Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Vai adivinhar assim no Inferno…

Fidel, em 73: ‘EUA dialogarão com Cuba quando presidente for negro, e papa, latino-americano’

Revista Fórum | São Paulo – 23/07/2015 – 16h30

Fala de Castro a jornalistas tinha como objetivo demonstrar o quão distante estava a possibilidade da retomada da relação entre os dois países vizinhos

Reprodução/ ONU

Fidel durante discurso na ONU

Uma reportagem do jornal argentino Clarín, publicada nesta quinta-feira (23/07) mostra que o líder cubano Fidel Castro fez, inadvertidamente, uma previsão certeira em um encontro com jornalistas ocorrido em 1973.

O jornalista britânico Brian Davis perguntou a Fidel, que retornava de uma visita feita ao Vietnã, pouco depois de encerrada a guerra deste país com os Estados Unidos: “Quando o senhor acredita que poderão ser restabelecidas as relações entre Cuba e Estados Unidos, dois países tão distantes apesar da proximidade geográfica?”.

A resposta de Fidel veio por meio de uma olhar fixo e dada em alto e bom som, para que todos os jornalistas presentes pudessem ouvi-la. “Os Estados Unidos virão dialogar conosco quando tiverem um presidente negro e houver no mundo um Papa latino-americano.”

A fala irônica do presidente de Cuba queria demonstrar que, na verdade, o reatamento de laços estava muito distante. Afinal, àquela altura era inimaginável que os EUA viessem a eleger um presidente negro e os pontífices da igreja católica eram, invariavelmente, italianos com trajetória apostólica em Roma.

Por conta da resposta inusitada, muitos profissionais da comunicação riram, como conta o jornalista argentino Pedro Jorge Solans. Ele resgatou a história em uma recente viagem feita a Cuba, enquanto fazia uma matéria acerca da reaproximação diplomática entre o país caribenho e os norte-americanos.  A reportagem original foi publicada no El Diario de Carlos Paz.

* Texto originalmente publicado no site da Revista Fórum

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sexta-feira, 24 julho, 2015 Posted by | Repassando... | , , | Deixe um comentário

E agora, José (Serra)?

Tá começando a corrida presidencial propriamente dita. E embora os competidores estejam apenas no aquecimento, parece que o bicho vai pegar. Diante dos novos fatos das pesquisas eleitorais, o José Serra deve estar lembrando do Drumond de Andrade: _ E agora, José?

Considero a candidata Dilma a melhor, por seu histórico de luta pela democracia, pela honestidade explícita e pela seriedade com que encara a gestão pública. Ao meu ver, sua única deficiência é a falta de jogo de cintura político, aspecto em que ela parece estar melhorando aos poucos, sorrindo mais, assumindo atitudes mais simpáticas em detrimento do seu jeito “sargentão”. E ela tem a seu favor, além de ter sido o um dos principais soldados do governo Lula, o fato de ser uma mulher com possibilidades reais para governar o país. E cá entre nós, acho que tá na hora de tentar um toque feminino nesta vadiagem política que grassa entre os homens deste Brasil! Não que mulheres não sejam também corruptíveis, é que uma mulher séria poderá ver com outros olhos a realidade social da nação e dar continuidade e ampliação às políticas públicas que a sensibilidade social do Lulinha desencadeou…

Bem, muita água ainda vai rolar nesta ribanceira, mas uma boa candidata, com o apoio de um cabo eleitoral com a estatura moral e política do Lula, var dar o que falar…

Leiam a matéria abaixo e sintam o cheiro do que vem por aí…

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Pesquisas põem em xeque a estratégia de Serra

Entre a pele de cordeiro que leva água para o moinho de Lula –e a hidráulica eleitoral faz chegar até Dilma; e a pele de lobo que sanciona o escrutínio plebiscitário e o contrapõe a um Presidente com 83,7% de apoio popular, Serra vive o dilema clássico em que nenhuma solução é boa. Se correr o bicho pega; se ficar o bicho  come. É o que mostra a virada de Dilma nas pesquisas dos últimos dias mas, sobretudo, os dados adicionais do levantamento da CNT/Sensus desta 2º feira, a saber:

a) 60,8% dos brasileiros estão dispostos a votar no candidato à Presidência da República apoiado por Lula –não é o caso de Serra;

b) 55,4% não votariam num candidato que tem o apoio de FHC –é o caso de Serra;

c) Dilma representa, para a maioria dos eleitores (54,6%), a continuidade das políticas econômicas e sociais do governo Lula;

d) 57,1% acreditam que o governo Lula gerou o maior número de benefícios econômicos e sociais desfrutados atualmente pela sociedade. Apenas 17,4% mencionam FHC nesse quesito.

Enfim, mal começou a campanha e Serra já não convence mais ninguém no papel de  ‘continuador’  das políticas de Lula.

Vai para o confronto?

Fonte: cartamaior.com.br

Imagem: www.portalhoje.com/tag/dilma

terça-feira, 18 maio, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , | Deixe um comentário

Perguntas pertinentes aguardando respostas honestas…(II)

– Se a as reações dos governantes democraticamente eleitos Chavez (Venezuela), Correa (Equador) e Morales (Bolívia) contra as tentativas de desestabilização de seus governos, foram consideradas antidemocráticas pela direita sulamericana, a mídia do continente e os gringos… o que dizer da frouxa reação internacional ao golpe militar em Honduras, onde foi deposto à força um presidente em plena vigência do mandato?

– Se os resultados das eleições no Irã foram tão contestadas internacionalmente pelas denúncias de fraude e golpes políticos… porque estão sendo aceitas tão normalmente pelos mesmos protagonistas (países não sul-americanos, mídia e ianques), as eleições do Afeganistão e de Honduras, também largamente contestadas como manipulação da democracia?

Se alguém encontrar o Obama ou a Hilary por aí, por favor, peça uma resposta e nos envie, certo?… O macaco está esperando em sua dúvida atroz…

sábado, 28 novembro, 2009 Posted by | Comentário, Reflexões, Trocando Idéias | , , , | Deixe um comentário

Perguntas pertinentes aguardando respostas honestas…

BLOGUE DUVIDA duvida-cruel-02Muito se diz que são as indagações, e não as respostas,  que alimentam a evolução humana. Verdade relativa, pois se as perguntas ou dúvidas desencadeiam as ações investigativas, as respostas e afirmativas descortinam novas verdades ou novas perguntas que realimentam novas buscas, indefinidamente. Esta dialética das dúvidas e certezas é tão importante que alicerçaram movimentos filosóficos desde a conceituação da epistemologia.

Um dos mais antigos, o sofisma, e que em verdade significa “fazer raciocínios capciosos” a partir de indagações capciosas e aparentemente válidas, apesar de pouco considerado academicamente, parece ter-se consolidado inexoravelmente nas sociedades humanas, principalmente na esfera política. Em suma, partindo de uma concepção relativista do conhecimento, os sofistas negavam (e negam) a universalidade da verdade. Exemplo: “Afirmo que o justo não é mais do que o útil ao mais forte…, isto é, em todos os Estados o justo é sempre… aquilo que convém ao governo constituído.” Platão, República, 338

Um outro produto antigo das indagações filosóficas, o silogismo, desenvolvido pelo filósofo grego Aristóteles no século IV a.C. constitui até hoje o principal instrumento da lógica. Segundo ele, o silogismo é uma expressão proposicional na qual, admitidas certas premissas, delas resultará, outra proposição diferente das estabelecidas anteriormente.  O exemplo mais clássico é o seguinte: “Todo animal é mortal; todo homem é animal; logo, todo homem é mortal.”

Bem, filosofias à parte, o nosso propósito aqui é apenas inaugurar um coluna que pretendo tornar permanente, para acumular determinadas indagações que chegam às mentes de todos nós diante de determinadas ações e fatos da sociedade em que vivemos. Indagações que quase sempre pairam no silêncio das conveniências dos interesses escusos e/ou nas limitações informativas, mas que são motores importantes de busca de todos nós por uma sociedade mais transparente e, por isso, com maiores possibilidades de apefeiçoar-se. Para começar a caminhada (que pretendo seja longa):

  1. Se é proibido aos motoristas ultrapassar a velocidade de 110 km/h… Porque é legal produzir e vender veículos capazes de triplicar essa velocidade?
  2. Se o cigarro é tão nocivo à saúde humana… Porque é legal produzir o fumo, industrializá-lo, comercializá-lo e ainda recolher altos impostos sobre o produto?
  3. Se os pais perdem a guarda legal dos seus filhos se não cumprem suas responsabilidades paternas… Porque o Estado não perde a guarda legal dos milhares de jovens que ele toma dos pais e despeja nas suas instituições, onde são semi-abandonados e desencaminhados de vez?
  4. Se o Bolsa Família é considerada uma esmola justificada pela garantia da presença das crianças pobres na escola… Como considerar as gordas bolsas de estudo fornecidas pelo poder público para que pessoas (que já tiveram acesso à escola e se graduaram) façam mestrados e doutorados?
  5. Se a TV mostrou a forte fiscalização estatal à Lei Antifumo nas noites das áreas urbanizadas da capital paulista… Quando ela mostrará a mesma fiscalização nas noites da periferia urbana da cidade?
  6. Se as companhias aéreas, de turismo e os órgãos estatais de saúde devem ser responsabilizados pelo controle da gripe suína… O que fazer em relação aos pais que, contrariando todas as informações, mandam seus filhos ou viajam a passeios em áreas confirmadas de risco?
  7. Se propagandas e promoções de mamadeiras, chupetas e bicos para mamar são formalmente proibidas no Brasil (por dificultarem a campanha oficial pró-amamentação materna), porque continua sendo legal a fabricação destes produtos?

Se vocês têm alguma pergunta politicamente correta, ambientalmente adequada e socialmente conseqüente, mandem para nós enriquecermos esta lista. E respostas do mesmo calibre, claro!

sexta-feira, 7 agosto, 2009 Posted by | Comentário, Reflexões, Trocando Idéias | , , , , | Deixe um comentário

Pneumonia moral (a bola de sempre) e gripe suína (a bola da vez)…

BLOGUE GRIPE 0911937Já não agüento mais ouvir a ladainha cotidiana sobre a gripe suína, assim como sobre a pneumonia moral do Congresso Nacional (por isso resolvi escrever sobre). A primeira, uma doença mais famosa que letal, transformada em tragédia pela mídia irresponsável e pela nossa atração fatal pelo medo coletivo. A segunda uma doença nacional crônica, séria e letal aos destinos da nação, provocada pelo vírus da imoralidade generalizada, mas de antemão sem vacinas ou tratamento (já que ética e moral não se fabrica em laboratório e sua cura dá prejuízos corporativos), sensacionalísticamente usada pela mídia para fazer seletivamente política de classes e/ou partidária, diante da nossa incomensurável acomodação, ignorância e/ou inércia política.

O caso da Gripe A (ou suína) faz parte do descarado ritual midiático do sensacionalismo e da nossa contraditória displicência social/alardeamento, diante do terrorismo social que se implanta pela desinformação travestida de verdade. Isso já aconteceu a uma década atrás, quando a famigerada gripe aviária, apresentada como pandemia (epidemia fora de controle) matou apenas 250 pessoas em 10 anos (25 pessoas/ano). Senão, vejamos no caso atual:

– a gripe comum mata meio milhão de pessoas por ano (muito mais do que a gripe suína até agora) e quando vimos isto destacado no noticiário?

– a gripe suína, assim como a gripe comum, apresenta índice de mortalidade em torno de meio por cento dos casos, então porque o destaque da primeira, como se fosse uma variação incontrolavelmente mortal?

– embora todas as informações recentes indiquem a baixa letalidade da tal gripe suína e sua tendência a desenvolvimentos mais brandos, porque os informantes sociais continuam dramatizando o número de mortes?

– e porque as pessoas, embora aparentemente aterrorizadas, continuam viajando para áreas de risco de contágio (muitas vezes a lazer ou para atividades que poderiam ser desenvolvidas em outros lugares), continuam nas baladas, nos estádios de futebol, nos aglomerados das praias e botecos?

– e porque, mesmo continuando neste comportamento sanitário irresponsável, a população já começa a culpar o governo pelos casos fatais em uma doença nova, sem vacina disponível, e pouco letal?

– e finalmente, porque as populações de outros países (incluindo os europeus e os ianques), comportam-se tão tranquilamente em relação à essa gripe, enquanto entre nós ela assumiu o caráter de mortalidade iminente?

Segundo o infectologista Moises Chencinski, o motivo de tanta divulgação da doença, se dá pela novidade e não pela gravidade. “A H1N1 é bem parecida com a gripe que já conhecemos, mas por ser considerado um novo tipo de vírus a divulgação tomou uma repercussão enorme, fator que acabou alarmando a população brasileira”, explica. Isto é: a irresponsabilidade midiática e a nossa vocação para o caos (associada à nossa displicência social e vitimização política oportunística), são os principais fatores do atual cenário dessa doença respiratória.

Já a pneumonia moral (e crônica) do nosso parlamento, é mortal, tem tratamento acessível, é sempre diagnosticada (às vezes pelos próprios enfermos), mas nunca combatida. Nos sintomas das ocorrências mais recentes dessa pandemia nacional, encontram-se o mau uso do dinheiro público para passagens, passeios e “parentagens” diversas, ocorrentes há décadas e que continuarão sem tratamento. Também se apresentou em uma mutação secreta, desenvolvida nas duas últimas décadas, com uma característica fundamental: os agentes infecciosos e infectados acusam-se livremente e isentam-se cinicamente, diante da felicidade sensacionalista e oportunista da mídia e da nossa indiferença político-social. Senão, vejamos de novo:

– qual o resultado de toda a balbúrdia sobre o escândalo das passagens?

– que força moral têm pessoas comprometidas com a mutação secreta da pneumonia moral, para demonizarem unicamente um dos agentes, o vírus Sarney?

– se o vírus Sarney entrar de quarentena (sair do cenário), será combatido e eliminado?

– os demais vírus e infectados também serão combatidos e eliminados?

– qual o poder de mutação que leva a um vírus pitbull como Artur Virgílio (denunciado também por empréstimos indevidos nos esquemas secretos), a combater tão obstinadamente a variante Sarney?

Pois é. E o pior é que esta pneumonia moral, com o tempo, imuniza os seus portadores contra os medicamentos democráticos, ao mesmo tempo em que eleva o índice de contaminação das pessoas ainda não portadoras. No caso da gripe suína, parece que ainda temos receio de contaminação. No caso da pneumonia moral, tem um monte de gente correndo atrás do vírus ou olhando-o como agente infeccioso imune a tratamentos.

sexta-feira, 24 julho, 2009 Posted by | Comentário | , , , , | Deixe um comentário

Na Internet, “se hay gobierno, soy contra!!”

BLOGUE BBB 005

Todos nós que frequentamos o mundo virtual sabemos duas coisas: que nele circulam muito lixo e muita coisa boa! E quando digo “coisa boa”, refiro-me não somente aos conteúdos, mas à prática assertiva e democrática de comunicar-se fora das instâncias de poder do sistema, podendo-se assim (nós, os sem poder político e/ou econômico) contestar e minar esse sistema hegemônico e dominador em seus aspectos mais calhordas. Claro que o lixo de qualquer natureza deve ser varrido pelo nosso não-acesso e pelas leis que tratam diretamente dos crimes nele contido. Mas, no caso da notícia abaixo, fica claro a intenção de capturar o acesso livre aos produtos culturais do capitalismo instituído e adequá-lo à lógica do sistema formal de intercâmbio e dominação. De certa forma, estão nos tratando como tratam os produtos chineses: querendo matar à pau pra preservar o lucro empresarial. Em nenhum momento o sistema que estes políticos defendem discute o porquê dos preços exageradamente elevados dos produtos nacionais em relação aos produtos piratas!  O que interessa é defender os interesses hegemônicos, sem questioná-los. Como no caso da crise financeira, onde os governos premiaram a especulação financeira ao entregar bilhões do dinheiro público para salvar as instituições que agiram com má fé cristalina! Como nenhum governo pensou em pegar estes bilhões e pagar as dívidas dos mutuários inadimplentes, ou indenizar os pequenos investidores em suas perdas causadas pela especulação, ou ainda fornecer ou ampliar decentemente o seguro-desemprego para aqueles que, sem culpa, perderam o trabalho! E agora, estão se mobilizando para estabelecer o controle público sobre o único canal realmente livre para a expressão e luta social ampla: a REDE!

Leiam a reportagem, vomitem sobre a máscara ideológica do discurso político oficial, e preparem-se para resistir…

Práticas cotidianas na internet podem virar crime

Bruno Bocchini – Agência Brasil
20/05/2009

Práticas cotidianas realizadas por usuários da internet poderão virar crime caso a Câmara dos Deputados aprove o substitutivo do Senado ao Projeto de Lei da Câmara nº 89, de 2003. A avaliação é do professor de Comunicação e Tecnologia da Faculdade Cásper Líbero, Sergio Amadeu.

“Se você transferir, por exemplo, uma música que está em um CD para o pen drive, o que é uma prática comum e que desagrada muitos segmentos da indústria fonográfica, isso, de acordo com o Artigo 285 A [do substitutivo], pode ser considerado crime”, destaca. Amadeu esteve à frente, nos últimos meses, de várias man

Restrições à liberdade

O professor ressalta que as pessoas que baixaram da internet, por exemplo, o filme Tropa de Elite, poderiam também ser consideradas criminosas com base na nova lei. “Muita gente foi lá e baixou esse filme. Se ele tivesse usado um programa P2P para baixar – que ao baixar também disponibiliza o arquivo para outros usuários fazerem o download – se fizesse isso, ele poderia ser considerado um criminoso”, afirma.

Para o professor, a maior parte dos crimes cometidos na internet já estão no Código Penal. “É uma ou outra coisa que a gente precisaria definir claramente”, afirma. Segundo ele, a nova lei restringiria a liberdade das pessoas em nome de uma suposta maior segurança.

“Nós não concordamos com isso. Nós queremos manter a liberdade e manter um equilíbrio entre liberdade e segurança. Essa lei do [Eduardo] Azeredo desequilibra isso de forma absurda. Ela é uma lei que transforma procedimentos investigatórios, que são atos excepcionais, em regra. Aí não tem sentido.”

Conservadorismo anacrônico

Em nota, o principal idealizador da proposta de lei, o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), defendeu o substitutivo. De acordo com ele, o projeto não pretende “controlar” a web. “É, sim, uma proposta que visa a coibir os crimes cometidos com o uso das tecnologias da informação – em avanço acelerado no Brasil e no mundo.”

O senador afirma que o texto modifica cinco leis brasileiras e tipifica 13 delitos, entre eles, difusão de vírus, roubo de senhas, estelionato eletrônico, clonagens de cartões e celulares, hackers e racismo, quando praticado pela internet.

Para Azeredo, não há cerceamento da liberdade de expressão e censura no projeto. “Nada disso é verdade. A proposta fala exclusivamente da punição de criminosos, do direito penal aplicado às novas tecnologias.”

Ele ressalta que a nova lei não trata de pirataria de som e vídeo, nem da quebra de direitos de autor, que, segundo Azeredo, são matérias já tratadas por leis específicas. “Não serão atingidos pela proposta aqueles que usam as tecnologias para baixar músicas ou outros tipos de dado ou informação que não estejam sob restrição de acesso. A lei punirá, sim, quem tem acesso a dados protegidos, usando de subterfúgios como o phishing, por exemplo, que permite o roubo de senhas bancárias”, diz.

Imagem: Millor Fernandes

sexta-feira, 22 maio, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário

Imoralidade política: a diferença, no “clássico” Brasil x Inglaterra!

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Basta ler a história do Brasil para conhecer a total imoralidade política que herdamos da baixa qualidade moral dos nossos colonizadores lusitanos (não que a nação portuguesa assim o seja, mas mandou para cá o rebotalho de sua sociedade para nos colonizar). Essa triste herança hstórica aqui encontrou campo fértil (o próprio Caminha disse que aqui “em se plantando tudo dá”) e temos hoje o neo-rebotalho que habita a esfera pública em todas as suas instâncias e inúmeros segmentos e corporações do nosso funcionamento social. Apesar disso, considero que imoralidade, corrupção e outras mazelas morais existem em todas as tribos, vilas, cidades e nações. Isso parece ser inevitável na natureza humana. A diferença está no trato que a sociedade  dá a estes comportamentos, quando eles emergem à luz do conhecimento público. Vejam a reportagem abaixo e façam um paralelo entre a gastança dos parlamentares britânicos e a mais recente farra de gastos dos nossos parlamentares em Brasília (das passagens e similares). Considerem a absurda discrepância dos valores envolvidos lá e cá, assim como a absurda diferença de resultados do controle social ocorrido, lá e cá! Amigos, por sua natureza hegemônica, a estrutura de poder do Estado leva inevitavelmente à entropia pela corrupção e a imoralidade (ou vice-versa). A nossa única saída é assumirmos o comportamento político cidadão como necessidade imperiosa e sermos mais ativos no controle social sobre esse neo-rebotalho, que constantemente nos achincalha com o seu descaramento. Por enquanto, no “clássico” político, Inglaterra 1 a zero…

Dêm uma olhada no que aconteceu por lá. O que aconteceu e acontece por aqui, já sabemos…

Escândalo afasta dois parlamentares na Inglaterra

Qui, 14 Mai, 07h58

O escândalo dos políticos britânicos que utilizaram fundos públicos para pagar contas pessoais fez suas duas primeiras vítimas. O conservador Andrew Mackay, que atuava como um dos principais conselheiros de David Cameron, pediu demissão, e o ex-ministro da Agricultura e presidente da Comissão de Energia e Clima do Parlamento, Elliot Morley, foi suspenso pelo Partido Trabalhista. Até agora, mais de 20 parlamentares e ministros prometeram reembolsar o Estado pelos milhares de dólares que usaram para pagar despesas consideradas “desnecessárias”.

Mackay pediu demissão do cargo depois que uma revisão de seus gastos revelou uma “situação inaceitável”, afirmou um porta-voz da oposição. O primeiro-ministro da Grã-Bretanha afirmou que “os mais altos padrões têm de ser mantidos na vida pública”, ao comunicar o afastamento de Morley, que usou pouco mais de US$ 24 mil de verba pública para pagar, segundo ele, uma hipoteca. Mas a dívida já havia sido quitada. Ele continuará no Parlamento, mas deve perder alguns dos privilégios com uma investigação pendente. O ex-ministro disse que reembolsou os cofres públicos e pediu desculpas pelo erro.

Gordon Brown, e seu adversário conservador, David Cameron, estão sob grande pressão para limpar a imagem do Parlamento após as revelações feitas pelo jornal “The Daily Telegraph”, que publicou detalhes sobre as despesas de parlamentares desde 2004. Entre as denúncias, estão as de que políticos usaram o auxílio-moradia para reformar a própria casa e pagar prestações de imóveis. A divulgação dos gastos enfureceu a população e ameaça afetar os resultados das eleições locais previstas para o próximo mês.

sexta-feira, 15 maio, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | 2 Comentários

Oposição Pitbull x Poupança: porque será?

BLOGUE INDIGNIDADE 005Todo mundo sabe que os controladores da taxa de juros tiveram que aumentá-la durante o auge da crise financeira internacional, como forma de controlar a economia e seus indicadores estratégicos (crédito, consumo, inflação, etc.). Mas mesmo sabendo disso, a nossa canina oposição (sem querer ofender os cães!) berrou contra o governo: a taxa de juros é uma vergonha, tem que baixar! Todo mundo também sabe que, em função dos desdobramentos dessa mesma crise, a taxa de juros foi rebaixada nos últimos meses e ELES gritaram: estão desestimulando os fundos de investimentos! Aí os especuladores de sempre migraram para a caderneta de poupança, que era investimento de pobre e passou a ser mais rentável que os fundos de investimentos, desordenando novamente o sistema de crédito, e ELES. berraram: não aceitaremos mudanças nas regras da popupança! E como o governo resolveu (de forma legal e transparente) taxar os investimentos da poupança acima de 50 mil reais (resguardando portanto os pequenos poupadores de sempre e atingindo apenas 1% do universo de poupadores), mais uma vez os ferozes animais (pobres cães, vou poupá-los da comparação!) atacam novamente: o governo quebrou a confiança dos poupadores!

Pergunto “inocentemente”: o que estará por trás disso? A eleição de 2010, que eles vivem atribuindo ao governo de antecipar? Ou a proteção dos especuladores que migraram para a poupança? Ou aterrorizar os pequenos poupadores para provocar saques em série e desequilibrar o sistema e o financiamento das obras sociais que ele financia? Ou estão apostando nas três opções? E ainda dizem, desavergonhadamente, que o governo quebrou a confiança dos poupadores tradicionais e taxou o único refúgio da economia popular! Popular quem, cara-pálida? A quem ELES pretendem enganar? Ah! Esses falsos paladinos da democracia seriam hiláricos se não fossem deprimentes em seus comportamentos eleitoreiros e escusos…

Leiam a notícia abaixo e, discretamente, continuem aplicando suas pequenas economias na Poupança…

PPS, PSDB e DEM criticam tributação de poupança

Qua, 13 Mai, 08h50

O PPS, o PSDB e o DEM criticaram, em nota conjunta, a decisão do governo anunciada hoje de tributar os rendimentos da caderneta de poupança com depósitos acima de R$ 50 mil a partir de 2010, se a taxa básica de juros, a Selic, ficar abaixo dos atuais 10,50% ao ano. “O governo quebrou a confiança dos poupadores, taxou a caderneta e desonerou os investidores”, disse o presidente do PPS, Roberto Freire, de acordo com o comunicado.

O líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP), afirmou, conforme a nota, “que o PPS tinha razão em denunciar a intenção do governo de intervir na poupança”. No texto, os partidos de oposição afirmam que, mesmo sabendo que a caderneta de poupança “é o único refúgio da economia popular”, o governo anunciou uma tributação permanente.

Imagem: Millor Fernandes

quinta-feira, 14 maio, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário

O cara…

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Poucas vezes tenho tido o prazer de ler uma abordagem tão sensível, honesta, politicamente correta e adequada do nosso Lula, como a que repasso abaixo. Tenho certeza que daqui a poucos anos, a imensa maioria dos brasileiros que hoje viram o rosto para esse grande homem simples vergar-se-á ou se calará ao peso da história que ele construiu. Mas enquanto esse momento não chega, vale a pena ler e refletir sobre a análise que repasso…

Repassado por nosso RV Carlos Germer

Sent: Monday, April 13, 2009 8:41 PM

Subject: “O Cara” – Marcelo Cunha

O CARA | Seg, 13/04/09 | 10:36

Por Marcelo Cunha *
Do Terra Magazine

É dura a vida de colunista e escritor. Não adianta eu falar, insistir, berrar aqui nesse espaço ou onde mais me deixarem à solta. Tem que vir o Obama pra dizer em alto e bom inglês que o Lula é o cara, Lula is the man, e aí sim, a imprensa repete aos milhões, o Fernando Henrique tem um choque anafilático de tanta inveja e todo mundo cai na real.

Isso não significa que eu não tenha críticas ao Lula ou ao partido. Minha relação com eles é mais ou menos a que eu mantenho com as mulheres: gostaria que fossem muito diferentes, mas, olhem só as alternativas! Vivemos em um mundo real, com defeitos reais, consequências infelizes da nossa humanidade. Compreender esse mundo e governar para ele, tentando ao mesmo tempo torná-lo melhor, com direito a alguma quantidade de sonho, é o que diferencia um político competente de um estadista. E Lula é um estadista, o maior que já tivemos.
Eu acho que boa parte desse preconceito contra o Lula é preconceito mesmo, do ruim. Olhem o que eu ouvi ontem mesmo de uma moradora de um bairro nobre daqui. Ela explicou que não torce para o Corinthians, porque, afinal “tenho todos os meus dentes e conheço o meu pai”. Uffff.

Lula, por exemplo, que mal conheceu o pai, na infância, e não sei quanto aos dentes, mas sei quanto aos dedos, torce para o Corinthians. E eleger o Lula foi um momento sublime para os brasileiros porque ele representou a nossa aceitação de nós mesmos por nós mesmos, condição essencial para uma nação ser algo maior do que um mero país. Eleito, Lula nos libertou e o Brasil deu o salto que todos vivem, mesmo que não queiram ver. Na América Latina, e eu leio a imprensa dos nossos vizinhos, Lula é idolatrado como um grande líder nacional, que ama seu povo e se dedica a defender os seus interesses, ao mesmo tempo em que tenta sinceramente ajudar e integrar os que nos rodeiam.

Somos admirados por que passamos a nos levar a sério e deixamos de puxar o saco do primeiro mundo, como fazia o nosso pomposo FHC. Barramos espanhóis (inocentes, claro) na fronteira exigindo tratamento decente aos nossos viajantes que entram na Europa. Lula não tem medo de ninguém e exige estar no G-20, mas junto com o G-8, ou onde quer que se decida alguma coisa. Lula ajudou Chávez a sobreviver e hoje o enche de elogios, enquanto sabota seus piores planos e ajuda o Brasil a vender e ganhar muito com a Venezuela. Garantiu o empate na quase guerra de araque entre Colômbia e Equador, fazendo o Brasil atuar como o líder que tem que ser.

Lula abriu agências da Embrapa em países africanos, onde nossa biotecnologia tropical vai ajudar a combater a fome e criar uma agricultura moderna. Ele também decidiu que não vamos exportar petróleo do pré-sal, coisa de país atrasado, e sim derivados com alto valor agregado. Isso não é lá visão geopolítica e estratégica? Viajou aos países árabes, nunca antes assunto para nossos governantes e criou laços que hoje se transformam em comércio, bom para todos.
Aqui dentro, já que o Brasil também é assunto, manteve sim a política econômica anterior, mas lhe deu a direção social que faltava. E se alguém acha que isso foi coisa pouca, imaginem as pressões que Lula sofreu, às quais teve que resistir, enquanto a Argentina, aqui ao lado, experimentava heterodoxias com o Kirchner e crescia 10% ao ano.

Imaginem o que foi para um ex-torneiro mecânico peitar toda a suposta elite econômica instalada nos principais veículos de comunicação, que tentavam dizer a ele para onde apontar o nariz e que aprendesse a obedecer ou o mundo iria cair, culpa dele. Quem resiste a tudo e segue firme no caminho em que acredita é um líder. L-Í-D-E-R. Acerta e erra, mas lidera.
O maior mérito do Brasil de hoje é nosso, do povo brasileiro. Fomos nós que soubemos mudar, acabar com o PFL, optar pelo moderno e, por isso, hoje nosso destino se divide entre dois partidos e projetos viáveis, PSDB e PT. Se os dois são viáveis, o PT é mais generoso, e por isso a minha escolha.

Provavelmente seguiremos crescendo e nos afirmando como nação moderna e emergente, capaz de alimentar a si e ao mundo, o que para mim já está uma beleza, obrigado. Mas, alguém aí ousa comparar o Lula a gente um tanto insípida, inodora e incolor, como Aécio, Serra e mesmo a Dilma? Vamos talvez seguir rumo à prosperidade, mas de um jeito tão mais sem graça. Vocês conseguem imaginar algum desses nomes acima fazendo a frase sobre “banqueiros brancos e de olhos azuis, que achavam que sabiam tudo de economia” que hoje é repetida no mundo inteiro?

Lula, para mim, representa o fim do enorme desperdício que nosso país sempre praticou, ao ignorar a humanidade e inteligência do seu povo, acusando-o de ser pouco escolarizado. Eu tenho o privilégio de, de tempos em tempos, encontrar com leitores de grupos de EJA (Educação de Jovens e Adultos), na prática turmas de pedreiros, domésticas, carpinteiros, eletricistas; gente que deixou a escola quando criança e voltou agora, para aprender, inclusive, a ler. E ser lido por essas pessoas é uma enorme honra para um escritor que gosta de ser lido. E eles leem como ninguém, minha gente. Com uma garra e encantamento de arrepiar. E raramente têm a chance de trazer essa visão absoluta do mundo, essa experiência toda a para vida do nosso país. Lula, prezados leitores, fez e faz exatamente isso.

Eu conheço meu ilustre pai, para o bem ou para o mal, tenho praticamente todos os dentes e certamente todos os dedos, o que me coloca em uma camada, digamos, privilegiada, no Brasil. Mas, mesmo que não seja exatamente a minha cara, Lula consegue ser a cara brasileira da minha alma, de tantas outras almas de nosso país e, por isso mesmo, ele é, tem sido e vai ser o cara. O Cara, a nossa cara.

Pelo que eu conheço do mundo, essa coluna vai atrair toda uma desgraceira pra cima desse colunista. Pois, muito bem, que venha. Esperar menos do que isso, estar menos preparado do que estou para combater o que vier, seria um desrespeito desse cidadão agradecido aqui, ao seu presidente, a quem tanto admiro e por quem tenho mais é que brigar mesmo. Podem vir, serão todos bem recebidos, e vamos em frente, nós e o Cara, fazer o debate e o país de que tanto precisamos.

Dizer “Esse é o cara” afirma a negritude do Obama e sua admiração por Lula. Vivemos melhor em um mundo assim, de aceitações, reconhecimentos, sinceridades. Se eles, que são políticos, podem, então a gente pode tudo, até mesmo torcer para o Corinthians, imagino, nesse admirável mundo novo que o século 21 nos traz.
* Marcelo Cunha – escritor e jornalista

sábado, 25 abril, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário

E por falar em assassinato…

Depois que postei a matéria sobre assassinato moral, lembrei-me de um homem transformado em Zumbi pela força da irracionalidade política da “gloriosa”: Geraldo Vandré. Assim, nada melhor do que ler a crônica abaixo…

JOÃO PESSOA, 24 de janeiro DE 2008

Um Vandré Vindo e Bem-Vindo das Terras do Benvirá

Se a memória não me falha o encontro foi em um fim de semana. Um daqueles iguais a tantos outros na minha província. Tudo estava parando ou quase parado no ar. A mesma monotonia de rotina de elevador. No ar, junto ao grito, a pobre ilusão de que os notívagos carregam de que estão “vivendo a vida” em toda a sua plenitude. Era mais um fim de semana, e um bar somente nosso. De repente, assim como eis de repente do poema do Vinícius, a porta abriu e ele chegou com aquele seu jeito nunca diferente de sempre chegar. O andar nervoso e o olhar desconfiado. Os movimentos bruscos, tensos. Muito tenso, super tenso. Hipertenso? Talvez. Sentar? Nem pensar. Beber? Menos ainda.

A mesa era uma das menos freqüentadas. Um compositor paraibano, agora  em lugar incerto e não sabido, acabava de lançar um disco (o nome? Ah, memória!), um poeta de cordel, hoje, também no mesmo lugar incerto e não sabido do velho compositor, e uma companheira dos saudosos tempos de universidade que andava comigo como uma tatuagem. Enquanto isso, este escriba, vestido de branco, como sempre, copo de cerveja super gelada sobre a mesa, ensaiava os primeiros goles da noite.

O senhor nervoso e com muitas rugas residindo em seu rosto grave, marcando o seu rosto, não parava um só minuto num mesmo lugar. Era uma pressa somente justificável àqueles que andam  pela vida em busca do tempo perdido. Na frente da camisa branca que vestia, lembro-me bem, encardida, pelo visível tempo de uso, lia-se uma frase que para muitos não tinha qualquer sentido: Das Terras do Benvirá. Ali, no “La Cave”, barzinho muito freqüentado por intelectuais, bêbedos e equilibristas da noite, naquela sexta-feira, agora não mais comum, estava o cidadão Geraldo Pedrosa de Araújo Dias trazendo de longe, de muito  longe, o compositor e o cantor paraibano Geraldo Vandré.

Passados alguns anos que a memória mais uma vez não me deixa precisar, ouvindo nesse final de semana sem graça, o LP (isso mesmo, um LP!) que Geraldo Vandré insistia em carregar o nome estampado no peito, a lembrança chamada reponde presente. E de repente lá estava este escriba, outra vez, juntando os pedaços da imagem do filho do Dr. Vandrégisilo, primeiro otorrinolaringologista da Parahyba, e de dona Dona Maria Eugênia, uma boa estudante de música que chegou até – por aqui todos sabem de cor a história – o  quinto ano de piano clássico. E junto a essas lembranças o fato de que naquele mesmo mês de  setembro, Vandré estaria fazendo mais um ano de vida. Sem nenhum dúvida, por tudo que fez pela Música Popular Brasileira, a melhor  em uma de suas melhores fases,  bem que ele merecia uma justa homenagem – este ano, por aqui, segundo ouvi dizer, Vandré terá um busto em praça pública e será homenageado (risos) pelo carnaval Folia de Rua da capital  –  e maior respeito.

Parece até que foi ontem, pensei. Lembrei então do Vandré no programa de César Alencar, representando a Parahyba, e usando o nome artístico de Carlos Dias. Naqueles tempos, como tempos atrás também aconteceu com o nosso Chico César que sonhava ser e cantar  como o Caetano Veloso – triste fado! –, Vandré imitava o Orlando Silva e, quando esquecia o Orlando, lembrava do Francisco Alves. Queria porque queria ser cantor de rádio. E tanto insistiu nesse querer que terminou ganhando da mãe um disquinho de vinil, um compacto, e saiu pelas emissoras, sem pagar jabá, pois não tinha, pedindo para que tocassem o seu pequeno. Mas é o LP Das Terras do Benvirá que interessa nesse momento em que, todo meu, escuto no meu quarto.

As lembranças chegam mais fortes com o disco na vitrola. O nome cai bem: vitrola, pois, afinal, é um LP. O mais triste é que chegam com os gritos e, não segurando a barra, com o choro incontido do artista. Um sofrimento. Vandré abre as comportas do peito e deixa jorrar, quase de uma só vez, toda a angústia que há muito trazia – e ainda traz, comprovei na última vez que o vi – guardado lá dentro. Um disco apenas e tanto sofrimento; tanta dor; tantos gritos desesperados.

Vou à capa do LP e constato: é um disco de apenas 8 faixas. O tempo que se gasta – ou seria “se ganha”? – para ouvir o dito cujo é de apenas 42 minutos. E para não dizer que esqueci de lembrar que este  é um texto de lembranças, lembro que o disco foi gravado e lançado em primeira mão no ano de  1970, em Paris. Todos que acompanham a “saga vandreniana” devem saber. Ou deveriam. Por aqui, como todos sabem,  somente chegou  anos depois. Mais que um disco, um grito desesperado do artista. Por quê? As músicas não são cantadas, atentem, são gritadas, arrastadas como pesadas correntes nos sótãos da ditadura. Geraldo Vandré parece mesmo é  querer chamar a nossa atenção para aquele exílio forçado, para suas andanças por terras estranhas e o quanto ainda guarda da  angústia que levou naquela distante e triste partida. Cada grito é um desespero, uma vontade louca de voltar, mesmo estando impedido, naquele ano, pelo medo de ser obrigado a partir da mesma  maneira.

A atmosfera do disco é quase irrespirável. Pesada. Os poucos acordes de suas músicas, uma de suas marcas, parecem guardar um espaço maior que o necessário entre um e outro. Grita-se o primeiro verso, e os ouvidos ficam a esperar o som do violão. Outra característica marcante é a expectativa que impregnava todo o ambiente no final de cada faixa. E os aplausos? Une-se a pergunta a expectativa. O disco traz o clima dos discos gravados ao vivo (em festivais). O estúdio, imagina-se, é somente tensão. De quando em vez a voz de Vandré parece perder-se nos confins do mundo. É um aboio. Um soluço contido na marra. Um grito parado no ar. Em quase todas as faixas estão presentes a desconfiança, o medo e – ela continua, sim – a expectativa. O que estaria ocorrendo, estaria desagradando a alguém? Quais as conseqüências daquele canto? Está dizendo o que pretende dizer? Está sendo entendido?

Hoje, mesmo negando a sua criação – “Vandré morreu!” -, ele parece querer que resgatemos a sua história. Em Vem Vem, música  onde ele mais se parece com o Vandré da Canção Primeira (a canção primeira/como derradeira não vai te negar) fica o grito “eu brigo a briga/porque sou forte e tenho razão). No entanto e apesar de tudo, mesmo com todo esse cantar seguro, ele parece em alguns momentos não está  muito certo de haver brigado justamente: “eu tomo a vida que está na morte/se a morte às vezes é a solução”. E, finalmente, outro lamento em Maria Memória da Minha Canção: “eu peço hoje a memória/pro canto da salvação” .

A canção enche os meus ouvidos e me deixa interiormente vazio. “As vezes a morte é a solução”. Ainda a sua Maria Memória… Ele parece querer apagar – atentem que antes era um pedido de resgate – da história a sua brilhante passagem pela Música Popular Brasileira, assinar uma Certidão de Óbito. Mas de ouvidos atentos e coração aberto, descobre-se que existe muito mais angústia nos sulcos de cada faixa. O choro, quase que compulsivo, é apenas um sinal. Existem mais, muito mais a dizer nas entrelinhas de cada acorde. Talvez ainda tente alguma coisa de impacto – e em alguns  momentos bem que consegue – como aquela queixada de jumento que permitiu ao baterista Ayrton (ex-Sambalanço Trio) colocar em sua (e do Theo de Barros)  Disparada, ou, como poucos sabem, Moda Para Viola e Laço, seu subtítulo. Impacto mesmo, assim como aquele buzina dissonante que ele fez questão de usar em sua vaiada e desclassificada  Ventania ou De Como um Homem Perdeu  Seu Cavalo e Continuou Andando.

O LP segue assim até o final. Respira-se pouco e lamenta-se, com justa razão, a aposentadoria desse “mártir” da Música Popular Brasileira. É quase impossível ouvir uma das faixas sem ficar comovido. Todos os que ouvem e delas falam ou escrevem, repetem a mesma coisa. E quando acaba fica no ar aquele desejo concretizado musicalmente por ele e o baiano Fernando Lona: “olha que a vida tão linda se perde em tristezas assim/desce o teu rancho cantando essa tua alegria sem fim”.

As lembranças que chegam das distantes Terras do Benvirá não se apagam com o retirar do disco da vitrola. No ar – sim, ainda nele – permanece aquela certeza de que aquele senhor de cabelos grisalhos e já com tantas rugas no rosto grave, caminhos abertos pelos anos de estrada, desconfiado e nervoso que adentrou o bar La Cave, naquela noite de sexta-feira, cumpriu o seu papel na história. Soube fazer a sua hora e ainda acenou das mais diferentes formas avisando que o Tempo de Lutar havia chegado. O pior, como diria a essa altura, declamando, o Luiz Vieira, para os olhos do menino amarelado, é que disco continua para o artista mais atual do que nunca. Se Geraldo Vandré entrasse em estúdio nesse momento para gravar, como muitos que ouviram essa raridade também atestaram, o disco que gravaria não seria muito diferente desse Das Terras do Benvirá. Mas queiram Deus que este escriba esteja enganado. E queira Ele, ainda, que vocês também.

A Minha bênção a Geraldo Vandré.

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    *Humberto de Almeida é escritor.

sábado, 18 abril, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário