Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Pelo caos, chegamos ao conceito de sustentabilidade: e daí?

Os 12 grandes problemas ambientais da humanidadeResultado de imagem para Desenvolvimento sustentável. E DAÌ?

Uma análise da UNEP (United Nations Environment Programme – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) sobre os grandes problemas mundiais da atualidade em relação ao ambiente, levantou 12 grandes problemas que preocupam pesquisadores, administradores e gerentes da área ambiental, são eles:

1. Crescimento demográfico rápido: Mesmo considerando que a taxa de fecundidade das mulheres está diminuindo nos países desenvolvidos, o crescimento demográfico aliado ao desenvolvimento tecnológico acelera a pressão sobre os sistemas e recursos naturais, e em geral traz como consequência mais impactos ambientais, devido ao aumento na produção industrial e nos padrões de consumo.

2. Urbanização acelerada: além do rápido crescimento demográfico, a aglomeração de população em áreas urbanas está gerando grandes centros com 15 milhões de habitantes ou mais. Esses centros de alta densidade populacional demandam maiores recursos, energia e infra-estrutura, além de criarem problemas complexos de caráter ambiental, econômicos e principalmente social.

3. Desmatamento: a taxa anual de desmatamento das florestas, especialmente das tropicais, ocasiona diversos problemas como erosão, diminuição da produtividade dos solos, perda de biodiversidade, assoreamento de corpos hídricos e etc.

4. Poluição marinha: a poluição marinha está se agravando cada vez mais devido a: descargas de esgotos domésticos e industriais através de emissários submarinos, desastres ecológicos de grandes proporções, como naufrágio de petroleiros, acúmulo de metais pesados no sedimento marinho nas regiões costeiras e estuários, perda de biodiversidade (exemplo: espécies frágeis de corais), poluição térmica de efluentes de usinas nucleares e etc.

5.    Poluição do ar e do solo: ocasionada principalmente pelas indústrias, agroindústria e automóveis, através de: emissões atmosféricas das indústrias, disposição inadequada de resíduos sólidos (exemplo: lixões) e de resíduos industriais que causam poluição do solo, acúmulo de aerossóis na atmosfera provenientes da poluição veicular e industrial, contaminação do solo por pesticidas e herbicidas, e etc.

6. Poluição e eutrofização de águas interiores – rios, lagos e represas: a poluição orgânica provenientes dos centros urbanos e atividades agropecuárias gera uma variedade de efeitos sobre os recursos hídricos continentais, os quais são fundamentais para o abastecimento público das populações. Essa pressão resulta na deterioração da qualidade da água, causada pelo fenômeno da eutrofização, acúmulo de metais pesados no sedimento, alterações no estoque pesqueiro e geralmente inviabiliza alguns dos usos múltiplos dos recursos hídricos.

7. Perda da diversidade genética: o desmatamento e outros problemas ambientais acarreta em perda de biodiversidade, ou seja em extinção de espécies e perda da variabilidade da flora e da fauna. A biodiversidade e seus recursos genéticos são fundamentais para futuros desenvolvimentos tecnológicos.

8. Efeitos de grandes obras civis: a construção de obras civis de grande porte, como represas de usinas hidrelétricas, portos e canais, gera impactos consideráveis e díficeis de mensurar sobre sistemas aquáticos e terrestres.

9. Alteração global do clima: o aumento da concentração dos gases estufa na troposfera terrestre (primeira camada da atmosfera) e de partículas de poluentes está causando um fenômeno conhecido como aquecimento global, que é o aumento da temperatura do planeta, devido a maior retenção da radiação infravermelha térmica na atmosfera. Cada grau celsius de aumento da temperatura terrestre irá trazer consequências diferentes, e estas são acumulativas, segundo o 2º relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) apenas 1º C a mais já é suficiente para derreter as geleiras de topos de montanha do mundo todo, comprometendo abastecimento locais de água, e se o aumento chegar a 4º C estima-se que até 3,2 bilhões de pessoas poderão sofrer com a falta d’água e que a subida do nível do mar irá ameaçar a existência de cidades costeiras em todo o mundo.  As previsões de aquecimento para o fim deste século estimam entre 1,8º C e 4º C a mais na média da temperatura mundial.

10. Aumento progressivo das necessidades energéticas e suas conseqüências ambientais: o aumento da demanda energética devido ao crescimento populacional, urbanização e crescente desenvolvimento tecnológico gera a necessidade da construção de novas usinas hidrelétricas e termelétricas, grandes e pequenas usinas nucleares, e etc. E quanto maior a utilização de combustíveis fosséis (termelétricas, carvão mineral) mais gases de efeito estufa são lançados na atmosfera. Outros tipos de matrizes energéticas como hidrelétricas e usinas nucleares possuem impactos ambientais associados a sua construção e operação (exemplo: falta de tratamento para os resíduos nucleares).

11. Produção de alimentos e agricultura: A agricultura de alta produção é uma grande consumidora de energia, de pesticidas e de fertilizantes. A expansão das fronteiras agrícolas aumenta as taxas de desmatamento e perda de biodiversidade.

12. Falta de saneamento básico: principalmente nos países subdesenvolvidos, a falta de saneamento básico é um problema crucial devido às inter-relações entre doenças de veiculação hídrica, distribuição de vetores e expectativa de vida adulta e taxa de mortalidade infantil. E também pela poluição orgânica gerada pelo aporte de esgostos domésticos e drenagem pluvial em corpos d’água devido a falta de infra-estrutura adequada e a lançamentos irregulares.

Dentre os problemas ambientais que afetam o Brasil, podemos listar os mais críticos:

1. Desmatamento, que acarreta em perda de Biodiverdidade;
2. Erosão devido a desmatamento e manejo inadequado do solo na agricultura e pecuária;
3.  Poluição das águas e solos devido a falta de saneamento básico nas áreas urbanas e rurais;
4. Falta de políticas de gerenciamento de resíduos sólidos nas áreas urbanas, gerando “lixões”;
5. Poluição industrial.

No entanto, a partir da década de 70, a humanidade começou a tomar consciência dos seus impactos sobre a natureza, devido principalmente as consequências econômicas que as reações da natureza a esses impactos geravam, como mais gastos com saúde pública. Isso levou ao surgimento de uma nova abordagem de desenvolvimento econômico conciliatório com a conservação ambiental, surgiu assim o conceito de desenvolvimento sustentável.

terça-feira, 24 outubro, 2017 Posted by | Repassando... | , , | Deixe um comentário

Parques públicos contaminados: e agora?

BLOGUE CONTAMINAÇÃO imagesComo já comentei outra vezes nesse blogue, os “maravilhosos” legisladores e governantes desse país são profundamente eficazes em aprovar e tentar executar leis irreais, antidemocráticas, hipócritas e inexeqüíveis, como forma de fingir uma eficiência que não possuem, achacando aqueles que são minorias e/ou que não possuem poder político ou econômico. Já comentei a insensatez das retiradas dos direitos paternos para jogar as crianças nos depósitos do Estado, o cretinismo do combate ao trabalho infantil sem ter alternativas de solução, o despotismo da burocracia nos processos de adoção, a irracionalidade das pensões alimentícias pré-comprovação de paternidade, o clientelismo político da famigerada Lei Seca e da perseguição cretina aos tabagistas. Enfim, daria um livro os exemplos dessa lamentável atuação legal do Estado (em qualquer das suas instâncias)…

E agora, eu quero ver: a notícia que repasso abaixo demonstra o risco de saúde pública nos parque em que nós passeamos com nossas famílias ou praticamos o exercício diário. O estudo foi feito apenas em São Paulo, mas por analogia não se pode esperar resultados diferentes dos demais parques públicos do país, pelo menos nas grandes cidades. O que farão agora os nossos legisladores e governantes? Proibirão a circulação dos carros? Proibirão os nossos passeios e exercícios nos poucos espaços disponíveis? Obrigarão os usuários dos parques a usar máscara? Acabarão com os parques contaminados? Ou criarão um imposto sobre o uso dos parques (para os donos de carros e/ou usuários de parques) para custear a descontaminação? Ou ampliarão a proibição de se fumar nos parques, que são áreas livres ainda não bloqueadas? Ou então se fingirão de mortos, cegos ou surdos?  Ou custearão milhares de estudos do problema, como forma de adiar as atitudes necessárias com a desculpa de que são necessárias novas evidências? Ou ainda aprovarão a exigência de plaqueamento de alerta em todos os parques, alimentando novas licitações superfaturadas?

Enfim, qual será a próxima enganação de que seremos vítimas?

Leiam a notícia e vão se preparando…

Parques têm excesso de metais pesados

1 hora, 4 minutos atrás

A poluição dos carros ultrapassou a escassa barreira verde da cidade e contaminou os redutos paulistanos considerados imunes. Um estudo divulgado neste mês detectou que solos de parques, em especial os que ficam no centro, estão contaminados por metais pesados, como chumbo, arsênio, cobre e bário, em concentrações que extrapolam, em alguns casos, até duas vezes os padrões seguros estabelecidos pelo governo paulista para não prejudicar a saúde.

A longo prazo, a contaminação por metais pode resultar em vômitos, diarreias, tonturas e, em casos extremos, até câncer. A análise foi feita com amostras colhidas de playgrounds e pistas de corrida de 14 parques de São Paulo. Todos apresentaram pelo menos um dado de metal em desacordo.

“Os piores índices estão nos parques mais próximos ao centro, onde há tráfego intenso de veículos, os grandes responsáveis pela concentração de metais”, afirma a autora do estudo, Ana Maria Graciano Figueiredo, pesquisadora do Instituto de Pesquisas Energéticas Nucleares, que fez a análise com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.

Um dos piores cenários está no Parque Buenos Aires, em Higienópolis, zona oeste. A concentração de chumbo foi de 400 mg/kg, sendo que o parâmetro da Cetesb é de 180 mg/kg (2,2 vezes mais). Parques do Ibirapuera, Aclimação, da Luz e Trianon também estão em alerta com chumbo, arsênico e cromo.

As crianças e os cachorros são mais suscetíveis ao problema, explica o coordenador de pós-graduação do Departamento de Microbiologia da USP, Mario Julio Ávila-Campos, por causa do contato mais próximo ao solo. “Mas o risco para quem vai aos parques, ainda que diariamente, é difícil de ser mensurado”, diz. “Quando o organismo fica saturado de metais, responde com tontura, desequilíbrio, diarreias, sintomas que as pessoas dificilmente vão relacionar à contaminação por chumbo, arsênio ou outro (metal).”

Especialistas dizem que não há motivo para pânico, mas é preciso alerta das autoridades públicas. “No Brasil ainda é muito recente essa preocupação com os metais. Para contato esporádico ainda faltam pesquisas que comprovem os perigos”, opina Luiz Roberto Guilherme, pesquisador do Departamento de Ciência do Solo da Universidade Federal de Lavras.

Se ainda existem dúvidas sobre o alcance da contaminação, já há certeza de que os carros são os “vilões” do acúmulo dessas substâncias, até mesmo nos solos dos parques. “A dispersão desses materiais é por meio do escapamento, tanto que, quanto mais perto das vias públicas, maiores são os índices”, diz a engenheira florestal do Laboratório de Poluição da USP Ana Paula Martins, que encontrou os materiais em excesso até nas cascas de árvores de cinco parques da cidade.

domingo, 17 maio, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , , | Deixe um comentário

Crime e sociedade: não será hora de superar a burrice?

blogue-violencia-buraco-vidro_k0441103Informações de março p.p. mostram que o governo de São Paulo gasta mensalmente R$ 2,98 milhões para manter em presídio fechado 2.980 homens e mulheres na região. E que com esse dinheiro, seria possível bancar o estudo de 10.9oo alunos no ensino médio por quase dois meses. Isso porque um detento custa cinco vezes mais do que um aluno: enquanto o primeiro custa R$ 1 mil mensais para o poder público, o estudante tem um custo de apenas R$ 170 no ensino fundamental e R$ 205 no médio. Quem está detido no CDP, no Instituto Penal Agrícola (IPA) e no Centro de Ressocialização Feminino (CRF) de Rio Preto, ou ainda na Penitenciária de Riolândia, tem direito a três refeições diárias, auxílio médico, odontológico e psicossocial, roupas limpas, cela com colchão e TV e visitas íntimas. E apesar de todos estes gastos, uma pesquisa feita em 2008 pelo juiz da Vara de Execuções Penais de Rio Preto, Zurich Oliva Costa Neto, constatou que metade dos detentos que deixaram as prisões da região voltava a delinquir até um ano após ganhar a liberdade.

Já em Minas Gerais, com dados de 2007, um presidiário custa ao governo  11 vezes mais do que um aluno da rede estadual de ensino. Em média, o gasto mensal com cada detento é de R$ 1,7 mil, enquanto o custo de manter um estudante na rede básica – infantil, fundamental ou médio – é de R$ 149,05 por mês. Um ano antes, o custo anual com os presidiários chegou a R$ 367,2 milhões, quantia suficiente para se construir outra Linha Verde (R$ 350 milhões), a via-expressa que liga Belo Horizonte ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, considerada a maior obra viária dos últimos anos no Estado.

Estas informações me levam a refletir na dupla burrice do Estado Brasileiro, nos excessos humanitários de certos segmentos do Terceiro Setor, e no egocentrismo preconceituoso das classes sociais melhor situadas.

O Estado sempre foi burro ao não investir suficientemente em serviços sociais básicos (educação, saúde, saneamento) para gastar muito mais e inutilmente nas estruturas de repressão e confinamento. E continua burro ao manter presidiários sem oportunidades de trabalho e/ou formação, perpetuando suas prisões como universidades do crime e hotéis (melhores ou piores) para criminosos que recebem casa e comida de graça enquanto comandam estruturas criminosas externas (via celulares), ou aperfeiçoam-se nas práticas criminosas no compartilhamento do ócio prisional.

As organizações humanitárias do Terceiro Setor teimam na concessão cada vez maior de direitos aos criminosos condenados e que custam cada vez mais recursos aos contribuintes e facilitam a vida daqueles que, comprovadamente, agem contra a segurança e o bem estar da sociedade organizada.

E nós, os privilegiados sociais (por temos acessos sociais diferenciados), pecamos cotidianamente ao discriminar os pobres que, pela ausência do Estado e pelo nosso descaso, vivem em situação de risco e  inserem-se compulsoriamente na criminalidade. E continuamos errando quando, enquanto pais, reproduzimos esse preconceito  e descaso aos nossos filhos e não atentamos para os pequenos criminosos potenciais que muitas vezes estamos formando em casa, por não estarmos suficiente e eficientemente presentes em suas vidas.

Bem, essas são algumas contatações necessárias sobre as quais cada um de nós deveria refletir. Mas o que quero enfatizar nesse comentário é outra coisa: porque o Estado continua burro, porque as ONG’s da área não reciclam suas idéias e porque a sociedade que paga tributos, embora possua sua parcela de culpa, continua a financiar com seus impostos este estado de coisas? No meu modo de ver, por burrice generalizada! Cada criança à qual negamos  atenção, alimento, escola, moradia e saúde, representa um criminoso potencial para assaltar, abastecer de drogas e/ou matar a nós e a nossos filhos. Representa ainda um gasto social futuro, exorbitante e inútil, para o Estado (com o nosso dinheiro!), além de gastos com as ONG’s atuantes nessa área e que poderiam estar atuando em outras instâncias sociais mais proativas. Representa ainda gastos permanentes em grades nas nossas portas e janelas, em alarmes e vigilância, além de estresses permanentes.

Diante disso, que tal começarmos mudanças por uma atitude mais racional: dar trabalho e capacitação profissional aos presidiários, cobrando a estadia dos mesmos e abatendo suas penas proporcionalmente aos avanços de cada um deles?

E não me venham dizer que não adianta! Há cerca de um ano assisti um documentário sobre a produção de tijolos ecológicos em uma penitenciária carioca, onde essa proposta foi aplicada. E nela, os presos envolvidos reduziam suas penas, juntavam algum dinheiro  para a liberdade e inclusive, havia alguns presidiários já com proposta de emprego para quando fossem libertados!

E por falar em atitudes, achei um razoável ponto de partida a decisão norte-americana explicada no artigo abaixo. Leiam e reflitam (sobre o que eu disse e sobre a reportagem). Podem discordar, claro, mas por favor reflitam…

Presos terão que pagar estada em prisão da Flórida: 2 dólares por dia

Qua, 15 Abr, 02h27

MIAMI, EUA (AFP) – Para marcar o último dia das entregas das declarações de renda nos Estados Unidos, autoridades do condado de Polk, próximo a Orlando (centro da Flórida, sudeste) anunciaram que os presos da penitenciária local vão pagar a partir desta quarta-feira sua permanência na prisão, a razão de 2 dólares por dia.

“O 15 de abril é um dia significativo para todos nós que trabalhamos, cuidamos da família, seguimos as regras da sociedade e damos o melhor para poder desfrutar do produto de nosso trabalho. Será também o dia da instituição da cobrança de impostos para os que não trabalham, mas vivem na prisão do condado de Polk”, disse o xerife Grady Judd, ao anunciar a medida.

O pagamento da diária nos cárceres será destinado a cobrir custos com a manutenção dos presos, incluindo a alimentação, uniformes e lavagem de roupa, informou.

A prisão de Polk (300 km ao norte de Miami), já cobrava dos internos 30 dólares a título de ingresso no estabelecimento; 15 dólares por consulta médica, 10 dólares para ter direito à enfermagem, além de 10 dólares para remédios na farmácia e 9 dólares por um “kit higiene”, com vários pares de roupa íntima.

Em 2008 a penitenciária do condado de Polk arrecadou 418.438 dólares dos presos, cifra que se elevará consideravelmente com a cobrança do novo “imposto” diário.

quinta-feira, 30 abril, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , | Deixe um comentário

Dia Mundial da Água: a distância entre intenção e gesto.

blogue-agua-1-aguaNo último domingo, 22 de março, transcorreu mais um Dia Mundial da Água, instituído pela ONU através da resolução A/RES/47/1993, seguindo as recomendações da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da Agenda 21. Assim, de 1993 para cá, as nações, estados, sociedades e movimentos sociais têm sido instados a promover a conscientização sobre o uso sustentável dos recursos hídricos, através de publicações, conferências, seminários, mesas redondas e exposições sobre o tema. Apesar da pouca credibilidade nos resultados desse tipo de iniciativa através de datas simbólicas (que geralmente servem muito mais para rituais políticos de poder do que para atitudes conseqüentes), creio que os problemas de abastecimento de água potável dizem respeito a todos. A pouca importância dada por cada um de nós na conservação desse recurso vital, a omissão e/ou indiferença objetivas das instâncias governamentais, não governamentais e empresariais em relação ao tema, devem constituir-se em preocupações nossas e não em justificativas para nossa indiferença cotidiana. E como creio nisso, mas não sou suficientemente informado sobre tema tão fundamental, esperei alguns dias do domingo para cá, para coletar dados atuais para refletir e colocar-me na questão. Espero assim estar dando a minha reflexão singela para a construção de uma nova e necessária realidade.

Segundo as fontes consultadas, nos últimos dezesseis anos, a cada ano abordou-se temas específicos e fundamentais relativos ao uso e conservação água, a saber:

  • 2009: Água e saúde
  • 2008: Saneamento
  • 2007: Lidando com a escassez de água
  • 2006: Água e cultura
  • 2005: Água para a vida
  • 2004: Água e desastres
  • 2003: Água para o futuro
  • 2002: Água para o desenvolvimento
  • 2001: Água e saúde
  • 2000: Água para o século XXI
  • 1999: Todos vivem rio abaixo
  • 1998: Água subterrânea: o recurso invisível
  • 1997: Águas do Mundo: há suficiente?
  • 1996: Água para cidades sedentas
  • 1995: Mulheres e Água
  • 1994: Cuidar de nossos recursos hídricos é função de cada um.

Como se pode perceber na cronologia acima, o elenco temático não poderia ter sido mais bem elaborado: aborda todas as dimensões desse recurso natural na vida planetária, priorizando (como não poderia deixar de ser na nossa lógica etnocentrista) as demandas humanas. Tudo bem que assim seja, mas o mais problemático é que nessas quase duas décadas pouco ou quase nada ocorreu de mudanças significativas. Aliás, minto, ocorreu: a partir de 2001, o que era um compromisso internacional com base na Agenda 21, perdeu força ao se decidir que a adoção dos princípios da agenda ficaria à cargo de cada país. Quer dizer: uma questão mundial deixada ao sabor da mentalidade de cada governante espalhado no planeta (igualzinho ao que fizeram com a questão da fome e da pobreza mundial). Daí, já se pode começar a desconfiar: que interesse têm, por exemplo, os Bush’s, os caudilhos e os demagogos das inúmeras nações em priorizar a questão da água? Provavelmente o mesmo interesse que demonstram sobre as profundas desigualdades sociais existentes! E assim, o destino de milhões de pessoas no mundo, continua igual ou pior àquele que gerou a iniciativa da ONU. Senão, vejamos:

  • mais de 1 bilhão de pessoas não tem acesso a água de boa qualidade;
  • 125 milhões vivem em casas sem água potável de boa qualidade;
  • 2,5 bilhões não dispõem de redes de coleta de esgotos e 23% da população mundial defeca ao ar livre, contribuindo assim para o aumento das doenças transmitidas através da água que matam 4.200 crianças por dia (com menos de 5 anos);
  • 80 milhões de pessoas nascem a cada ano, aumentando o consumo em 64 bilhões de metros cúbicos anuais, enquanto a qualidade e disponibilidade de água potável diminui;
  • as hidrelétricas, que produzem cerca de 20% da energia do planeta, já são 45 mil no mundo (só as com pelo menos 15 metros de altura), interrompendo 80% do fluxo dos rios;
  • destes rios interrompidos, muitos já não chegam aos oceanos, como os rios Colorado, Amarelo e outros.

E no Brasil, como estamos? Nada melhor! Apesar de termos 12% das águas doces superficiais do mundo e imensos aqüíferos subterrâneos, essa riqueza não só está mal distribuída no território nacional (72% na Amazônia e 6% no Sudeste), como as bacias hidrográficas estão comprometidas pelo lixo, pelo esgoto sanitário e pelos despejos industriais. Isso sem contar o desperdício que praticamos com as águas tratadas disponibilizadas, esbanjando acima de 40% dela, nas maiores cidades brasileiras. Em síntese: em termos de água, temos quantidade, não qualidade. E enquanto populações vivem à míngua nas regiões secas, nós dilapidamos esse patrimônio natural, por omissão e/ou indiferença pública e cidadã. A cada papel, garrafa, lata ou lixo que jogamos na rua, a cada banho demorado, torneira esquecida aberta ou com vazamento, a cada esgoto sanitário dirigido aos rios e baixios, a cada descarga de resíduos industriais despejada sem tratamento, um pouco da nossa qualidade e possibilidade de vida vai para o brejo da auto-destruição…

Enfim, diante disso tudo, de que vale o Dia Mundial da Água?

Imagem: da NET, capturada na Google.

sexta-feira, 27 março, 2009 Posted by | Comentário | , , | 2 Comentários

Amazônia salva? Por quem, para quem e com o dinheiro de quem?

Bastante interessante o estudo da consultoria McKinsey para manter a floresta amazônia em pé e reduzir as emissões nacionais de carbono. E se os cálculos são reais, até que a conta não é muito salgada. De novidade, o estudo apresenta muito pouco, a não ser a mensuração dos custos. Senão vejamos, a partir do quadro de iniciativas apresentados pela MCkinsey:

blogue-devastacao-ambient2A regularização fundiária já tem um extenso e antigo arcabouço jurídico, plenamente capaz de respaldar a limpeza dos grileiros das terras públicas e apoiar os proprietários reais e socialmente produtivos. Ela não ocorre porque não interessa aos latifundiários oportunistas e seus grileiros, também não interessa aos que fazem dos movimentos sociais uma onda anarco-revolucionária e parece também não interessar às instâncias legislativas, executivas e judiciárias do Estado Brasileiro, eternamente envolvidas em denúncias de lerdeza operacional, corrupção e nepotismo.
Triplicar o efetivo de fiscais e guardas-florestais, no histórico e contemporâneo contexto moral brasileiro, significará muito mais elevação do número de propineiros assalariados do que vigilância dos recursos naturais.
Ampliar os incentivos financeiros ao reflorestamento, à preservação de matas e a aumentos de produtividades, se resolvessem, o Brasil seria um paraíso de conservação, pois desde a década de 60 o antigo IBDF já fazia.
Formalizar empregos e combater o trabalho escravo, até que o Estado Brasileiro tem combatido com alguma seriedade, mas esbarra mais uma vez nos propineiros e na justiça vesga e dorminhoca, que quase nunca pune os culpados ou executa as multas.
Na ampliação da qualidade das redes de ensino e saúde tem-se avançado, apesar do corporativismo exacerbado e do oportunismo funcional dos trabalhadores das mesmas, que colocam os interesses corporativos acima dos interesses coletivos.

Conclusão: nesse cenário sócio-ambiental, jogar dinheiro resolve?

Acho bastante questionável essa solução para a Amazônia, até mesmo porque as iniciativas propostas não indicam a mais necessária delas: fomentar oportunidades autônomas e sustentáveis de trabalho e renda para as populações tradicionais que habitam e região há décadas. Milhares de comunidades caboclas, após servirem aos senhores extrativistas das drogas-do-sertão e aos seringalistas, atualmente aos fazendeiros e madeireiros, ocupam terras com o suor do trabalho familiar cultivando roçados, fazendo carvão, caçando e pescando de forma pedratória, dando a sua contrapartida ecoagressora para conseguir sobreviver precariamente. E o que se faz hoje, no sentido de redirecionar essa atividades predatórias caboclas para os paradigmas de sustentabilidade ambiental, econômica e social? Pouco, muito pouco, quase nada. Discursos, intenções, programas e ONG’s existem à larga, mas não só se disponibiliza recursos mínimos, como esses recursos, em grande parte, não chegam às famílias caboclas, consumidos que são nas instâncias burocráticas, técnicas e científicas, através de salários, diárias, viagens, bolsas de pesquisa e fiscalização ambiental. Em suma: apenas gerando mais empregos para profissionais contemplarem o próprio umbigo. E pior: sem fomentar efetivamente alternativas produtivas sustentáveis para as populações rurais vulneráveis, insistem em querer que os caboclos sejam aliados na preservação e na conservação! Pergunto: sem outra alternativa para sobreviver, vocês respeitariam os ciclos naturais e os princípios da conservação? Nem eu!!!

Portanto, amigos, pensar em resgatar e manter a Amazônia sem reformular a postura política e moral nacional, e sem pensar naqueles que moram no meio da floresta, é “dar milho pra bode”, como se diz no Nordeste, ou “gastar vela com defunto ruim” com se diz aqui no Norte. É reproduzir a maneira tradicional de se fazer polítcas públicas, ampliar os privilégios corporativos e protelar as verdadeiras soluções.

Por falar nisso, o Príncipe Charles esta em visita à Amazônia. Se dessa visita surgir algum projeto de intervenção na região (o que acho difícil), procurem como eu saber para que e para quem…

Apesar disso, a discordância é um direito democrático e repasso abaixo a reportagem integral publicada pela revista Veja para a leitura de vocês…

Ambiente
Quanto custa salvar a Amazônia

Fonte: Revista Veja

17 bilhões de reais ao ano, pouco mais que o valor do Bolsa Família.
Esse é o cálculo da consultoria McKinsey, em estudo que aponta
formas de reduzir pela metade a emissão de carbono no país


Giuliano Guandalini

Fernanda Preto/Folha Imagem
UMA NOVA EXPLORAÇÃO
Reserva privada (à esq.) e madeira certificada destinada à exportação: desenvolvimento sem agredir o ambiente

Poucos debates no Brasil são tão controversos, erráticos e destituídos de objetividade quanto o da conservação da Amazônia. As matas ardem ao ritmo de 500 quilômetros quadrados a cada mês. Mas o país não consegue formular um plano factível que contenha o avanço da exploração predatória e, ao mesmo tempo, permita o desenvolvimento sustentável da região, uma área equivalente à metade do território brasileiro. Preservar a maior floresta do planeta, contudo, é uma meta perfeitamente alcançável, de acordo com um estudo minucioso que acaba de ser concluído por uma das mais respeitadas consultorias do mundo, a McKinsey. O trabalho estima em 17 bilhões de reais ao ano o volume de investimentos necessário para preservar a floresta ao longo de duas décadas. Tais recursos não são extravagantes: representam pouco mais de 1% dos impostos arrecadados no Brasil; ou que o gasto anual com o Bolsa Família, de 12 bilhões de reais; ou a metade do déficit nas contas da Previdência em 2008.

A McKinsey chegou a esse cálculo dentro de um estudo mais amplo, sobre as oportunidades e os custos de reduzir, no Brasil, as emissões dos gases que provocam o efeito estufa, a principal causa do aquecimento global. A consultoria fez a mesma investigação em outras vinte regiões, abrangendo todo o globo, na mais detalhada iniciativa sobre o assunto. As queimadas na Amazônia significam mais da metade dos 2,1 bilhões de toneladas de CO2 que o Brasil lança na atmosfera a cada ano, deixando o país num constrangedor posto de quarto maior emissor do planeta – atrás apenas da China, dos Estados Unidos e da Indonésia. Conter a devastação da floresta, portanto, é a maior contribuição que o país poderia dar no combate ao aquecimento global. Os consultores definiram propostas específicas para cada uma das atividades exploratórias. “O desafio para a Amazônia não está simplesmente em deter o desmatamento. É preciso incentivar o desenvolvimento de atividades formais, para dar emprego àqueles que hoje vivem da exploração predatória e também elevar o padrão de vida dos 25 milhões de pessoas que habitam a região”, afirma Stefan Matzinger, diretor da McKinsey e coordenador do trabalho. O estudo “Uma economia de baixas emissões de carbono para o Brasil” será apresentado na quinta-feira 12 no ciclo de debates do Planeta Sustentável, promovido pela Editora Abril. Depois, estará disponível gratuitamente no site da consultoria (www.mckinsey.com).

No plano de cinco frentes de atuação proposto pela McKinsey, os dois requisitos essenciais são regularizar as propriedades rurais e aprimorar a vigilância (veja o quadro abaixo). Hoje, menos de 10% das terras têm posse definida. O Brasil possui hoje 3 600 guardas florestais. Precisaria chegar ao menos a 10 000, seguindo parâmetros internacionais. Ainda que a preservação da Amazônia seja o foco do trabalho da McKinsey, o estudo apresenta também a análise de como o Brasil poderá reduzir a emissão de gases do efeito estufa em outras atividades econômicas. Um exemplo disso é a agropecuária. O maior problema aqui é o metano emitido pelo rebanho bovino. Produzido por bactérias que participam do processo digestivo do gado, o metano, ao ser liberado na atmosfera, é vinte vezes mais poderoso que o CO2 no acirramento do efeito estufa. A solução, aponta a McKinsey, seria reduzir o ciclo de vida do gado, elevando a produtividade, e incentivar o uso de medicamentos especiais.

Ao todo, a consultoria define com clareza 200 oportunidades para o Brasil reduzir a emissão desses gases nos mais relevantes setores econômicos – e aponta o custo de cada uma delas. Se todas forem adotadas, calcula o estudo da McKinsey, o país diminuirá em mais da metade o seu nível atual de emissões. Trata-se de uma contribuição valiosa.

segunda-feira, 16 março, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário

Objetivos do Milênio: mais um cemitério de boas intenções?

Às vezes fico pasmo com a facilidade humana em elaborar discursos lindos em conteúdo e vazios de prática, para dar a impressão de que coisas boas estão sendo realizadas e/ou alcançadas. Mas também, muitas vezes penso que se não fossem essas tentativas discursivas, nada, mas nada mesmo, seria feito. Lendo hoje os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, compromisso assinado por todos os países-membros da ONU, senti essa dupla percepção de sempre. A ONU, suas decisões e os seus documentos, historicamente demonstraram ser letra-morta e vazia, violentada que é constantemente pelos interesses dominantes de grupos e nações. Mas, se não ocorressem estas decisões e compromissos documentados, não seria pior? Quem cobraria o que de quem?

Pensando assim, repasso abaixo a “cartilha” a ser apreendida, aprendida e praticada por todos nós nas áreas socioeconômica e ambiental. Fico mais pessimista porque eles determinaram um prazo de mil anos (talvez descrentes das próprias possibilidades reais) e não sei se a nossa espécie sobreviverá tanto por aqui. Mas enfim, é melhor que nada e, acima de tudo, os objetivos citados são lindos de morrer…Pelo menos no papel…

Erradicar a extrema pobreza e a fome Saiba mais
O número de pessoas em países em desenvolvimento vivendo com menos de um dólar ao dia caiu para 980 milhões em 2004, contra 1,25 bilhão em 1990. A proporção foi reduzida, mas os benefícios do crescimento econômico foram desiguais entre os países e entre regiões dentro destes países. As maiores desigualdades estão na América Latina, Caribe e África Subsaariana. Se o ritmo de progresso atual continuar, o primeiro objetivo não será cumprido: em 2015 ainda haverá 30 milhões de crianças abaixo do peso no sul da Ásia e na África.
Atingir o ensino básico universal Saiba mais
Houve progressos no aumento do número de crianças frequentando as escolas nos países em desenvolvimento. As matrículas no ensino básico cresceram de 80% em 1991 para 88% em 2005. Mesmo assim, mais de 100 milhões de crianças em idade escolar continuam fora da escola. A maioria são meninas que vivem no sul da Ásia e na África Subsaariana. Na América Latina e no Caribe, segundo o Unicef, crianças fora da escola somam 4,1 milhões.
Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres Saiba mais
A desigualdade de gênero começa cedo e deixa as mulheres em desvantagem para o resto da vida. Nestes últimos sete anos, a participação feminina em trabalhos remunerados não-agrícolas cresceu pouco. Os maiores ganhos foram no sul e no oeste da Ásia e na Oceânia. No norte da África a melhora foi insignificante: Um em cinco trabalhadores nestas regiões é do sexo feminino e a proporção não muda há 15 anos.
Reduzir a mortalidade infantil Saiba mais
As taxas de mortalidade de bebês e crianças até cinco anos caíram em todo o mundo, mas o progresso foi desigual. Quase11 milhões de crianças ao redor do mundo ainda morrem todos os anos antes de completar cinco anos. A maioria por doenças evitáveis ou tratáveis: doenças respiratórias, diarréia, sarampo e malária. A mortalidade infantil é maior em países que têm  serviços básicos de saúde precários.
Melhorar a saúde materna Saiba mais
Complicações na gravidez ou no parto matam mais de meio milhão de mulheres por ano e cerca de 10 milhões ficam com seqüelas. Uma em cada 16 mulheres morre durante o parto na África Subsaariana. O risco é de uma para cada 3,800 em países industrializados. Existem sinais de progresso mesmo em áreas mais críticas, com mais mulheres em idade reprodutiva ganhando acesso a cuidados pré-natais e pós-natais prestados por profissionais de saúde. Os maiores progressos verificados são em países de renda média, como o Brasil.
Combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças Saiba mais
Todos os dias 6,8 mil pessoas são infectadas pelo vírus HIV e 5.,7 mil morrem em conseqüência da Aids – a maioria por falta de prevenção e tratamento.  O número de novas infeccções vem diminuindo, mas o número de pessoas que vivem com a doença continua a aumentar junto com o aumento da população mundial e da maior expectativa de vida dos soropositivos. Houve avanços importantes e o monitoramento progrediu. Mesmo assim, só 28% do número estimado de pessoas que necessitam de tratamento o recebem. A malária mata um milhão de pessoas por ano, principalmente na África. Dois milhões morrem de tuberculose por ano em todo o mundo.
Garantir a sustentabilidade ambiental Saiba mais
A proporção de áreas protegidas em todo o mundo tem aumentado sistematicamente. A soma das áreas protegidas na terra e no mar já é de 20 milhões de km² (dados de 2006). O A meta de reduzir em 50% o número de pessoas sem acesso à água potável deve ser cumprida, mas a de melhorar condições em favelas e bairros pobres está progredindo lentamente.
Estabelecer uma Parceria Mundial para o Desenvolvimento Saiba mais
Os países pobres pagam a cada dia o equivalente a US$ 100 milhões em serviço da dívida para os países ricos. Parcerias para resolver o problema da dívida, para ampliar ajuda humanitária, tornar o comércio internacional mais justo, baratear o preço de remédios, ampliar mercado de trabalho para jovens e democratizar o uso da internet, são algumas das metas.

terça-feira, 3 março, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário

Lá também fazem leis imbecis e demagógicas!

  • /AFP

    Prefeito causa revolta no México por proibir beijos apaixonados AFP – Sáb, 17 Jan, 09h05CIDADE DO MÉXICO (AFP) – O prefeito de Guanajuato (centro), Eduardo Romero Hicks, arranjou uma grande dor de cabeça ao proibir que os casais se beijem de forma apaixonada em sua cidade e agora corre o risco de ser expulso do cargo pela oposição e o próprio partido.

domingo, 25 janeiro, 2009 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

A luta continua…

Com menos de uma semana no poder, o Obama está botando pra quebrar. Veja a seguir as três últimas medidas, nos links seguintes aos meus breves comentários:

a) usa o peso de sua legitimidade política para forçar a aprovação no congresso do pacote de ajuda à recuperação econômica (de US$825 bilhões) até o dia 16 de fevereiro, considerado por lá como o Dia do Presidente. E vinculando a ajuda à comportamentos responsaveis das empresas atendidas.

http://br.noticias.yahoo.com/s/23012009/25/economia-obama-pacote-deve-concluido-ate.html

b) e enquanto os republicanos ianques adoram que a natalidade continue irresponsavelmente alta nos países em desenvolvimento (talvez para ter mais gente pra matar!), o Obama revogou o bloqueio sobre o  fundo americano que financia organizações pró-aborto no exterior (decretado anteriormente por presidentes republicanos). Se pode-se questionar moralmente o aborto, não se pode deixar de reconhecer que este ato continua a acontecer na clandestinidade, com riscos muito maiores de mortalidade para mães e gerando filhos indesejados e passíveis de riscos sociais maiores.

http://br.noticias.yahoo.com/s/afp/090123/mundo/eua_pol__tica_sa__de

c) e enquanto aqui a briga pela igualdade de salários se prolonga indefinidamente, alimentando lutas de gênero, idade, etc., lá o congresso americano, sob o efeito Obama, aprova projeto de lei sobre a igualdade de salários, revertendo uma decisão da Suprema Corte em 2007.

http://br.noticias.yahoo.com/s/afp/090123/mundo/eua_congresso_sociedade

E para complementar, vi ontem na TV que o FDA, oportunamente no início da era Obama, aprovou o uso experimental de células-tronco humanas em humanos, algo que jamais seria aprovado nos governos  republicanos (reacionários por natureza).

sábado, 24 janeiro, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário

Obama:bom começo da corrida dos sonhos!

A paralisação formal, por 120 dias, dos vergonhosos julgamentos que ocorrem na prisão de Guantanamo (onde inclusive estão presos os pretensos causadores do 11 de Setembro), com informações de bastidores de que ele já criou uma comissão para articular a desativação da citada prisão, foi um ótimo sinal do Obama ao contexto da atual crise política internacional. E o congelamento dos supersalários da administração pública federal, aliado ao anúncio de maior controle sobre os lobistas (veja abaixo), foram um ato interno de vontade política para enfrentamento da crise econômica nacional. Que ele mantenha o seu conta-gotas gerencial em atividade constante…

Em seu primeiro dia completo na Casa branca, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, convocou seus conselheiros econômicos e altos oficiais militares para várias reuniões, com o objetivo de começar as várias mudanças que prometeu durante a campanha.

AFP

Obama congela faixa de altos salários na Casa Branca

Agência Estado – Qua, 21 Jan, 07h38

Em seu primeiro dia completo na Casa branca, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, convocou seus conselheiros econômicos e altos oficiais militares para várias reuniões, com o objetivo de começar as várias mudanças que prometeu durante a campanha.

quinta-feira, 22 janeiro, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , | Deixe um comentário

Pequenas-grandes diferenças…

Estou em Joinville, no Estado de Santa Catarina, há cinco dias. Ando nas ruas e não vejo evidências da tragédia que atingiu a cidade há dois meses. Ruas limpas, serviços públicos funcionando normalmente, pessoas indo e vindo normalmente, a mesma Joinville de outras visitas minhas, em anos passados. Tenho procurado observar o cotidiano da cidade e não pude fugir de análises comparativas entre certas coisas e fatos daqui com certas coisas e fatos da minha querida Belém. Análises pessoais estas que transmito a vocês agora.

Como sempre faço de uns tempos pra cá, saí nas madrugadas para caminhar e fui pra mesma pracinha perto da casa da minha filha. O piso da calçada me pareceu mais desgastado (efeitos do dilúvio?), mas o parque infantil continua lá, em perfeito estado de conservação. O ponto de táxi continua lá, com seus taxistas sisudos, mas corteses. As ruas do entorno continuam limpas, assim como o interior da praça. Como das outras vezes, não há moradores de rua dormindo pelos bancos e o único ser humano com ar de abandono que lá vi foi um catador de latinhas, cortando as mesmas com um alicate, para fazer artesanato. Mas, em um dos cantos, a praça me aguarda com uma surpresa: uma bonita e bem equipada academia ao ar livre, pública, aberta a todos como o parque infantil, tendo vários destes equipamentos específicos para idosos! Poucas academias já vi com tantos equipamentos! Todos plenamente conservados e em pleno uso, e com profissional da área (voluntária ou funcionária pública) à disposição para orientar os usuários. E não é uma praça, situada em bairro nobre, é a Praça do Regional, no distante bairro de Boa Vista. E em um Estado politicamente conservador, conversando com uma senhora usuária desta academia pública, ouvi o comentário: “Este candidato do PT que foi eleito agora, já vinha tentando há várias campanhas, agora nós demos esta chance a ele, vamos esperar pra ver.”

Fui jogar na Mega Sena (depois de velho resolvi arriscar a ficar rico, já que nunca o consegui com o meu trabalho) e na lotérica, outra surpresa: espaçosa e, ao invés de filas, senhas para atendimento e inúmeras poltronas para se esperar sentado.

Fui à padaria e vi, na entrada, quatro depósitos para coleta seletiva de lixo. Nas residências, já se faz a coleta seletiva e mesmo que a coleta pública atrase, as famílias já têm “fregueses informais”, catadores de latas, papéis, etc., que passam regularmente para receber estes materiais (minha filha tem um velhinho freguês de muitos anos).

Fui comprar um memory card e me levaram a um camelódromo central, limpo e bem organizado, onde comprei a preços dos vendedores ambulantes das ruas de Belém, sem a pressão do Rapa e funcionando dentro da legalidade.

Vivenciei isto tudo e fiquei lembrando-me das praças belenenses de minhas andanças, com os bancos cheios de moradores de ruas dormindo nos bancos, vandalizadas e sujas. Das ruas maltratadas, das casas, muros e monumentos pichados, do lixo amontoado nas esquinas, dos canais entupidos pelos resíduos inorgânicos dos plásticos e dos esgotos domésticos e sanitários. Das imensas filas para tudo, sem o mínimo conforto, de pé e muitas vezes ao sol. Dos mercadores ambulantes espalhados pelas ruas, em eterno estresse e sujando as ruas. Do nosso povo que vota e erra, vota e erra, pulando politicamente da direita pro centro, do centro pra esquerda e voltando pra direita, sem perceber que na Amazônia ainda predomina, em qualquer ponto do espectro político, a política tradicional, clientelista, oportunista e manipuladora. Sem perceber que na nossa Amazônia, o espectro político não é uma linha reta com dois extremos opostos, mas um círculo onde os extremos (esquerda e direita) se tocam, com as mesmas práticas políticas de antigamente.

Pensando nisso tudo, o meu único consolo é saber que, há quarenta e cinco anos, quando aqui morei, o comportamento sócio-ambiental e político da população catarinense era bem menos adequado, assemelhando-se ao nosso aí na Amazônia. Que os nossos avanços demorem menos de quatro décadas…

sábado, 3 janeiro, 2009 Posted by | Comentário | , , | Deixe um comentário