Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Não há nada como um dia atrás do outro e uma noite escura no meio…

cuba livreMais de meio século de bloqueio, boicote, tentativas de assassinatos pela CIA e o Tio Sam, finalmente, parece que vai entregar a rapadura: assumir que não conseguiu arrasar a experiência socialista no seu quintal e buscar uma convivência mais respeitável com Cuba. Se bem que o Titio nunca é confiável, nunca cede sem ganhar alguma coisa. Mas no caso, é fácil entender: um bloqueio que, na prática, já ruiu faz tempo; um apoio crescente e descarado de toda a América Latina à Cuba, com relações comerciais crescentes e intercâmbios técnico-científicos profícuos; e um presidente norte-americano quase desmoralizado politicamente dentro e fora dos EUA, necessitado de fazer algo relevante para maquiar o fracasso retumbante de suas promessas políticas internas e externas. Neste contexto, o reatamento das relações EUA x Cuba surge como algo de impacto, as quais os seus antecessores, cegos pela soberba natural dos ianques, sempre teimaram em ignorar.

E a nível de Brasil, esta iniciativa torna-se uma bofetada na cara dos coxinhas e assemelhados que tanto condenaram as relações Brasil/Cuba. Condenando, inclusive, o apoio financeiro do BNDES à construção do Porto Mariel durante a campanha eleitoral, escamoteando o fato de que o financiamento, em verdade, beneficiaria em muito as empresas brasileiras. Bando alienado e reacionário, incapaz de enxergar um dedo em termos de futuro globalizado. Para eles, globalização é comprar em Miami e gastar na Disneylandia.

Tô feliz. Feliz por Cuba, um país injustiçado por não aceitar ser o cassino e o prostíbulo dos ianques. Feliz por mim, que acompanhei durante décadas a saga cubana, desde Sierra Mestra. Feliz por ver o Francisquinho (desculpem a intimidade), um papa muito gente e que mais uma vez mostra sua faceta aglutinadora, tanto em termos religiosos como políticos. Feliz por imaginar a cara dos reaças deste país, que provavelmente vão perder mais um ponto de apoio à ideologia direitista e buscar uma nova desculpa para justificar a sua ira política.

Meu dia, amanhã, acordará mais feliz. Apesar do receio profundo de que isto seja apenas mais uma balela demagógica e oportunista dos gringos, para infiltrar e destruir a sociedade cubana, com já o fez no passado. Há poucos dias, ganhei de uma amiga do blogue um charuto cubano, um vidrinho de rum cubano e um livro sobre Che e Fidel. Hoje estes presente me parecem prenúncios de avanço do sonho de liberdade e justiça social dos corajosos cubanos. Se a coisa vingar realmente, já terei com que comemorar: charuto e rum da Ilha…

Leiam a seguir a notícia…
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Publicado em 17/12/2014

Dilma enfia Mariel pela garganta do Aécio

Aecioporto vai pedir a recontamento dos votos do Papa

No Blog do Planalto:

PRESIDENTA DILMA REAFIRMA IMPORTÂNCIA DO PORTO DE MARIEL, EM CUBA

Em entrevista coletiva após a 47ª Cúpula do Mercosul, a presidenta Dilma Rousseff reafirmou a importância estratégica do Porto de Mariel para as atividades econômicas da região, sobretudo após o anúncio do fim do bloqueio dos Estados Unidos a Cuba.

“Algo que foi tão criticado durante a campanha, que foi o Porto de Mariel, mostra hoje a sua importância para toda a região e para o Brasil, na medida em que hoje o Porto de Mariel é estratégico pela sua proximidade com os Estados Unidos”, analisou a presidenta.

Dilma classificou a reaproximação entre Estados Unidos e Cuba como um marco para as relações mundiais.

“O fato de que Cuba tem hoje condições plenas de conviver na comunidade internacional é algo extremamente relevante para o povo cubano e acredito que para toda a América Latina”, frisou a presidenta.

Porto de Mariel

As obras de modernização do Porto de Mariel e sua estrutura logística exigiram investimentos de US$ 957 milhões, sendo US$ 682 milhões financiados pelo Brasil e o restante aportados por Cuba. Para aprovação do crédito, o BNDES acordou com o governo cubano que, dos US$ 957 milhões necessários, pelo menos US$ 802 milhões fossem gastos no Brasil na compra de bens e serviços comprovadamente brasileiros. Isso proporcionou a centenas de empresas brasileiras a oportunidade de participar do empreendimento, mediante a exportação dos serviços que prestam e dos bens fabricados no Brasil.

Leia mais:

BRASIL ESTEVE NA VANGUARDA DA ABERTURA DE CUBA

CUBA E EUA REATAM RELAÇÕES DIPLOMÁTICAS

CASTRO: ESTAMOS DISPOSTOS A DIALOGAR COM OS EUA

quarta-feira, 17 dezembro, 2014 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , | Deixe um comentário

Floresta Global: sobre a (Des)Esperança Negra, a Hiena-de-chifres e outros predadores…

No início da gestão Obama, postei aqui um comentário pessoal sobre os primeiros vacilos do Negra (Des)Esperança, entre eles a nomeação da Hilary(hiena) Clinton para a frente política internacional do país. De lá para cá, as intenções de negociação internacional dos conflitos globalizados (se é que elas existiam!), desceram ladeira abaixo, ininterruptamente. Agora, contradizendo os estímulos anteriores dados ao Brasil e à Turquia pelo Obama (e por escrito), a hiena-de-chifres (lembrem-se da Lewinski) declara, imitando a melhor cara de Bush, que os EUA e o Brasil têm profundas divergências em relação ao programa nuclear do Irã. Daqui a pouco, estaremos incluídos no famigerado Eixo do Mal…

Mas não é só isso…

Desde o Grande Golpe financeiro dos banqueiros norte-americanos (e que gerou a atual crise mundial), Goldmann Sachs (o deus das finanças de Walt Street),  e os canalhas da sua trupe, continuam sendo “investigados”. Leia-se nas entrelinhas: nada vai acontecer…

O povo grego, já afogado pela crise, recebeu goela abaixo um tremendo Cavalo de Tróia disfarçado de ajuda econômica, com taxas de juros elevadíssimas e cujas exigências externas enterrarão os poucos avanços sociais existentes naquele país (aposentadorias, salários, etc.). E a Letônia está passando pela mesma via-crúcis. E, profunda ironia: os governantes e intelectuais ianques, os causadores originais da crise, declaram que uma forte redução do déficit público norte-americano destruiria a economia do país. A mesma redução que eles impõem à pequena Grécia e à Letônia, é insuportável ao Tio Sam!!!! Segundo eles, cortar o déficit público sem antes reconstruir a engrenagem do sistema financeiro levaria à estagnação e uma segunda Grande Depressão! POOODE? Pode… O Titio pode tudo… Menos punir o mercado financeiro e encarar as demais nações como soberanas…

Dizem ser necessário salvar o mercado financeiro. MERCADO??? Que mercado?? Pela concepção capitalista ,o mercado é um campo de forças livres, equilibradas pelas ofertas e demandas e onde se arca pelos prejuízos ou se aufere os lucros! Mas esta não é a lógica do sistema financeiro, em qualquer lugar do mundo! Se há lucros, tudo bem, o mercado existe. Mas se há prejuízos (por incompetência e/ou corrupção), eles são socializados unilateralmente com a população, através do Estado, mediante ações protecionistas bancárias, arrochos sociais e muita impunidade.

Salvar a Grécia e a Letônia? Salvar os países em desenvolvimento? Balela, amigos. O que eles querem mesmo é resgatar seus prejuízos e recuperar os lucros de sempre…

Bem, comecei pela Hilary(hiena) Clinton e terminei no capitalismo financeiro… Desculpem, é que acordar revoltado,  atormentado por uma laringite terrivel e em um cenário de tantas canalhices globais, nos tira até a coerência. Bom dia…

Imagens: da NET, capturadas via Google

sexta-feira, 28 maio, 2010 Posted by | Comentário | , , , , , | 2 Comentários

Sílvio Rodriguez: uma voz cubana pelo direito à autonomia

De forma cada vez mais acelerada, caem minhas expectativas políticas em relação ao Obama. Embora sua prática de campanha, seu discurso e o seu charme tenham incediado universalmente as nossas esperanças por um mundo melhor, o cotidiano da sua governança atola-se pouco à pouco na vala do histórico imperialismo ianque: maquiou a tragédia de Guantanamo, jogou pra debaixo do tapete a questão escandalosa do bloqueio à Cuba, manteve dissimuladamente a ocupação do Iraque e do Afeganistão, apoiou disfarçadamente o golpe militar em Honduras, ignorou a tragédia de Porto Rico, permaneceu na mera ameaça em relação ao sistema financeiro que causou a atual crise econômica mundial, e mantém a ameaça de retaliações ao Irã, menosprezando o acordo recentemente articulado pelo Brasil e pela Turquia. Enfim, vem demonstrando ser apenas um George Bush vaselina, dissimulado, enrolão. Pena… A única atitude louvável dele foi declarar o óbvio: que o Lula é o cara! No resto, continua a mesma prática ianque de dominação planetária, da forma democraticamente disfarçada que só os democratas sabem fazer. Ele deve ter lido a cartilha do John Kennedy: sorri enquanto enfia a faca no resto do mundo.

E nesse cenário de desencanto político, enquanto ele e o resto dos ianques punem os cubanos por terem se libertado das suas garras, por terem se negado a permanecerm como bordel e cassino dos seus turistas e escroques,  negando-se a abrir o bloqueio e exigindo abertura democrática (que democracia, a deles?), li hoje um texto escrito por Sílvio Rodriguez, artista cubano soberbo e libertário, sobre a questão deste bloqueio e desta  “abertura” democrática. .

“Expoente da música cubana surgida com a Revolução Cubana, Silvio é um dos cantores cubanos contemporâneos de maior relevo internacional, criador juntamente com Pablo Milanés, Noel Nicola, Vicente Feliú e outros músicos do movimento da Nova Trova Cubana. Considerado um poeta lúcido e inteligente, capaz de sintetizar o intimismo e os temas universais com a mobilização e a consciência social”, é uma voz inquestionável para falar sobre este tema e por não dizer aquilo que interessa à direita americana (lá tem esquerda?), não foi divulgada suficientemente. Revolucionário, ajudou a dizimar o domínio americano que Fulgêncio Batista assegurava aos norte-americanos. Pós-revolucionário, ajudou a alfabetizar o povo e colocou o seu talento artístico para continuar a mudança político-social. Homem do mundo, por sua arte, não se deixou enfeitiçar pelo sucesso capitalista. E até hoje continua acreditando e lutando por uma Cuba livre e justa.

E aproveitando a recente contradição da democracia espanhola (afastar o investigador dos crimes da ditadura Franco), ele faz uma lúcida análise crítica sobre o seu país e os “democratas” (incluindo-se aí o ex-festejado Obama) que pretendem “salvar” Cuba.

Leiam a matéria, percebam o seu ponto-de-vista e vejam a lógica cristalina que se opõe àqueles que, como os ianques, não querem deixar vicejar a única revolução do continente que deu certo. Tão certo, que resiste há meio século a toda sorte de boicote dos EUA  e seus adeptos de boa parte do mundo!

Façam bom proveito…

Imagem: catatau.blogsome.com/category/midia/page/4/

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18/05/2010

Cortina de manjericão

Um grupo de artistas e escritores espanhóis, ao mesmo tempo em que o juiz Baltasar Garzón era suspenso de suas funções por tentar investigar os crimes do franquismo, concentrava sua atenção nos problemas de Cuba. O cantor e compositor cubano Silvio Rodríguez mandou este artigo para o jornal espanhol El País, que se recusou a publicá-lo. Nós o acolhemos no nosso blog para que todos possam conhecer as posições de um artista cubano, que a imprensa daqui também se nega a publicar:

Um grupo de artistas e escritores espanhóis lançou uma plataforma para democratizar Cuba. E quando um cubano diverge, decretam que seus argumentos são cortinas de fumaça da ditadura que sofre e compara com os franquistas. Mas os deuses parecem ter-lhes castigado. Porque precisamente por ter se atrevido a investigar os crimes do franquismo, o Conselho Geral do Poder Judicial acaba de suspender o juiz Baltasar Garzón da Audiência Nacional da Espanha. Este sentença é um golpe duríssimo para uma democracia que pretende julgar ou mandar julgar supostos defeitos alheios, mas se resguarda para que não toquem nos seus próprios defeitos.

O veto a Garzón, considerado como um herói, acontece no mesmo país que há poucos anos deu ao mundo uma verdadeira lição de democracia, ao votar contra o partido governante que os meteu numa guerra injusta, fazendo-se de surdo diante das imensas manifestações populares.

Pessoalmente não consigo entender como essas personalidades chegaram à conclusão de que a política para Cuba deve ser a do isolamento e do bloqueio. É como desconhecessem que há meio século essa mesma política não conseguiu mover nem um milímetro a determinação das maioria dos cubanos.

Por outro lado, nós, cubanos, também queremos mudanças, mas estabelecidas por consenso entre nós. Estas transformações acontecerão mais tarde ou mais cedo e a única política capaz de acelerá-las é o fim do bloqueio. Tudo o que nos seja feito com acosso e com pressões não podemos considerar como algo a nosso favor, mas como um insulto à nossa autodeterminação, uma ingerência inadmissível nas nossas vidas.

Tantas agressões e ameaças nos ensinaram que a sobrevivência passa por uma sociedade orgânica, íntegra, indivisível. Assim nós saímos airosos de embates artificiais e naturais. Mas sabemos que somos o resultado de uma reação, por vivermos acossados. Não acreditamos em um governo centralizado para sempre. Mas costumamos vê-lo como um conceito de emergência, um mal necessário que o caminho da emancipação nacional nos impôs para sobreviver. O fim do bloqueio nos aliviará profundamente, criando condições para que avancemos também no conceito democrático.

Eu sublinho que não quero dizer que sem o bloqueio seremos mais democráticos, mas que estou seguro de que assim nós o conseguiremos mais rápido.

A recente plataforma se propõe isolar ainda mais a Cuba e agravar nossa já precária economia. Pretende convencer ao mundo de que a asfixia resolverá nossos problemas. Seu hipotético sucesso significaria muito mais sofrimentos para nosso povo, que leva meio século enfrentando todo tipo de dificuldades. Nossa longa experiência em “propostas” externas nos diz que esta ação é apenas um novo meio para nos obrigar a fazer o que outros consideram que deveríamos fazer. Partindo de que se trata de pessoas bem intencionadas, não sei como entendem a ofensa de pretender que nos tornemos como eles, com as reservas que despertam essas democracias de banqueiros ladrões e de exércitos de ocupação. E além de tudo, quando respondemos que não estamos de acordo, pretendem negar-nos o direito a que sejamos escutados, porque todos os que não pensem como eles – dizem – vem contaminado de ditadura.

Capitaneados por um grande escritor peruano com uma longa trajetória reacionária, certos intelectuais espanhóis decidiram gastas mais horas elocubrando sobre como causamos dano do que investigando até que ponto vivem em uma democracia. Alguns parecem mais preocupados por Orlando Zapata – um homem que teve o valor de escolher sua própria morte e de enfrentá-la – que os mais de cem mil espanhóis assassinados na era de Franco. É triste ver quão pouco lhes interessa aprofundar-se sobre a realidade cubana, quando suas conclusões são as mesmas que as dos piores inimigos da nossa dignidade. Por isso termino admitindo que esta página é realmente uma cortina, não de fumaça, mas sim de manjericão, contra a podridão da sua pretensa salvação.

Tradução: Emir Sader

Postado por Emir Sader às 08:55

terça-feira, 25 maio, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , , | 2 Comentários

Colheita maldita: ianques coletam o que plantaram!

Já postamos neste blogue vário comentários e notícias sobre o imperialismo ianque no mundo, mascarado sob ações da CIA e outras instituições secretas ligadas a esse espírito neo-colonizador global. Portanto, a matéria abaixo do blogueiro Argemiro Ferreira (garimpada e enviada por nosso leitor Carlos Germer) não é totalmente novidade, mas reforça, com fatos, aquilo que sempre afirmamos: o jogo internacional sujo, oportunista e hipócrita dos norte-americanos contra os interesses nacionais do resto do mundo e a cara-de-pau dos mesmos em se fazerem de vítimas quando recebem o famoso efeito bumerangue: o retorno das suas atitudes imperialistas. E o pior: os crápulas que operacionalizam esta ideologia infame, que desestabilizam governos, fomentam golpes de Estado, armam as lutas nacionais internas, exterminam culturas e populações inocentes, nunca são punidos! Pelo contrário: são protegidos e promovidos a heróis nacionais! Enquanto isso, os mesmos dirigentes dessa podre política, em nível intenacional, vivem buscando vilões dos direitos humanos para levar aos tribunais internacionais, por crimes contra a humanidade. E ainda tem gente que adora o modo de ser americano…

Confiram…

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O legado da CIA no Irã, Afeganistão e Paquistão

Argemiro Ferreira

A imagem do herói no cavalo branco a salvar a mocinha das garras do vilão, seja este assaltante de banco ou índio em defesa de suas terras invadidas, é recorrente na ficção de Hollywood. O deputado Charlie Wilson morreu, aos 76 anos, no dia 10 de fevereiro, certo de que era herói na vida real. Motivo: no Congresso injetou bilhões de dólares para financiar os que lutavam contra os russos no Afeganistão.

Ao morrer do coração Wilson já estava aposentado. Mas ele representou o Texas por 14 mandatos sucessivos na Câmara. Um livro (“Charlie Wilson’s War – The Extraordinary Story of the Largest Covert Operation in History”, de George Crile) e um filme (“Charlie Wilson’s War”, de Mike Nichols, com Tom Hanks no papel-título) o retrataram como herói.

A semana marcou ainda o 31° aniversário da revolução dos aiatolás do Irã, ocorrida apenas alguns meses antes da invasão do Afeganistão. Os iranianos derrubaram o regime do xá Reza Pahlevi, instalado em 1953 graças a golpe planejado pela mesma CIA que usou as verbas secretas do deputado Wilson para recrutar e armar os radicais islâmicos do lado paquistanês da fronteira com o Afeganistão.

O mínimo que se pode dizer é que no Irã, Afeganistão e Paquistão os EUA colhem hoje o que a CIA plantou com a colaboração de gente como o deputado Wilson. Osama Bin Laden foi treinado pela CIA para atacar os russos; gostou e atacou depois o World Trade Center em Nova York. E as bombas atômicas do Paquistão (real) e do Irã (hipotética) devem-se, ao menos em parte, à igual cortesia da CIA.

A lambança atual no Afeganistão (largamente nas mãos dos radicais islâmicos usados pela CIA a partir de 1979), no Paquistão (onde a CIA instalou acampamentos para os ataques aos russos no país vizinho e encorajou o sonho paquistanês da bomba nuclear islâmica) e no Irã (que se nega hoje a abandonar o enriquecimento de urânio) reflete o passado irresponsável da espionagem dos EUA.

No Irã o golpe da CIA instalou o xá no lugar do premier nacionalista Mohamed Mossadegh, anulou a nacionalização do petróleo e com faustosa coroação em 1967 impôs a ficção do “trono de 2.500 anos”. As corporações anglo-americanas ganharam mais um quarto de século para explorar o petróleo do Irã, já que a CIA ainda concebeu a tenebrosa Savak, serviço secreto celebrizado pelas câmaras de tortura.

Ainda naquela década de 1950 o Irã foi premiado pelo governo do presidente Eisenhower com relações muito especiais – que incluiram “acordo de cooperação nuclear para fins pacíficos”, deixando o país com alguma base para, em seguida à revolução dos aiatolás, assustar os EUA com a disposição de ampliar o programa nuclear e rumar para o enriquecimento de urânio.

Para o Irã submisso de Reza Pahlevi, nada era bom demais: além de favorecer o desenvolvimento nuclear, Washington ainda dotou o país de armas sofisticadas e modernizou a máquina da repressão – tudo pago com a receita do petróleo, que regalou nos EUA as indústrias bélica, aeronáutica, nuclear e de segurança. Só que hoje, tomado pelos rebeldes radicalizados nas câmaras de tortura, o Irã é outro.

De tal forma o Irã do xá era criatura da CIA que, no final de 1973, o presidente Nixon concluiu que ninguém melhor para ser embaixador em Teerã do que o próprio diretor da central de espionagem, Richard Helms – “dada a intimidade dele com o xá”, explicou. Como se fosse o posto final de uma carreira de sucesso na CIA, dirigida por Helms durante quase sete anos, antes dos três que passou no Irã.

Com a contribuição do deputado Charlie Wilson, anticomunista meio fanático, o capítulo Afeganistão-Paquistão foi ainda mais vivo, excitante e insólito – ou “colorful”, para usar adjetivo talvez mais apropriado à conduta do parlamentar excêntrico que quando não estava “salvando o mundo” da suposta “ameaça vermelha” dedicava-se ao consumo de álcool e drogas com prostitutas de luxo.

Ele ficou obviamente encantado com os relatos do livro e do filme que o tornaram celebridade. Seu papel pode ter sido singular pelo conhecimento de sutilezas do processo legislativo na Câmara, onde integrava a comissão de verbas (appropriations) e sua subcomissão sobre operações no exterior – além de cultivar contatos na comissão que supervisiona a espionagem.

Não só estava familiarizado com mecanismos e artifícios para ocultar a destinação de recursos. Também revelara-se mestre na troca de favores com colegas interessados em abocanhar verbas para projetos de seus distritos eleitorais. Certos especialistas acham que hoje teria mais dificuldades: o processo legislativo sofreu reformas depois, reduzindo – em nome da transparência – a prática do sigilo.

O fato é que Wilson começou por canalizar uma verba de US$ 5 milhões para os radicais do Afeganistão. E, no fim da década de 1980, aqueles recursos elevavam-se a nada menos de US$ 750 milhões por ano. Pode ter sido ajudado por pertencer ao partido da oposição (Democrata) numa década dominada por governos republicanos (Reagan e Bush I) obstinados em estender ainda mais as ações militares dos EUA pelo mundo.

No Afeganistão e Paquistão, sabe-se hoje, a lambança foi bipartidária – devido a uma armadilha do governo do presidente democrata Jimmy Carter. Seu assessor de segurança nacional na Casa Branca, Zbigniew Brzezinski, confessaria 20 anos depois ter atraído a URSS para a idéia de invadir o Afeganistão. A invasão veio a 24 de dezembro de 1979, após seis meses de ajuda crescente da CIA aos rebeldes radicais.

Em entrevista à revista francesa “Nouvel Observateur”, em 1998, Brzezinski vangloriou-se de seu papel: “Carter assinou a 3 de julho de 1979 a primeira diretiva (à CIA) para a ajuda secreta aos opositores do regime pro-soviético de Kabul. Naquele dia eu tinha enviado nota ao presidente na qual expliquei que, na minha opinião, tal ajuda americana iria levar a uma intervenção militar soviética”.

Quando o jornalista perguntou se a ação clandestina dos EUA tivera a intenção de provocar a invasão russa, Brzezinski amenizou: “Não provocamos os russos para que invadissem, mas ampliamos conscientemente a probabilidade de que isso viesse a ocorrer”. No dia em que os russos cruzaram a fronteira, disse, escreveu de novo a Carter: “Agora temos a oportunidade de dar aos soviéticos o Vietnã deles”.

Brzezinski contestou, assim, a tese republicana que atribui a Reagan a glória pelo fim da URSS. “Durante quase 10 anos a URSS amargou guerra insuportável – um conflito que trouxe a desmoralização e, afinal, a dissolução do império soviético”, alegou. Mas o exagero é comparável ao do mérito republicano. O desfecho, após meio século, deveu-se aos dois partidos e muita gente mais – inclusive os que erraram na própria URSS.

As avaliações atuais tentam ignorar os efeitos negativos das ações da espionagem. Ao financiar, treinar e armar (até com mísseis Stinger, capazes de destruir aviões em vôo) os radicais que batizou de “combatentes da liberdade” a CIA extremou as ambições deles. Hoje ela os repudia como “terroristas”, indiferente ao fato de que aprenderam na CIA a pensar o impensável – como atacar o coração do império americano.

Com os russos fora do Afeganistão os EUA deixaram o país para os radicais que a CIA diplomou em terrorismo. Com armas como o Stinger, os talibãs tomaram o poder e ficaram até 2001. Bin Laden, saudita de nascimento, ainda dirige de lá a rede al-Qaeda, que opera no mundo a partir do território afegão. E a CIA ainda tenta “recomprar” Stinger mas nem sabe quantos distribuiu – a estimativa vai de 500 a 2.000.

O deputado Wilson, ao invés de herói, foi cúmplice das trapalhadas. Livro e filme dizem que atuava com assistência da CIA. A culpa dos EUA e sua agência ia mais longe na relação promíscua com o general-ditador paquistanês Zia-ul-Haq, que em troca do apoio à operação na fronteira afegã obteve luz verde e deu carta branca ao construtor da bomba atômica islâmica, o cientista Abdul Qadeer Khan.

No desdobramento, a receita da bomba-A do Paquistão foi parar no Irã, Coréia do Norte, Líbia e talvez outros. Assim, além de fazer a “guerra (sem fronteiras) ao terrorismo” e lutar no Afeganistão contra os que antes chamava de “combatentes da liberdade”, os EUA hoje têm de vigiar o Dr. Khan, o serviço secreto (ISI) do Paquistão, os progressos nucleares do Irã e da Coréia do Norte e sabe-se-lá-mais-o-que.

A própria CIA adotou a expressão “blowback” para designar os efeitos opostos ao que pretendia em cada uma de suas operações clandestinas. A palavra apareceu pela primeira vez em relatório secreto de 1954 sobre o golpe da CIA no Irã. O “blowback” da derrubada de Mossadegh foi a tirania de 25 anos e a revolução (antiamericana) dos aiatolás. Já no Afeganistão os ataques do 11/9 nos EUA tendem a ficar como exemplo maior.

Blog de Argemiro Ferreira

Fotos: Deputado Charlie Wilson em 1987, entre os radicais islâmicos do Afeganistão.

sexta-feira, 19 fevereiro, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , | Deixe um comentário

Nós quem, cara-pálida?

BLOGUE ZORRO indian_tonto_loneLembram daquela piadinha do Zorro que ao dizer ao seu amigo índio (o Tonto) que os dois estavam totalmente cercados por índios inimigos e portanto ambos estavam perdidos? Pois é, o índio Tonto retrucou rapidamente: nós quem, cara-pálida? Nos últimos dias, tenho-me lembrado muitas vezes ao dia dessa  saída étnica do índio americano. Porque? Vamos lá…

Creio que todos já devem ter visto uma propaganda sobre a necessidade de organização política na sociedade brasileira, veiculada várias vezes ao dia na TV. Uma das veiculações me chamou especialmente a atenção: aquela onde a jornalista Lucia Hippolito, auto-definida como cientista política, historiadora e jornalista, especialista em eleições, partidos políticos e Estado brasileiro. Na dita veiculação, a jornalista sobe em um mini-palco improvisado na avenida e fala aos transeuntes mais ou menos assim: porque o governo tem que cuidar das nossas vidas e não, nós dizermos ao governo o que queremos e o que ele deve fazer com o nosso dinheiro? Lindo… Arrepiante… Nada disso, apenas mais uma catilinária demagógica de quem (pela formação profissional que diz possuir), deveria pensar melhor no significado do que diz. A começar pela configuração do “nós” a que ela se refere. Ela fala a um pretenso público popular urbano, sobre algo que circula em todos os lares e classes sociais brasileiras e aqui já cabe iniciar com aquela perguntinha: nós quem, cara-pálida? O “nós” dos desvalidos sociais? O “nós” do crime organizado? O “nós” da burguesia? O “nós” das grandes corporações econômicas? O “nós” operário? O “nós” das populações tradicionais interioranas? O “nós” dos madeireiros? O “nós” dos pecuaristas? O “nós” dos grileiros? O “nós” dos corruptos? O “nós” do universo político-partidário que pretensamente defende os inúmeros “nós” junto ao Estado? Para ela estar correta na sua incitação, o “nós” nacional teria de ser uma imensa massa homogênea em termos de interesses individuais e coletivos, um paraíso sem classes sociais. E como não é, o discurso espelha não mais que um convite político positivista para uma pseudo-mudança política: ingênua por não entender a luta de classes, ou manipuladora por tentar usar as reservas gratuitas de dominação política para maquiar esta luta de classes (creio mais na segunda conclusão). E o mais grave nisso tudo é que se joga toda a culpa dos erros do funcionamento social no governo, como se ele não fosse decorrência dessa luta de classes e não defendesse os interesses hegemônicos, com profundas contradições na práxis política, em virtude da heterogeneidade dos diversos interesses de diferentes coletivos. E esse tipo de comportamento diversionista, ideologicamente mascarador, sempre foi uma prática histórica nacional, desde os tempos de Cabral… Mas, esquecendo Cabral que vai tão longe, gostaria de comentar esse comportamento político oportunista nacional, focando os dois blocos políticos mais antagônicos: a direita e a esquerda.

No nosso Brasil, a direita política, as classes sociais hegemônicas e as corporações econômicas sempre defenderam a democracia ianque como exemplo de respeito à democracia e aos direitos humanos. Para eles o Titio Sam sempre foi o Cara, aquele que mostrava ao mundo como se faz uma sociedade justa e bem sucedida em termos sócio-político e sócio-econômico. No outro extremo, a esquerda xiita e revolucionária nunca abriu mão de defender as experiências soviética, cubana e chinesa, como caminhos de resgate das desigualdades e da justiça social. E em nome do “Velho Barbudo” (que, coitado, deve revirar-se continuamente no túmulo com tantas heresias anti-dialéticas ditas em seu nome), derrubaram regimes dominadores para implantar nova forma de dominação (a pretensa ditadura do proletariado), trocando de mãos, mas mantendo o chicote. Mas como as experiências comunistas já são por demais conhecidas em seus muitos erros e poucos acertos (o próprio regime capitalista cuidou muito bem de divulgá-los!), quero hoje comentar a decantada justiça e correção democrática dos EUA, a Meca dos capitalistas e das elites brasileiras (que o Bin Laden não me leia!). Não vou nem comentar as suas desigualdades sociais internas, a discriminação contra os imigrantes, a conivência com a especulação financeira e com a acumulação centralizada. Isso já é suficientemente conhecido. Quero analisar o comportamento ianque em suas relações globais, principalmente no diz respeito à convivência entre nações e as contradições entre as políticas que ele prega e as que ele desenvolve. E nem pretendo regredir muito no tempo, para evitar as desculpas reacionárias e revolucionárias da Guerra Fria. Abordar os últimos dez anos são suficientes para despir o rei. Ou melhor, pra fazer o strip-tease político do Titio Sam.

A Associação Americana de Juristas, em março de 2000, denunciou “a violação generalizada e persistente dos direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais nos Estados Unidos da América, agravada pelo fato de que seus governantes consideravam que dito país poderia colocar-se acima e à margem do direito internacional”, perante a Comissão de Direitos Humanos. E solicitou a esta Comissão que expressasse sua profunda preocupação com o fato desses comportamentos desviantes dos direitos humanos e do direito internacional estabelecidos consensualmente pelo conjunto das nações do planeta. Só para dar uma idéia aproximada desses desvios, os EUA não aderiram:

a)      ao Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais;

b)      a nenhum dos dois protocolos do Pacto de Direitos Civis e Políticos;

c)      à Convenção contra o Apartheid;

d)     à Convenção sobre a imprescritibilidade dos Crimes de Guerra e de lesa-humanidade;

e)      à Convenção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação contra a mulher;

f)       à Convenção sobre os direitos dos trabalhadores migrantes e suas famílias;

g)      à Convenção contra o tráfico de pessoas e a exploração da prostituição de terceiros;

h)      à Convenção de Otawa, contra as minas anti-pessoais;

i)        ao Protocolo de Kyoto, sobre a emissão de gases poluentes na atmosfera;

j)        à criação de uma Corte Penal Internacional.

Que tal essa pequena amostra de “solidariedade” internacional? Sem contar ainda que o titio aderiu a apenas 12 dos 170 convênios da OIT sobre o trabalho e vetou numerosos artigos dos tratados e convênios a que aderiram. E não ratificou a Convenção dos Direitos da Criança, votando ao lado da Somália, seu único parceiro na empreitada política citada. Chega? Não, mais um pouquinho: em 1994, a direção da UNICEF denunciou em entrevista à imprensa de que a situação da infância nos EUA era a pior em todo o mundo industrializado! Em 1997, a cifra de 22,7% dos menores de 18 anos, nos EUA, vivia abaixo do limite de pobreza!

Em suas façanhas internacionais mais recentes, o titio:

a)      assumiu a representação dos interesses farmacêuticos transnacionais frente à OMC, a fim de impedir a produção de medicamentos essenciais ao controle da AIDS, a custos mais baixos (questão que o Brasil ganhou, diga-se de passagem);

b)      ignorando a Convenção Internacional (que não assinou), recruta, treina, financia e utiliza mercenários na Colômbia, já tendo-os utilizados na Croácia, Bósnia e Kosovo;

c)      na invasão do Panamá e nas Guerras do Golfo, violou os direitos humanitários em tempos de guerra, previstos na Convenção de Genebra;

d)     mantém, e quer expandir, bases militares no Equador, na Colômbia e em Cuba, criando zonas de tensão e internacionalização potencial de conflitos.

E tudo isto são fatos, não propaganda enganosa e/ou manipulação ideológica, certo? E em assim sendo, foi mais do que justa (embora tardia!) a decisão do Conselho Econômico e Social – ECOSOC em retirar o Tio Sam do posto que ocupava na Comissão de Direitos Humanos da ONU, desde 1947. Pelo jeito, a arrogância do titio está entrando em declínio e talvez aí esteja a principal explicação da eleição do Obama, um negociador nato.

Depois disso tudo, olho para a direita brasileira “Disney World” e penso: nós quem, cara-pálida? Olho para as esquerdas pré-muro de Berlim (nem aí eles conseguem unir-se) e penso: nós quem, cara-pálida? E olho para o Obama afirmando que: sim, nós podemos! E apesar de torcer por ele e saber que ele foi o melhor que aconteceu a nível global,  na atualidade, penso: nós quem, cara-pálida(?)?

Imagem: da NET, capturada via Google.

terça-feira, 18 agosto, 2009 Posted by | Comentário | , , , | 2 Comentários

Iraque e Afeganistão: as minas políticas do “vagabundo beberrão”

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Lembram das milhares de minas explosivas ativadas e “esquecidas” nos países africanos e que durante décadas mutilaram homens, mulheres e crianças no pós querras civis, e que geraram até movimentos internacionais para desativá-las? Pois é, essa é a mina militar.

Lembram do terrorismo político que a oposição pitbull fez durante a campanha da primeira eleição do Lula, que elevou às alturas o risco-Brasil e que poderia ter detonado as possibilidades de investimentos externos na economia nacional, ampliando a crise sócio-econômica da época e mutilando as nossas possibilidades de crescimento no cenário globalizado? Pois é, essa é uma mina política, não tão barulhenta quanta a militar, mas com danos semelhantes e mais duradouros.

Pois o “vagabundo beberrão”, que deve estar enchendo a cara no seu sítio do Texas e protegido contra a gripe suína (já que até agora ainda não surgiu nenhum porco com a gripe), deixou minas político-militares por quase todo o globo e que, se o Obama não se cuidar, poderão detoná-lo politicamente no cenário internacional. O primeiro dano já está feito: o desastrado ataque militar americano no Afeganistão citado na reportagem que repasso abaixo e que vitimou muitos civis inocentes.

Leiam e rezem para que o Obama encontre uma vacina contra a gripe suína…

WASHINGTON (Reuters) – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, alertou na quarta-feira que pode haver mais violência no Paquistão e Afeganistão, e disse que seu governo continua comprometido com a luta contra a Al Qaeda, mas tentando evitar mortes de civis nesses dois países.

Obama recebeu os presidentes afegão, Hamid Karzai, e paquistanês, Asif Ali Zardari, na Casa Branca e disse que ambos – depois de serem muito criticados no passado – reafirmaram seu compromisso de combater o grupo de Osama bin Laden.

Mas a morte de dezenas de civis afegãos nesta semana, aparentemente em bombardeios promovidos pelos EUA, ofuscou a reunião.

“O caminho adiante será difícil. Haverá mais violência e haverá reveses”, disse Obama. “Mas deixem-me ser claro – os Estados Unidos fizeram um compromisso duradouro de derrotar a Al Qaeda, mas também de apoiar os governos soberanos democraticamente eleitos tanto no Paquistão quanto no Afeganistão. Esse compromisso não cederá, e esse apoio será sustentado.”

Autoridades locais disseram que mais de cem civis morreram nos bombardeios desta semana na província de Farah. Se a cifra for confirmada, terá sido um dos incidentes mais sangrentos envolvendo civis no país desde o fim do regime do Taliban, em 2001.

A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, lamentou profundamente o incidente, mas sem admitir responsabilidade dos EUA. Um funcionário norte-americano afirmou, pedindo anonimato, que aparentemente o bombardeio norte-americano de fato provocou mortes.

No passado, o governo de Obama criticou duramente Karzai e Zardari, questionando o compromisso e a capacidade deles no combate à Al Qaeda e o Taliban. Por outro lado, as vítimas civis das ações militares dos EUA são muito impopulares no Afeganistão e no Paquistão, dificultando a cooperação de seus líderes com Washington.

No final de março, Obama anunciou uma nova estratégia para a região, oferecendo mais ajuda financeira e também o envio de 20 mil soldados adicionais para o Afeganistão neste ano.

Hillary disse que o encontro de terça-feira representou “de certa forma um marco”, e Richard Holbrooke, enviado especial de Obama para a região, disse que o evento “deu realidade física ao plano estratégico”.

Depois de a presidência afegã qualificar as mortes de civis como “injustificáveis e inaceitáveis”, Karzai agradeceu Hillary pela manifestação de pesar, e disse esperar que outras mortes civis sejam evitadas.

Zardari, pressionado devido aos avanços dos militantes islâmicos neste ano nos vales do Swat e Buner, prometeu respaldo à democracia do seu país. “Minha democracia precisa de atenção e de alimento”, afirmou.

“A democracia paquistanesa irá cumprir sua missão, os terroristas serão derrotados por nossa luta conjunta. Eu, meu amigo o presidente Karzai e os Estados Unidos (…) estaremos ombro a ombro com o mundo para lugar contra este câncer e esta ameaça.”

Muitos paquistaneses acusam os EUA de abalar a democracia no país, por terem apoiado e financiado os militares durante décadas. Hillary disse que o apoio de Washington ao governo democrático de Islamabad é “muito, muito firme”.

quinta-feira, 7 maio, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , | Deixe um comentário

Obama: a razão aprendente que faltava!

Jürgen Habermas, o mais atual dos pensadores na área da teoria do conhecimento, desenvolveu, a partir de seus estudos sobre as abordagens históricas sobre o tema, a concepção da estratégia comunicativa aprendente.Segundo ele os atores sociais, embora ao longo dos séculos tenham convivido predominantemente através da estratégia do cálculo egocêntrico (onde agem sempre no sentido oportunista de influenciar em interesse próprio e/ou corporativo, desrespeitando os demais interesses, consensos ou dissensos existentes nos processos de negociações sociais), podem criar formas mais adequadas de convivência. Com base nos seus estudo sobre o conhecimento e a ética, e recorrendo ao evolucionismo de Darwin para explicar a produção do saber humano, defendeu a possibilidade da participação social não-violenta e não coercitiva. Entendendo a racionalidade comunicativa como aprendente (em permanente processo de ampliação e aperfeiçoamento), concebeu os grupos sociais como capazes de desenvolver competências mais complexas para conhecer a realidade, superando as explicações apenas racionais e seus desdobramentos autoritários. Assim, evoluindo através dos acertos e erros naturais em processos de ensino-aprendizagem, constituindo uma ética “deontológica, formalista e cognitivista”, as coletividades podem chegar a princípios éticos que garantam a participação social ampla nas decisões públicas, construindo sinergias em prol da integração social democrática e cidadã, resolvendo os conflitos com a melhor solução: aquela resultante do consenso de todos os concernidos.

Vendo a trajetória política do Barack Obama, desde o início, não encontro melhor exemplo de uma mente “Habermasiana”! Uma liderança plenamentre identificada com a teoria da comunicação aprendente, base de uma prática político-social de há muito requerida no cenário planetário. E a sua participação no encontro com todas as lideranças mundiais (inclusive aquelas ainda adeptas do cálculo egocêntrico predominante), pavimenta rapidamente um caminho novo para resolver os problemas antigos. Por isso estamos monitorando-o nesse blog, por acreditar e torcer pelo conteúdo das suas intenções e atitudes. E a reportagem abaixo reforça a nossa crença…

Obama diz estar pronto para ouvir líderes sul-americanos

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PORT OF SPAIN (Reuters) – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sentou-se neste sábado com líderes sul-americanos, dizendo estar pronto para ouvir e aprender após prometer uma era de maior cooperação regional e um recomeço com a Cuba comunista.

No início do quinto Encontro das Américas, em Trinidad e Tobago, Obama se disse um parceiro para o desenvolvimento de recursos energéticos, para lidar com os perigos das mudanças climáticas e para combater as ameaças de tráfico de armas e drogas que ameaçam a região.

“Tenho muito a aprender e estou procurando ouvir e descobrir como podemos trabalhar juntos mais eficientemente”, afirmou Obama a repórteres ao entrar em um encontro com líderes da América do Sul antes das sessões plenárias da cúpula em Port of Spain.

Pouco antes da sessão de abertura do encontro, no final da sexta-feira, Obama cumprimentou o presidente venezuelano, Hugo Chávez, um grande crítico das políticas de Washington e esquerdista estandarte do sentimento anti-EUA na América Latina.

Quando o encontro de sábado começou, Chávez, em acordo com a sua amigável saudação a Obama, presenteou o líder norte-americano com o livro “As Veias Abertas da América Latina”, do escritor esquerdista uruguaio Eduardo Galeano.

O presidente dos EUA recebeu o presente com um sorriso.

Obama disse aos líderes regionais na sexta-feira que sua administração queria um recomeço com Cuba, para tentar encerrar o conflito ideológico que marcou a região por meio século. O debate sobre o futuro das relações Cuba-EUA dominou o começo do encontro.

Obama afirmou que também estava aberto para discutir com Havana assuntos que vão desde direitos humanos até economia, mas pediu reformas políticas na ilha comunista.

Seu encontro com 33 outros líderes regionais ocorreu após o presidente cubano, Raúl Castro, ter dito que seu governo estava aberto a conversar sobre “tudo” com os Estados Unidos, incluindo prisioneiros políticos e liberdade de imprensa.

Antes do encontro, Obama afrouxou partes do embargo comercial de 47 anos dos Estados Unidos a Cuba, e os sinais de ambos os lados alimentaram esperanças de uma reaproximação histórica entre os adversários da Guerra Fria.

Cuba está excluída do encontro de cúpula de Trinidad e Tobago e, no passado, rejeitou qualquer tentativa de melhorar os seus laços com Washington através de reformas internas.

Chefes de Estado, que incluem o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e líderes caribenhos que participam do encontro, pediram que Obama acabe com as sanções norte-americanas contra Cuba.

sábado, 18 abril, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , | 1 Comentário

EUA e Cuba: a paquera continua…

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Raúl Castro se reúne com seis congressistas dos EUA

1 hora, 33 minutos atrás

O presidente de Cuba, Raúl Castro, está convencido dos benefícios de dialogar com os Estados Unidos, disseram legisladores democratas norte-americanos, que se reuniram com ele ontem por mais de quatro horas. Seis representantes democratas, os primeiros políticos dessa categoria a reunirem-se com o presidente cubano desde que Raúl tomou posse, em julho de 2006, realizaram uma visita à ilha como forma de assinalar a reaproximação entre os governos dos dois países.

“Estou convencida de que o presidente Raúl Castro quer a normalização das relações e o fim do embargo beneficiaria aos dois países”, disse a chefe da delegação, a californiana Barbara Lee. Raúl Castro e os representantes conversaram sobre a maneira de combater, de forma conjunta, o tráfico de drogas e de pessoas e os possíveis intercâmbios comerciais e até culturais, disse Lee. “É chegado o momento de falar com Cuba”, afirmou a congressista.

Uma nota divulgada pela chancelaria cubana afirmou que foi abordado o tema das relações bilaterais com a chegada do presidente Barack Obama à Casa Branca. “A esse respeito, Raúl ratificou a posição cubana, a disposição de dialogar sobre qualquer assunto, tendo como únicas premissas a igualdade soberana dos Estados e o absoluto respeito à independência nacional e ao direito inalienável de cada povo”, informou a nota.

O representante Bobby Rush disse que o presidente cubano “é o oposto do apresentado pela mídia”. “Ele realmente me surpreendeu, com seu senso de humor, seu conhecimento histórico e sua qualidade como ser humano”, disse o norte-americano, para quem a conferência transcorreu como se todos fossem “velhos membros da mesma família”. A visita dos legisladores ocorreu no momento em que o governo dos EUA anunciou o relaxamento de algumas sanções contra Cuba no que diz respeito a viagens de cubano-americanos para visitar seus familiares na ilha.

Washington mantém desde a década de 1960 rigorosas sanções comerciais contra Cuba, entre outros tipos de medidas que são parte de uma política com o objetivo de pressionar a ilha a mudar seu sistema de governo. No começo do mês, o senador republicano Richard Lugar sugeriu que Obama designe um enviado especial para começar um diálogo com Cuba.

No entanto, os legisladores democratas que se reuniram com Raúl Castro afirmaram que sua delegação não teve como objetivo negociar. “Não viemos com o objetivo de negociar, mas de dialogar e cultivar relações”, afirmou o congressista Emanuel Cleaver. Os representantes indicaram que farão um relatório sobre a visita e seus resultados para a secretária de Estado, Hillary Clinton, e para o presidente Barack Obama.

Fidel

O ex-presidente Fidel Castro, que não é visto em público desde julho de 2006, escreveu ontem em sua coluna nos jornais estatais que Cuba não teme conversar diretamente com os EUA. Tanto Fidel quanto Raúl dizem há décadas que gostariam de conversar pessoalmente com líderes norte-americanos. Atualmente, os dois países não têm relações diplomáticas.

Numa segunda coluna publicada na noite de ontem no site do governo, o ex-presidente saudou os membros do Congresso norte-americano por terem visitado a ilha, dizendo que “valoriza o gesto do grupo legislativo”. “Eles são testemunhas do respeito com o qual os norte-americanos que visitam nossa terra são sempre recebidos”, escreveu Fidel.

Legisladores das duas Casas do Congresso dos EUA já propuseram a eliminação da proibição das viagens a Cuba, efetivamente levantando um importante componente do embargo à ilha. Os representantes que estiveram em Cuba disseram que apoiarão esses esforços.

Imagens: da NET, capturadas através da Googles

terça-feira, 7 abril, 2009 Posted by | Repassando... | , , | Deixe um comentário

Obama e Fidel: começou o namoro!

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Conforme já se previa, o governo Obama parece ter iniciado a reaproximação com Cuba, rompendo o estúpido bloqueio econômico imposto ao país caribenho, por puro despotismo ideológico. O pronunciamento de Fidel, que repasso abaixo, demonstra que a estratégia política de entendimento inter-nações, proposta por Obama, pode ser viável em um horizonte mediato.

O estranho foi perceber a presença de um político republicano citado por Fidel como progressista. Um republicano ianque progressista? Só se for milagre de São Obama! Como meu pai dizia que lagarta vira borboleta mas abacaxi não vira uva, tô matutando: será que o Obama tá fazendo alteração genética de DNA político?

Fidel elogia proposta dos EUA para retomar relações

AE-AP – Agencia Estado

HAVANA – O líder Fidel Castro disse hoje que Cuba não está com medo de abrir negociações com os Estados Unidos e que o governo comunista do país caribenho não prospera com o conflito, como afirmam seus críticos. Em artigo publicado hoje nos jornais controlados pelo governo, o ex-presidente de 82 anos também elogiou o senador norte-americano Richard Lugar, ao dizer que o republicano mais graduado no Comitê de Relações Exteriores “caminha sobre chão firme” com sua proposta de indicar um enviado especial para reformular as relações entre os dois países.
Fidel escreveu que “os que são capazes de analisar com serenidade os eventos, como é o caso do senador por Indiana, usam um argumento irrefutável: as medidas dos EUA contra Cuba, que já duram quase metade de um século, são um fracasso total”. Ao repetir a disposição de Cuba para dialogar com Washington, Fidel afirmou que as conversas diretas são “o único caminho para assegurar a amizade e a paz entre as pessoas”.
Os comentários conciliadores foram feitos em meio a especulações de que a nova administração do presidente norte-americano Barack Obama poderá remover parcialmente o embargo econômico imposto pelos EUA a Cuba, medida imposta logo após Fidel chegar ao poder em 1959. O ex-presidente cubano sofre de uma doença misteriosa e foi substituído no cargo por seu irmão Raúl Castro há cerca de 14 meses.

segunda-feira, 6 abril, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , | Deixe um comentário

Ah! Obama! Se a oposição pittbul te pega!!!

blogue-lula-tphoto_1238694364265-1-0jpgA troca de confetes entre o Obama e o Lula não apenas demonstrou a capacidade de comunicação e liderança política de ambos, serviu também para enraivecer a oposição brasileira pittbull, que está cada vez mais hidrófoba com a proximação das eleições de 2010 sem que consiga ver luz no fim do túnel. Tudo que a matilha menos precisava a essas alturas do campeonato era um elogio rasgado ao nosso presidente, vindo da maior expressão política atual. De qualquer forma, foi bom em termos democráticos: mais uma demonstração de que capacidade gerencial, popularidade e respeito não dependem de formação acadêmica, classe social ou etnia: dependem de vontade política e estatura moral. Leiam as reações do nosso parlamento…

Elogios de Obama a Lula repercutem no Congresso e no Senado

Agência Brasil

BRASÍLIA – Os senadores e deputados receberam com bom humor e críticas os elogios feitos pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta quinta-feira, momentos antes da abertura da reunião do G20, em Londres. – Esse é o cara. Eu adoro esse cara – disse Obama sobre o presidente brasileiro diante do primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd.

O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), disse que Lula ganhou notoriedade internacional até pela condição de ser o único operário que chegou à Presidência da República pelo voto direto. – Em duas gestões tornou-se mais popular ainda, especialmente pelas movimentações governamentais de natureza social – afirmou.

Já líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), preferiu criticar o elogio feito ao presidente brasileiro. – As declarações de Obama ratificam a tese de que Lula já entrou no tema do anedotário internacional. Acrescentou que o comentário de Barack Obama – é algo preocupante para os brasileiros porque o líder quando não se comporta de acordo com a liturgia do cargo perde a respeitabilidade dos demais – disse.

O líder do PT, Cândido Vaccarezza (SP), afirmou que os comentários de Obama mostram que o Brasil, com Lula, “ganhou importância econômica e política”.

No Senado, os parlamentares também comentaram o elogio ao presidente Lula, alguns reagiram com bom humor. O 1º secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), por exemplo, afirmou que Obama “destronou” Pelé, até então o mais popular entre os brasileiros no exterior. – Que pena, o Pelé perdeu o trono – brincou o senador.

Já o ex-presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), reagiu num misto de perplexidade e bom humor ao comentário de Barack Obama. – Isso é extraordinário, mostra que santo de casa também faz milagre. Quem diria que o presidente Lula teria tanto êxito no plano internacional. Agora temos que levar a sério a história da marolinha – disse.

O líder do PSDB, Arthur Virgílio Neto (AM), também reagiu de maneira humorado aos comentários do presidente dos Estados Unidos. De acordo com o senador tucano, Lula foi elevado a uma condição somente inferior ao do tetracampeão mundial de futebol Romário. Arthur Virgílio lembrou a frase dita pelo próprio Romário em 2008: “Deus olhou para mim, apontou e disse: esse é o cara”.

Já o senador Pedro Simon (PMDB-RS) concorda plenamente com Barack Obama de que Lula tornou-se uma referência entre os líderes mundiais. Simon avalia que os países mais ricos, carentes de líderes, de repente viram emergir à condição de presidente República um “pau-de-arara” que saiu do Nordeste para fazer a vida em São Paulo.

– O Obama entrou agora [na Presidência dos Estados Unidos] e, dentro desse contexto de carência de lideranças mundiais, viu um pau-de-arara nordestino que fez curso de torneiro mecânico em São Paulo, estudou até a quarta série primária, entrou para a vida sindical, fundou um partido político, tornar-se um grande presidente de referência mundial – afirmou o peemedebista.

O senador Renato Casagrande (PSB-ES), disse que Lula tem que aproveitar a boa vontade do presidente americano para criar um ambiente que permita quebrar as barreiras alfandegárias no comércio entre o Brasil e os Estados Unidos. – Só simpatia não adianta, tem que transformar isso em ações concretas – afirmou.

sexta-feira, 3 abril, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , | Deixe um comentário