 Elza Cotrim Soares – Professora Titular – Faculdade de Ciências Médicas – Unicamp

 Fernando Sarti — Professor do Instituto de Economia da Unicamp

Jorge Felix — Professor PUC-SP

Julia de Medeiros Braga — Professora UFF

Rosangela Ballini – Professora IE – Unicamp

 Maria Fernanda Cardoso de Melo — Professora da Facamp

 André Biancarelli – Professor do IE/Unicamp

Raquel Rangel de Meireles Guimarães – Professora da UFPR

Cláudia Tessari — Professora, Universidade Federal de São Paulo

Ricardo de Medeiros Carneiro – Professor IE/Unicamp

 Antonio José de Almeida Meirelles — Professor Titular da Faculdade de Engenharia de Alimentos/Unicamp

Pedro Rossi – Economista e Professor – Unicamp

 Fernando Augusto Mansor de Mattos – Professor UFF

Flávia Vinhaes — Professora de Economia — UCAM e técnica IBGE

Ceci Juruá – Economista

 Walter Belik — Professor IE / Unicamp

Pedro Vieira — Professor do Programa de Pós-Graduação em Rel Internacionais-UFSC

Nádia Farage — Professora colaboradora DH-IFCH, Unicamp.

 Carlos Pinkusfeld Bastos – Professor IE – UFRJ

 Waldir Quadros – Professor IE/Unicamp

 Simone Deos — Professora, IE-Unicamp

 Fábio Eduardo Iaderozza — Professor de Economia da Facamp e do Centro de Economia e Administração da PUC Campinas (CEA)

Rodrigo Vianna — Jornalista e historiador (USP)

 Ana Luíza Matos de Oliveira – Doutoranda IE/Unicamp

 Adriana Aparecida Quartarolla – Doutoranda em Linguística na Unicamp e professora de Língua Portuguesa na FACAMP

 Marcelo Manzano – Professor FACAMP

 Lygia Sabbag Fares Gibb – Professora universitária e doutoranda IE/Unicamp

 Beatriz Freire Bertasso – Professora Facamp

Darci Frigo, advogado — Terra de Direitos

Artur Scavone – Jornalista

 Benedito Ferraro — PUC-Campinas

Sávio Machado Cavalcante – Professor de Sociologia (IFCH/Unicamp)

 Juliana Pinto de Moura Cajueiro – Facamp

 Roberta Gurgel Azzi – professora

 Miguel Henrique Russo — professor

segunda-feira, 26 setembro, 2016 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

E inúmeros deles foram às ruas para derrubar a Dilma…

Golpe é um tiro no peito dos jovens

Dos desempregados, 4,8 milhões têm até 24 anos
publicado 28/08/2016

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Reprodução: Revista Fórum

Do blog do Vagner Freitas, presidente nacional da CUT:

Não é hora de desalento, é hora de luta. Amanhã, todos nas ruas no Dia Nacional de Mobilização e de Luta por Emprego e Direitos!

Na semana em que os senadores decidem o destino do país – ou volta Dilma e teremos uma esperança ou fica Temer e será o caos – descobrimos que além do desespero e desalento dos chefes de família, o desemprego está roubando o futuro dos jovens. Dos 11,5 milhões de brasileiros e brasileiras desempregados no país, 42% (4,8 milhões) são jovens de até 24 anos.

Na maioria dos casos, são estudantes que ainda não têm sua própria família para sustentar, mas contribuem em casa para ajudar os pais a pagar as contas e investem o que sobra no futuro, pagando uma faculdade, um curso de inglês, de informática ou uma pós-graduação que lhes garanta mais oportunidades no mercado de trabalho. Com o desemprego – deles e, em alguns casos dos pais e mães – muitos abandonam esses sonhos e, na maioria dos casos, têm o futuro comprometido para sempre porque precisam fazer bicos para ajudar no orçamento familiar comprometido com a tragédia que a falta de um emprego decente provoca nos lares brasileiros.

A pesquisa PNAD-IBGE constatou que só últimos três meses mais 500 mil trabalhadores perderam seus empregos. Os mais atingidos são os jovens com idades entre 14 e 17 anos – 38,7% dos demitidos em todo o Brasil. Na Região Sudeste a situação é mais dramática ainda, a taxa ente os jovens sobe para estratosféricos 45%. E mesmo entre os jovens de 18 a 24 anos, a taxa de desempregados está acima da média nacional, 24,5%.

O mais preocupante é que a situação tende a piorar. Os golpistas não tęm a menor precaução com o desemprego, muito pelo contrário, eles até defendem o aumento do desemprego (aqui) , pelo que dizem, como forma de controlar a inflação.

A luta por um governo trabalhista com os olhos voltados para a social, para as necessidades mais básicas da sociedade como comer, ter onde morar e estudar se torna a cada dia mais essencial.

Por isso, conclamo a todos e a todas para o Dia Nacional de Mobilização e Luta pela Democracia, Contra o Golpe, em Defesa do Emprego e dos Direitos Sociais e Trabalhistas. Eu estarei em Brasília, a partir das 8h da manhã recebendo a presidenta Dilma no Senado. Em várias cidades haverá atos o dia inteiro. Participe! Luta por seus direitos!

segunda-feira, 29 agosto, 2016 Posted by | Repassando... | | Deixe um comentário

Este é o Brasil que permitimos ser construído, com a nossa inércia…

Postado em 24 Aug 2016

Cúmulo do absurdo

E então estamos chegando a uma situação que desafia qualquer noção de racionalidade.

A única pessoa que verdadeiramente se bateu contra a corrupção nestes últimos anos está sendo afastada.

Como a posteridade vai explicar isso?

Seus algozes deveriam estar com tornozeleira, de Temer a Aécio, de Renan a Serra, para não falar em Eduardo Cunha, o grande articulador do golpe.

E no entanto é Dilma quem vai sair.

Todos os dias políticos que animavam as marchas contra a corrupção aparecem nas páginas policiais, apanhados em roubalheiras dantescas.

E é Dilma quem vai sair.

Está claro que a Lava Jato só continuaria se Dilma permanecesse no poder. Mas isso jamais iria ocorrer no mundo das coisas concretas.

O objetivo da Lava Jato era um e apenas um: derrubar Dilma.

Moro mostrou seu lado desde o início. O símbolo máximo disso foram fotos que tirou, sorridente, deslumbrado, ao lado de companheiros na guerra contra o PT: barões da mídia e caciques do PSDB.

Não adianta um delator dizer que deu 23 milhões de reais a Serra, de forma escusa, para a campanha de 2010. Podiam ser 23 bilhões. Isso não interessa a Moro, aos homens da Lava Jato e muito menos a mídia plutocrática.

Não adianta Aécio ser multicitado em roubalheiras, como a ancestral pilhagem na estatal Furnas. Mas o pedalinho de Lula é objeto de perseguição feroz.

Não adianta ficar provado que o Triplex do Lula não é do Lula. Ninguém dá nada. Mesmo os que afirmaram categoricamente que o apartamento pertencia a Lula não se dão ao trabalho de esclarecer a seus leitores a verdade.

O que importa é destruir a reputação de Lula, mesmo que com mentiras, falsificações, manipulações.

Tudo por um único objetivo: dar um golpe como aconteceu em 1954 e em 1964.

Não há tanques? Há uma Justiça que pode desempenhar o mesmo papel. Não existem militares para varrer a democracia? Há juízes como Moro e Gilmar. E sempre existem os barões da imprensa, na defesa bélica de seus privilégios e de suas mamatas.

Dilma não cometeu o crime pelo qual será derrubada? Não faz mal. É um julgamento político. Os fatos que se danem. Ela poderia ser acusada de andar mal de bicicleta, e ainda assim seria removida.

E assim chegamos ao fim da jornada contra a corrupção, um dos episódios mais hipócritas, farisaicos, canalhas da história da República. Ficam os Jucás, os Aécios, os Temeres. Ficam os Renans, os FHCs, os Serras.

Fica até Cunha.

A única pessoa verdadeiramente honesta é a vítima solitária.

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Paulo Nogueira
Sobre o Autor

O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

quinta-feira, 25 agosto, 2016 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

A gagueira eloquente do beiçola togado…

A confissão de Gilmar na Suécia.

Postado em 18 Jun 2016

Não importa se Dilma pedalou ou não

Foi divertido ver um vídeo de Gilmar Mendes na Suécia, feito pelo Cafezinho.

O que ele foi fazer lá é irrelevante.

O que importa foi o que ele disse a um jornalista contratado pelo Cafezinho, Wellington Calasans. Disse gaguejando, aliás. Como notou Miguel do Rosário, editor do site, Gilmar estava longe de sua zona de conforto. Não estava dando entrevista por seus amigos da Globo, da Folha, da Veja, aquele tipo de coisa em que está tudo combinado.

A Toga Falante, como ele está sendo chamado nas redes sociais, vacilou.

Mas o realmente extraordinário foi a admissão do seguinte: o processo de impeachment é uma farsa. Um circo. Uma palhaçada.

Ele não usou exatamente estas palavras, claro, mas foi isso o que gaguejou.

Se Dilma cometeu ou não o crime de que é acusada — as pedaladas — não quer dizer nada, confessou Gilmar. O que vale, unicamente, é que ela não teve os votos necessários na Câmara para deter a ação do sindicado de ladrões montado por Eduardo Cunha.

Ora, ora, ora.

O ministro Luís Barroso dissera algo parecido alguns dias antes. Parece ser algo ensaiado no STF para justificar a indecente omissão no golpe. Os juízes deliberam sobre pipoca no cinema, mas se acoelham e silenciam diante de um golpe de Estado. E o infame Toffoli tem a petulância de dizer que falar em golpe é ofender as instituições brasileiras.

O parecer pelo impeachment pelo qual Janaína recebeu 45 mil reais do PSDB não é nada. Todos os debates em torno das pedaladas são nada. Todas as sessões na Câmara e no Senado são nada. Todas as declarações de corruptos como Aécio e FHC são nada.

É um julgamento de mentirinha, portanto. É o avesso da real justiça. É como os julgamentos de Stálin na década de 1930 em que o veredito era conhecido assim que o processo era aberto.

É um julgamento paraguaio, numa palavra.

54 milhões de votos foram triturados numa encenação criminosa que se arrasta há meses.

Qual o custo disso para o país? Quem vai pagar por ele?

Talvez o próprio Gilmar possa responder a essa questão numa próxima ocasião — caso não esteja falando com amigos da Globo.

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Paulo Nogueira
Sobre o Autor

O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

segunda-feira, 20 junho, 2016 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

Coxinhas: não é possível enganar a todos, por todo o tempo…

Greenwald: Enquanto a corrupção assombra Temer, caem as máscaras dos movimentos pró-impeachment

Postado em 16 Jun 2016

Publicado no Intercept. POR GLENN GREENWALD

 

O impeachment da presidente do Brasil democraticamente eleita, Dilma Rousseff, foi inicialmente conduzido por grandes protestos de cidadãos que demandavam seu afastamento. Embora a mídia dominante do país glorificasse incessantemente (e incitasse) estes protestos de figurino verde-e-amarelo como um movimento orgânico de cidadania, surgiram, recentemente, evidências de que os líderes dos protestosforam secretamente pagos e financiados por partidos da oposição. Ainda assim, não há dúvidas de que milhões de brasileiros participaram nas marchas que reivindicavam a saída de Dilma, afirmando que eram motivados pela indignação com a presidente e com a corrupção de seu partido.

Mas desde o início, havia inúmeras razões para duvidar desta história e perceber que estes manifestantes, na verdade, não eram (em sua maioria) opositores da corrupção, mas simplesmente dedicados a retirar do poder o partido de centro-esquerda que ganhou quatro eleições consecutivas. Como reportado pelos meios de mídia internacionais, pesquisas mostraram que os manifestantes não eram representativos da sociedade brasileira mas, ao invés disso, eram desproporcionalmente brancos e ricos: em outras palavras, as mesmas pessoas que sempre odiaram e votaram contra o PT. Como dito pelo The Guardian, sobre o maior protesto no Rio: “a multidão era predominantemente branca, de classe média e predisposta a apoiar a oposição”. Certamente, muitos dos antigos apoiadores do PT se viraram contra Dilma – com boas razões – e o próprio PT tem estado, de fato, cheio de corrupção. Mas os protestos eram majoritariamente compostos pelos mesmos grupos que sempre se opuseram ao PT.

É esse o motivo pelo qual uma foto – de uma família rica e branca num protesto anti-Dilma seguida por sua babá de fim de semana negra, vestida com o uniforme branco que muitos ricos  no Brasil fazem seus empregados usarem – se tornou viral: porque ela captura o que foram estes protestos. E enquanto esses manifestantes corretamente denunciavam os escândalos de corrupção no interior do PT – e há muitos deles – ignoravam amplamente os políticos de direita que se afogavam em escândalos muitos piores que as acusações contra Dilma.

 

Claramente, essas marchas não eram contra a corrupção, mas contra a democracia: conduzidas por pessoas cujas visões políticas são minoritárias e cujos políticos preferidos perdem quando as eleições determinam quem comanda o Brasil. E, como pretendido, o novo governo tenta agora impor uma agenda de austeridade e privatização que jamais seria ratificado se a população tivesse sua voz ouvida (a própria Dilma impôs medidas de austeridade depois de sua reeleição em 2014, após ter concorrido contra eles).

Depois das enormes notícias de ontem sobre o Brasil, as evidências de que estes protestos foram uma farsa são agora irrefutáveis. Um executivo do petróleo e ex-senador do partido conservador de oposição, o PSDB, Sérgio Machado, declarou em seu acordo de delação premiada que Michel Temer – presidente interino do Brasil que conspirou para remover Dilma – exigiu R$1,5 milhões em propinas para a campanha do candidato de seu partido à prefeitura de São Paulo (Temer nega a informação). Isso vem se somar a vários outros escândalos de corrupção nos quais Temer está envolvido, bem como sua inelegibilidade se candidatar a qualquer cargo (incluindo o que por ora ocupa) por 8 anos, imposta pelo TRE por conta de violações da lei sobre os gastos de campanha.

E tudo isso independentemente de como dois dos novos ministros de Temer foram forçados a renunciar depois que gravações revelaram que eles estavam conspirando para barrar a investigação na qual eram alvos, incluindo o que era seu ministro anticorrupção e outro – Romero Jucá, um de seus aliados mais próximos em Brasília – que agora foi acusado por Machado de receber milhões em subornos. Em suma, a pessoa cujas elites brasileiras – em nome da “anticorrupção” – instalaram para substituir a presidente democraticamente eleita está sufocando entre diversos e esmagadores escândalos de corrupção.

Mas os efeitos da notícia bombástica de ontem foram muito além de Temer, envolvendo inúmeros outros políticos que estiveram liderando a luta pelo impeachment contra Dilma. Talvez o mais significante seja Aécio Neves, o candidato de centro-direita do PSDB derrotado por Dilma em 2014 e quem, como Senador, é um dos líderes entre os defensores do impeachment. Machado alegou que Aécio – que também já havia estado envolvido em escândalos de corrupção – recebeu e controlou R$ 1 milhão em doações ilegais de campanha. Descrever Aécio como figura central para a visão política dos manifestantes é subestimar sua importância. Por cerca de um ano, eles popularizaram a frase “Não é minha culpa: eu votei no Aécio”; chegaram a fazer camisetas e adesivos que orgulhosamente proclamavam isso:

 

Evidências de corrupção generalizada entre a classe política brasileira – não só no PT mas muito além dele – continuam a surgir, agora envolvendo aqueles que antidemocraticamente tomaram o poder em nome do combate a ela. Mas desde o impeachment de Dilma, o movimento de protestos desapareceu. Por alguma razão, o pessoal do “Vem Pra Rua” não está mais nas ruas exigindo o impeachment de Temer, ou a remoção de Aécio, ou a prisão de Jucá. Porque será? Para onde eles foram?

Podemos procurar, em vão, em seu website e sua página no Facebook por qualquer denúncia, ou ainda organização de protestos, voltados para a profunda e generalizada corrupção do governo “interino” ou qualquer dos inúmeros políticos que não sejam da esquerda. Eles ainda estão promovendo o que esperam que seja uma marcha massiva no dia 31 de julho, mas que é focada no impeachment de Dilma, e não no de Temer ou de qualquer líder da oposição cuja profunda corrupção já tenha sido provada. Sua suposta indignação com a corrupção parece começar – e terminar – com a Dilma e o PT.

Neste sentido, esse movimento é de fato representativo do próprio impeachment: usou a corrupção como pretexto para os fins antidemocráticos que logrou atingir. Para além de outras questões, qualquer processo que resulte no empoderamento de alguém como Michel Temer, Romero Jucá e Aécio Neves tem muitos objetivos: a luta contra a corrupção nunca foi um deles.

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Sobre o Autor

Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

sexta-feira, 17 junho, 2016 Posted by | Repassando... | | Deixe um comentário

Nem as testemunhas do Trairão estão ajudando a manter o golpe…

Testemunhas da acusação, funcionários do Tesouro favorecem defesa de Dilma

Postado em 9 de junho de 2016 às 8:10 am

Do uol:

fogo1Os senadores da base aliada de Temer indicaram funcionários de carreira do Tesouro Nacional como testemunhas de acusação na comissão do impeachment. Os depoimentos, entretanto, foram vistos de forma positiva pelos aliados de Dilma, que elogiaram os servidores.
Já era madrugada desta quinta-feira quando o coordenador-geral de operações de crédito (Copec) do Tesouro Nacional, Adriano Pereira de Paula, pôde responder às questões dos senadores.

Adriano afirmou que toda a quitação do passivo de 2015 foi feita até 28 de dezembro, ou seja, dentro do exercício e em conformidade com a Lei de Responsabilidade Fiscal. O funcionário do Tesouro disse que houve restos a pagar em 2016, mas que eram tecnicamente possíveis.

Adriano também afirmou ser plausível dizer que o valor do Plano Safra não seja definido por um único integrante do governo federal, ou seja, retirando a autoria da presidente afastada Dilma Rousseff da operação de crédito chamada de pedalada fiscal.

As declarações do servidor do Tesouro foram tão satisfatórias para a defesa que o ex-advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, parabenizou a testemunha da acusação e não quis fazer a ele nenhuma outra pergunta.

O secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Otávio Ladeira, foi a última testemunha do dia. Ele confirmou que, em 2013, a equipe do órgão identificou problemas fiscais, mas não fez nenhum encaminhamento especial para a presidente Dilma.

Ladeira afirmou ainda que, em 2015, ano que é analisado no processo de impeachment, houve “inflexão” em relação aos anos anteriores, no sentido de que o governo se esforçou em fazer pagamentos atrasados e quitar débitos. Dessa forma, “todos os pagamentos foram realizados até dezembro”, inclusive as pedaladas.

“É importante comentar que em abril foi criado um comitê de subsecretários para evitar atrasos nos pagamentos – ou, se houvesse, que fosse uma decisão colegiada”, afirma Ladeira.

Mais uma vez, Cardozo abriu mão de fazer perguntas à testemunha, satisfeito com as declarações que caracterizou como “técnicas”. Ladeira se despediu da comissão sob elogios de senadores petistas, que disseram que a testemunha trouxe declarações “verdadeiras”, independentes de posicionamentos políticos.

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PS: a imagem acima foi inserida por este blogueiro.

sexta-feira, 10 junho, 2016 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

A autópsia do aquário do Trairão…

01/06/2016 – Copyleft

Brasil: A república das bananas dos escroques provisórios

A República das Bananas dos Escroques Provisórios farão de tudo para se livrarem das eleições diretas à presidência marcadas para 2018.


Pepe Escobar – Patria Latina

Beto Barata

Parece que todos os pervertidos políticos do planeta estão conectados na atual House of Cards à brasileira, para oferecer festim sem interrupção de emoções baratas.

A mais recente reviravolta do script foi o vazamento de conversa entre um dos operadores chaves envolvidos no escândalo de corrupção na gigante Petrobras e um senador que acabou por ter vida curta como Ministro do Planejamento do governo provisório usurpador que atualmente substitui a presidenta Dilma Rousseff, enquanto ela enfrenta processo de impeachment pelo Senado.

O vazamento pode ser descrito como rápida autópsia do que, desde o início nunca passou degolpeachment; mistura de “golpe” e “impeachment” que aconteceu em votação em duas etapas no Congresso (Câmara de Deputado e Senado) do Brasil, e quando uma conhecida congregação de escroques investigados por incontáveis crimes e infrações tomaram o poder em Brasília, numa espantosa ópera bufa. Para mim, são a República das Bananas dos Escroques Provisórios (ReBEP).

Conheçam o Morto Vivo interino

O vazamento/autópsia revelou como avançou o câncer ReBEP. Um dos conspiradores-chefe delineou o golpe; explica que é indispensável proteger a cleptocracia/plutocracia brasileira contra consequências não desejadas da investigação da corrupção que já dura dois anos, chamada “Operação Lava-jato”; e como a esquerda – da presidenta Rousseff até Lula e o Partido dos Trabalhadores, PT – têm de ser criminalizados a qualquer custo.

O resto seria história, inclusive a demolição – pela imposição de uma restauração neoliberal – dos direitos sociais e trabalhistas recentemente conquistados no Brasil; reversão total na política exterior, com as relações geopolíticas e geoeconômicas devolvidas ao quadro mental mais colonizado que o Brasil conheceu; e o restabelecimento no poder hegemônico, de uma classe conservadora, neoliberal rentista, com plenos poderes sobre uma sociedade que chegou a ser democrática e socialmente orientada.

Combina perfeitamente com a atual configuração do Congresso brasileiro hoje dominado por interesses “BBB” – as bancadas do Boi (o poderoso lobby do agronegócio); da Bala (o complexo de armas e da segurança privada); e da Bíblia (fanáticos evangélicos) – todos esses apoiados pela mídia-empresa. Muitos desses impalatáveis personagens são conectados e/ou representam a tóxica aristocracia rural brasileira – que são de fatos herdeiros de títulos nobiliárquicos distribuídos aos proprietários de escravos do Brasil colonial.

Tudo estava indo muito bem nos primeiros dias – e até o ex-presidente da Câmara de Deputados e escroque conhecido, Eduardo Cunha, havia sido temporariamente afastado; Cunha – coordenador de uma máfia de financiamento de campanhas eleitorais dentro do Congresso – atuava como um primeiro-ministro de facto do então vice-presidente fantoche e hoje presidente interino Michel Temer.

Temer O Usurpador – que na verdade pode tornar-se Temer O Breve – sempre esteve sob sítio, desde que tomou o poder. A impopularidade do homem alcança níveis de Kim Jong-Un reverso, e já chega a quase 99%. A vasta maioria dos brasileiros o quer impichado. É mencionado em vários escândalos de corrupção. Hoje, nada faz além de nomear, como nomeador serial, lista que parece infinita de ministros envolvidos, eles também, em incontáveis escândalos de corrupção.

Problema é que a gangue da República das Bananas dos Escroques Provisórios (ReBEP) simplesmente não pode separar-se de Temer [vice-presidente legal, cuja presença no atual governo é o único tênue fiapo de legalidade que ainda impede que o golpeachment seja exposto como o golpe que é (NTs)] – porque sem Temer a gangue golpista perde todo o poder.

O vazamento do Diálogo dos Grandes Escroques prova conclusivamente que a Operação Lava-jato foi instrumentalizada para criminalizar o Partido dos Trabalhadores e derrubar a presidenta Rousseff, ao mesmo tempo em que a farsa do golpeachment avançava paralelamente, de modo a assegurar que forças políticas tradicionais jamais fossem apanhadas na rede da Lava-jato.

O Diálogo dos Grandes Escroques aconteceu há mais de dois meses – e vazou pelo menos três semanas antes de a farsa do golpeachment alcançar o auge naquela sinistra, medonha sessão de votação na Câmara dos Deputados. O que nos leva a uma questão chave: por que o procurador-geral e o juiz federal da vara de Curitiba encarregados da investigação chamada Lava-jato não revelaram aquela informação e/ou por que não tomaram qualquer medida imediata?! Porque se o Judiciário brasileiro tivesse revelado as informações contidas no Diálogo dos Grandes Escroques – e tomado as medidas cabíveis – o golpeachment teria de ter sido abortado.

O fato de nada ter vazado há dois meses enche de suspeitas todas as cabeças e mentes sérias do país. No Diálogo dos Grandes Escroques o senador Romero Jucá fala com [Sérgio Machado, da Transpetro] conhecido nodo numa cadeia de corrupção histórica que existe dentro da gigante petroleira Petrobras desde os governos de Fernando Henrique Cardoso nos anos 1990s. Atuou na alta cúpula da administração de todos os governos no Brasil, ao longo dos últimos 22 anos. Implica que o senador sempre foi o Escroque em Chefe e escroque leva-e-traz de seu partido político, o PMDB.

Mas nada disso sequer se aproxima da gravidade que é a dupla admitir que toda a agenda oculta do golpeachment visou a deter as investigações de corrupção, e foi parte de acordo mais amplo e que envolveu seletos juízes da Suprema Corte no Brasil. Se não se tratasse da House of Cards à brasileira, toda a conspiração desse golpeachment teria de já ter sido declarada nula e sem efeitos.

Mas, como venho dizendo e insistindo desde as primeiras escaramuças,o golpe em curso no Brasil é sofisticada operação político-financeira-‘jurídica’-midiática tipo Guerra Híbrida. E será muito difícil deslindá-la.

A lógica do escândalo perpétuo

Como se pode ver, os historiadores do futuro já receberam o resumo da narrativa a reproduzir – bem clara no Diálogo dos Grandes Escroques: o golpeachment de 2016 foi trama urdida por um bando de políticos canalhas, fazendo de tudo para escapar da prisão.

Temer o Breve, fantoche de segunda categoria, já está sob sítio. Os dois agentes que o manipulam – Cunha, o ex-presidente da Câmara de Deputados; e Jucá, seu ex-ministro do Planejamento de curto mandato – estão agora obrigados a só operar nas sombras. Na prática, significa que conseguir que o Congresso aprove políticas econômicas profundamente impopulares será ainda mais difícil.

O reinado de Temer O Breve é indiscutivelmente ilegítimo. Ninguém; já ninguém está engolindo a farsa, nem os atores privilegiados – a Deusa do Mercado, sortimento variado de empresários e até alguns setores da mídia-empresa dominante. Ao mesmo tempo, a rua brasileira não se calará. Essa é a estratégia de Rousseff e do Partido dos Trabalhadores, PT (mas não basta).

Assim sendo… o que acontecerá na sequência? A única via para que Rousseff seja reinvestida na presidência é que ela e seu partido construam narrativa crível das prioridades do país, com vistas às eleições presidenciais de 2018. Implica muita conversa de bastidores e muita negociação política – áreas em que Rousseff não é muito competente.

A nova normalidade no Brasil – já descrita como o novo presidencialismo condominial – envelopa agendas conflitantes, sem qualquer consenso à vista. Deve-se esperar que a nação permaneça atolada, ainda por muito tempo, na lógica do escândalo perpétuo.

A variável chave de agora em diante é como a gangue da República das Bananas dos Escroques Provisórios manobrará – possivelmente ilegalmente – para manter-se agarrada ao poder. O Ministério Público e a Polícia Federal estão completamente politizadas. Cada vez mais se vê que não há poderes de mediação. A gangue da República das Bananas dos Escroques Provisórios, ReBEP, não arrastará prisioneiros. O Ministério Público sairá à caça de Lula; e o Procurador Geral tentará bloquear qualquer possibilidade de Rousseff ser reposta no poder.

Enquanto isso, os social-democratas neoliberais – associados de cama e mesa da gangue da República das Bananas dos Escroques Provisórios – continuarão a avançar a própria agenda: privatizações hardcore; bandeja para entregar a exploração dos depósitos de petróleo do pré-sal aoBig Oil dos EUA; almofadinhas para se ajoelharem como vassalos aos pés de Washington. Basta examinar o interesse extremo que oDepartamento de Justiça dos EUA tem mostrado por tudo que tenha a ver com a investigação Lava-jato, e logo se percebe que Washington está profundamente interessada no desmonte das principais empresas brasileiras.

E quanto aos BRICS?

No momento, o Brasil está globalmente isolado. Só Maurício Macri, presidente argentino amigo dos fundos abutres, reconheceu até agora o governo golpista da gangue da República das Bananas dos Escroques Provisórios. A República das Bananas dos Escroques Provisórios idolatra Macri, como se fosse a Beyoncé; absolutamente a-do-ra Macri, matador de um ciclo de governos inclusivos na Argentina.

Washington ainda não teve colhões para reconhecer oficialmente os Escroques no Poder –, e passou a tarefa a escalões inferiores, como o embaixador interino na OAS. Mas a mensagem é claríssima: o golpeachment é legal, e Washington confia nas “instituições democráticas” do Brasil. MUITO DIFERENTE do Ministério de Relações Exteriores da Rússia, que alertou contra “interferência estrangeira” nos assuntos do Brasil.

O novo ministro de Relações Exteriores – perdedor insistente de (perdeu duas vezes) eleições presidenciais vencidas pelo Partido dos Trabalhadores – não demorou a lançar sua política gloriosa de Vassalo do Big Capital de Washington/EUA. E já lançou “ameaça” velada contra Cuba, Venezuela, Nicarágua, Bolívia, Equador e El Salvador. O Mercosul será posto de lado, em favor da Aliança do Pacífico – na qual México, Peru e Colômbia já se meteram sob a saia de Washington. Unasul será isolada.

E na sequência, o sorvete azedado no bolo dos escroques: o “B” de BRICS é posto para dormir. Significa que o papel do Brasil no banco dos BRICS estará muito gravemente prejudicado. Claro: o grupo BRICS nunca foi grupo homogêneo e sempre viveu eivado de interesses conflitantes. Por exemplo, o acordo de partilha nuclear da Índia com os EUA efetivamente acabresta o país, sob controle dos EUA. A próxima reunião dos BRICS acontecerá na Índia, em outubro. O Brasil está exposto à vergonha de aparecer lá representado pela gangue da República das Bananas dos Escroques Provisórios.

Entrementes, que ninguém se engane: assim como a investigação Lava-jato já foi exposta como processo político não judicial – para o qual combater a corrupção não passa de cobertura útil – a República das Bananas dos Escroques Provisórios e seus aliados e agentes farão de tudo para se livrarem das eleições diretas à presidência marcadas para 2018. E assim, eis o lamentável mapa do caminho até 2018: rumo ao mais total caos nos campos político, econômico, social e judiciário.

quinta-feira, 2 junho, 2016 Posted by | Repassando..., Uncategorized | , | Deixe um comentário

Só há um e doloroso caminho: as ruas como espaço de luta…

31/05/2016 00:00 – Copyleft

Um filme chamado Brasil

A resistência ao golpe precisa demarcar o futuro, como fez o presidente islandês na bancarrota de 2009: ‘Somos uma democracia, não um sistema financeiro’

por: Saul Leblon

Lula Marques

Instale uma lente grande angular na sua angústia com o Brasil.

Abstraia contradições óbvias demais.

Essa, por exemplo:  um projeto econômico neoliberal que só se viabiliza com um golpe de Estado articulado por instituições que encarnariam o liberalismo –o congresso ‘representativo’, o judiciário ‘independente’, ‘a mídia ecumênica e isenta’…

Não restou um tijolo desse edifício no Brasil pós 11 de maio.

Afaste a tentação de condensar essa montanha desordenada de ruínas no riso de escárnio de Gilmar Mendes.

A toga partidária é um personagem por demais caricato, ainda que representativo do Supremo Tribunal do país.

Tome a mídia como referido, não como referência.

Para guardar alguma distância em relação ao país e ainda assim enxerga-lo melhor, imagine um enredo de Costa Gavras.

Não o óbvio ululante: o assalto ao poder por parte da cleptocracia de rentistas, banqueiros, proprietários dos meios de comunicação, escória política…

Vá além da borra tóxica que flocula na superfície pegajosa dos noticiosos.

Abra lentes para o mundo.

O mundo da grande estagnação que amassa o capitalismo global desde o colapso de 2008, no qual ano a ano as instituições internacionais revisam para baixo suas projeções de ‘recuperação’.

Sociedades subtraídas de seus pilares indivisos — pujança industrial, empregos de qualidade, sindicatos representativos, Estados fortes e reguladores, direitos sociais universalizados— experimentam o longo inverno de uma encruzilhada histórica.

A incerteza é senhora.

O subemprego, permanente.  

Precariedade profissional e social, generalizadas.

O conjunto contamina as relações pessoais e coletivas, mastigadas nas mandíbulas de um sistema político incapaz de reinventar o futuro.

As estruturas produtivas mudaram à frente das estruturas políticas.

Mudaram para pior.

Ferrugem industrial e mal-estar social.

A polarização que opõe Sanders e Trump nos EUA decorre desse derretimento de um tempo capitalista que se despediu para sempre e levou consigo o espaço estrutural das camadas médias.

Sobrou a fricção crua dos interesses contrapostos.

Só mitigados pela manipulação midiática.

‘É isso que se vê nos EUA. Essa contraposição é algo muito sério e profundo, vai além da retórica de palanque’, diz o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, em meio a uma conversa sobre a natureza igualmente extremista do desmonte neoliberal promovido pelo golpe no Brasil.

O filme imaginário de Costa Gravas mostra a esquerda brasileira, como a de todos os lugares, perplexa.

Hesita-se em abandonar uma zona de conforto que aderna e  deixou de fazer sentido sob as novas condições globais, brutalmente internalizadas aqui pelo golpe.

O xeque-mate impõe-lhe repensar as bases do desenvolvimento.

E mais que isso: a correspondente arregimentação de forças para viabiliza-las, sem as velhas ilusões na indulgência dos mercados e da mídia.

Trata-se de reconstruir os canais de decisão da sociedade.

Mas sem esquecer os requisitos econômicos à vigência futura de uma verdadeira democracia social.

‘Sem indústria –ou hiperindustrialização, como se vê em setores de ponta, inclusive na agricultura’, pondera em off a voz do economista Luiz Gonzaga Belluzzo, ‘ uma sociedade não cria os requisitos de investimento, emprego, renda e receita para a convergência social. A desigualdade se impõe’.

Como se impôs nos EUA desguarnecido de zonas inteiras de industrialização  transferidas para o inalcançável padrão de eficiência e custo chinês.

Como reindustrializar um país caudatário nessas condições, sem resvalar no protecionismo cartorial?

‘O ponto de partida é que você não consegue decidir mais o seu desenvolvimento sem reverter a liberalização da conta de capitais, que removeu barreiras aos fluxos especulativos. Terá que fazer isso, sobretudo, com instrumentos de regulação das operações com derivativos, desvinculadas dos fluxos, mas de efeitos cambiais adversos sobre a competitividade industrial’, sinaliza o economista brasileiro.

O que o ele enfatiza, para horror da equipe do golpe, é endossado por alas do próprio FMI.

Corte para a matéria do Financial Times de 30/05/2016.

Voz radiofônica sobre imagens de plantas industriais e bairros decadentes do entorno de Detroit e favelas latinoamericanas: ‘…três dos principais economistas do FMI sugerem que a “agenda neoliberal” pode ter tido menos sucesso do que o pretendido – e que produziu um aumento da desigualdade (em consequência de dois elementos específicos do chamado cuore neoliberal):  liberalização da conta de capital, ou seja, a remoção de barreiras aos fluxos de capitais; e consolidação fiscal, hoje mais comumente denominada austeridade.”

Volta à disjuntiva subjacente ao golpe brasileiro.

Qual Brasil?

O da industrialização sonhada por Vargas, Furtado, pelos nacionalistas, keynesianos e marxistas; ou o paraíso da arbitragem de juros, o entreposto dos especuladores, a terra de ninguenzada, com alfandegas livres, o reino da Alca, de FHC, e do entreguismo psicopata de José Serra, que subordina a nação ao seu ego?

A indiferença jornalística diante das determinações globais que dificultam a transição de ciclo do desenvolvimento brasileiro tem razões estratégicas.

O véu espesso lançado pelo noticiário cuida de sonegar a gravidade do desequilíbrio mundial para enfatizar a tese do “desgoverno petista”.

O recorte pavimenta a inexorabilidade do arrocho e empresta virtude à gororoba neoliberal que, finalmente, tomou o poder a contrapelo das urnas.

Ter a visão integral do jogo é decisivo para poder vencê-lo.

O enredo imaginário de Costa Gavras passeia agora pelas reuniões de pauta e de fechamento dos jornais e telejornais em que esse requisito é sonegado.

Ali se assa o pão aziago do fatalismo, da desventura, das impossibilidades, da prostração, da perda da autoestima pessoal, política, nacional, histórica.

Ali se desvela a usina que acua o imaginário social até leva-lo à catatonia.

Não há fato que resista a títulos, fotos, imagens e escaladas manipuladas pela lógica pré e pós golpe.

Exceto um deles: a rua.

Ainda assim, a narrativa justa das causas que dificultam a retomada do crescimento – seu componente interno e externo – é crucial para arregimentar a correlação de forças necessária a uma repactuação progressista do desenvolvimento.

Sem isso a rua pode ser exaurida pela dízima periódica dos enfrentamentos pulverizados.

As determinações estruturais invadem a tela numa sequência quase documental.  

Na raiz da crise global está o excesso de capacidade produtiva desprovida de demanda em cada nação e no conjunto das nações, motivo das desvalorizações cambiais em marcha.

As cenas rápidas dizem com todas as letras o que a mídia local oculta ou rebaixa às notas de rodapé: esse é o legado de um desequilíbrio estrutural instaurado por quarenta anos de hegemonia neoliberal no mundo, obra que o conservadorismo quer replicar no Brasil.

‘A diluviana sobra de capitais decorrente desse ciclo de fastígio das finanças e depauperação do mundo do trabalho’  — resume exemplarmente Zygmunt Bauman em fugaz aparição no filme imaginário de Gavras, inaugurou uma era em que ‘a política teve as mãos decepadas’.

A crise do Estado-nação, sua subordinação aos mercados, está na raiz do descrédito na política.

Que força poderá rejuvenesce-la?

Eis a pergunta que as câmeras imaginárias de Costa Gavras pontuam em cada close, em cada rua, em cada imagem da angústia no mundo.

É esse também o conjunto de bloqueios que cerceia o passo seguinte da história brasileira nesse momento.

Explicitá-los é um requisito para o discernimento necessário ao enfrentamento.

A preciosa fatia da soberania nacional que restou é a repactuação da sociedade e do seu desenvolvimento em escrutínios de amplitude democrática renovada.

A democracia, sim, ainda é a grande questão política do nosso tempo. É o que se depreende das imagens estonteantes das mobilizações de rua na Europa em coma, sobretudo nos movimentos dos Indignados espanhóis.

Sem recorrer a esse trunfo derradeiro a sociedade, a nação e o seu desenvolvimento ficarão escravos de receitas e ajustes que agravam a sua fragilidade e aprofundam o seu descrédito na política.

A isso se dedica o mutirão vertiginoso de decisões anunciadas pelo golpe.

Corte para o desmonte em curso do aparato público brasileiro: manchetes, protestos, anúncios solenes, ruas em chamas.

O rame-rame do ajuste neoliberal consiste nisso: em demolir o que foi conquistado para instituir o retrocesso como limite do possível.

E a exclusão como sinônimo de estabilidade.

Atrelar o país à lógica mundial do neoliberalismo – como apregoa o golpe– significa corroer 12 anos de esforços distributivos e sacrificar um dos maiores mercados de massa do planeta, para abraçar a receita rentista que está na raiz da polarização derivada da grande estagnação global.

Quatro décadas de neoliberalismo esfarelaram a classe média dos EUA e desmontaram o estado do Bem-Estar europeu.

A renda real da outrora afluente classe média norte-americana encontra-se estagnada no nível de 1977, tendo o PIB crescido 50% no período.

Nunca a desigualdade foi tão extremada como agora na sociedade mais rica da terra.

Para recorrer novamente a Bauman: a tese neoliberal de que a concentração em cima, vazaria ariqueza por gravidade para baixo, comprovou-se uma grande mentira.

O que sobreveio foi o apogeu da desigualdade.

Cenas documentais:

A fatia da renda nas mãos dos 20% mais ricos nos EUA hoje chega a 55%; declinando na base da pirâmide.

Não é menos regressivo o quadro europeu.

Pesquisas mostram que a diferença entre um rico e um pobre na sociedade europeia era de 1 para 12, em 1945.

Em 1980, passou a 1 para 82.

Após o desmonte das bases da democracia social, atinge a desconcertante vastidão de 1 para 530.

Não por acaso, a disputa presidencial nos EUA repõe em cores ainda mais vivas o confronto entre políticas fiscais para engordar os ricos ou investimentos públicos para resgatar os pobres.

Volta ao professor Luiz Gonzaga Belluzzo: ‘A polarização que se assiste nos EUA sintetiza o nosso tempo; se Sanders fosse o candidato democrata teria chances reais de derrotar Trump; o mesmo não acontece com Hillary, que nada tem a contrapor ao populismo direitista do republicano’.

‘Trump não é um fascista mas carrega nuances dos anos 30’, admite a The Economist diante do apelo popular que a xenofobia e o protecionismo bélico do republicano exercem nas massas desamparadas da outrora afluente sociedade do Norte.

Quem considera simplismo descrever assim a polaridade incrustrada pelo neoliberalismo na carne das nações, talvez mude de opinião diante das estatísticas divulgadas há dois anos pela consultoria Wealthx, de Cingapura (http://www.wealthx.com/home/).

Um analista da assessoria expõe o mapeamento feito em 2014, enquanto as câmeras passeiam no planeta por ele descrito:

– 185.759 endinheirados dos quatro continentes detêm uma fortuna calculada em US$ 25 trilhões, nada menos que 40% do PIB mundial;

– o seleto clube comporta acentuada divisão interna de camarotes: o nível A é ocupado por 1.235 megarricos que controlam uma dinheirama quase igual a dois PIBs brasileiros: US$ 4, 2 trilhões.

A distribuição da riqueza nunca foi o forte do capitalismo.

Mas as últimas décadas de supremacia das finanças desreguladas conseguiram dar envergadura inédita à palavra desigualdade.

Quarenta anos de arrocho sobre o rendimento do trabalho nas principais economias ricas, associados a mimos tributários que promoveram o fastígio dos endinheirados, premiaram o capital celibatário que se autorreplica na especulação, sem agregar riqueza real à sociedade.

O conjunto enlouqueceu a engrenagem da desigualdade, corroeu a fatia do trabalho na riqueza, tornando-se o principal obstáculo à recuperação da economia mundial.

Oito anos após o colapso de 2008, o dinheiro ocioso transborda dos caixas das empresas, bancos já cobram para guarda-lo, com juros perto de zero, mas o investimento produtivo patina.

Sem investimento a conta da sociedade do bem-estar e a da democracia social não fecha.

A alternativa conservadora é clara: arrocho e opressão.

É essa receita do golpe que derrubou a Presidenta Dilma Rousseff.

A democracia terá que intervir contra o despotismo do capital para deter uma lógica que não saciará enquanto não abater, eviscerar e desossar integralmente o espaço do desenvolvimento e da soberania popular no Brasil do século 21.

Reduzir essa conflagração de interesses a um “esgotamento do desenvolvimentismo”, ou, mais rastejante ainda, “aos erros da nova macroeconomia lulopopulista”, como quer o sociólogo FHC –em aparição gelatinosa no filme imaginário de Costa Gavras–  pouco agrega à agenda do desassombro requerida pela encruzilhada brasileira.

O país, insista-se à exaustão, está diante de provas cruciais.

É preciso dar à crise o seu nome: o enredo de Costa Gavras pega a esquerda pelos ombros e a sacode diante da incontornável realidade capturada pelo cinema.

O nome da crise é capitalismo.

Em seu estágio de supremacia financeira; é a desenfreada ferocidade com que os capitais fictícios exigem um mundo plano de fronteiras livres e desimpedidos , por onde possam transitar à caça de fatias reais de uma riqueza, para a qual não se dispõem a contribuir, apenas se apropriar em espirais de bolhas recorrentes.

Quem vê no capitalismo apenas  um sistema econômico, e não a dominação política intrínseca a sua encarnação social, derrapa, ajoelha e se rende incapaz de reagir porque perde a centralidade que a democracia ocupa nessa disputa.

Não a democracia liberal.

O cinema imaginário de Gavras fala da democracia contra o capitalismo, a democracia que civiliza, barra e impede o capital regressivo de devolver a  sociedade ao estágio de comer carne humana.

A dificuldade principal é refletir sobre o colapso fora da receita conservadora de arrocho e desemprego ante qualquer ameaça à remuneração do capital a juro.

A ditadura intelectual do pensamento único é pincelada em cores vibrantes pelo cinema político de Gavras.

Em 2011, em plena curva ascendente da crise, o Escritório de Avaliação Independente do FMI analisou 6.500 trabalhos escritos produzidos ou contratados nos últimos dez anos, portanto na chocadeira da crise mundial.

Praticamente todos afiançavam as boas condições do comboio capitalista que rumava em alta velocidade para se espatifar na desordem neoliberal.

Pior: 62% dos economistas do Fundo afirmaram que se sentiam pressionados a alinhar as conclusões de suas pesquisas econômicas ao pensamento dominante no órgão.

A indiferenciação entre direita e a esquerda no manejo da crise persiste como parte constitutiva da encruzilhada atual.

O filme imaginário desfila economistas de cepas variadas balbuciando platitudes à beira do abismo.

O que chamamos de crise hoje é também a fotografia de corpo inteiro da longa captura da esquerda e da democracia pelo cânone neoliberal.

A trinca aberta entre a base da sociedade e aqueles que deveriam vocalizar o conflito, mas, sobretudo, a negligência deliberada com a organização dessa base, redundou no paradoxo infernal dos dias que correm.

Vive-se uma crise sistêmica do capitalismo que não gerou forças de ruptura para supera-la.

O fosso é proporcional à virulência do que se busca despejar nos ombros da sociedade.

O déficit de democracia emerge, assim, como o mais importante desequilíbrio revelado pelo filme da crise.

A contrapartida é a dominância capilar, estrutural, midiática e institucional acumulada pelo capital financeiro.

Apenas um governo parece ter assumido a coerência equivalente ao desafio que ameaça a tudo vergastar.

Os letreiros do filme começam a descer vagarosamente sobre uma paisagem gelada de metafórico isolamento.

Ali, perdido no branco da neve, o presidente da Islândia, Ólafur Grímsson, explica a decisão de devolver ao poder plebiscitário da sociedade a escolha que levou o país a sacrificar bancos em defesa da população na bancarrota de 2009:

‘Somos uma democracia, não um sistema financeiro’.

A imagem de Ólafur Grímsson e sua frase resistem enquanto a câmera se afasta acentuando o isolamento dessa ousadia que pode, ainda, devolver aos cidadãos a responsabilidade pelas escolhas do seu destino e o destino do desenvolvimento em nosso tempo.

quarta-feira, 1 junho, 2016 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

O nada se revela como coisa nenhuma…

A entrevista de Temer ao Fantástico revelou um governante inepto e obtuso. Por Paulo Nogueira

Postado em 16 May 2016

Sem noção: Temer no Fantástico

Sem noção: Temer no Fantástico

A entrevista de Michel Temer à repórter Sonia Bridi, no Fantástico, só não decepcionou porque não se deveria esperar mesmo nada dela.

O objetivo claramente foi promover Temer, mas eis uma tarefa impossível. Temer não tem nenhum carisma. É um anão político.

Não sei o quanto Sonia deve ser criticada, uma vez que Mariana Godoy afirmou que todas as entrevistas deste gênero são previamente elaboradas por Ali Kamel, diretor de telejornalismo da Globo e autor do livro Não Somos Racistas.

Houve cenas involuntariamente engraçadas na entrevista. A mais dela foi quando foi perguntado a Temer as razões da ausência de mulher em seu ministério de “notáveis”.

Apareceram então imagens de uma reunião da equipe de Temer em que havia uma multidão de homens.

Em seu português de advogado de filme da década de 1940, Temer iniciou sua resposta dizendo discordar de que não haja mulheres.

Citou uma chefe de gabinete como se fosse prova do reconhecimento à importância das mulheres. Acrescentou que representantes femininas deverão aparecer em secretarias surgidas da supressão de ministérios.

Não serão ministras, portanto. Mas secretárias. É um rebaixamento evidente. (A primeira tentativa de recrutar uma secretária foi frustrada com a recusa de Marília Gabriela.)

Eduardo Cunha, o homem a quem Temer deve o cargo, apareceu na conversa. Temer mostrou, perdão pelo trocadilho, temer Cunha.

Disse que para ele é “absolutamente indiferente” se Eduardo Cunha for definitivamente afastado da Câmara dos Deputados ou não.

Ora, ora, ora.

Um governo supostamente nascido do combate à corrupção – pausa para gargalhada – não se importa com o destino do símbolo supremo da corrupção, o psicopata Eduardo Cunha.

A mensagem não poderia ser pior. Fica escancarado o caráter hipócrita, indecente da nova administração. Isso já se percebera quando foi anunciada a equipe ministerial, com sete nomes investigados na Lava Jato.

Um deles é Romero Jucá, que aparece não apenas na Lava Jato como na Operação Zelotes. Nesta, ele é investigado pelo STF por suspeita de, como senador, vender medidas provisórias de interesse da indústria automobilística.

Depois de fazer um elogio desmedido do talento de Jucá, Temer disse que ser investigado não significa nada. Numa nova administração, é o oposto. Significa tudo. Ou deveria ser. Mas não para Temer.

Fica exposta aí sua incompetência, sua miopia, sua estupidez. Todo novo governo deve produzir um choque positivo para elevar as esperanças da sociedade.

Temer fez o contrário: deu aos brasileiros um choque negativo.

No plano das palavras abstratas, ele falou em cortes de despesas que sugerem uma gestão neoliberal. Mas um momento: os brasileiros não votaram, um ano e meio atrás, nisso – um receituário neoliberal.

Ele terminou afirmando que quer pacificar o país. Como, se ele é o retrato acabado da desunião, um vice que não hesitou em se juntar a uma conspiração assim que enxergou a chance de ter direito a seus quinze minutos de fama (ou de Fantástico)?

Sinal disso, a entrevista foi recebida com apitaços, panelaços e vomitaços em várias partes do Brasil.

Há uma única maneira de Temer contribuir para a pacificação nacional: desaparecendo de um cargo para o qual não recebeu um único voto e ao qual chegou por uma trama suja e sinistra.

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Paulo Nogueira
Sobre o Autor

O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo

segunda-feira, 16 maio, 2016 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

Ambos os tipos agiam fomentando o “suicídio” coletivo…

Dilma ainda vai em cana

quinta-feira, 21 abril, 2016 Posted by | Repassando... | | Deixe um comentário