Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Uma análise política decente…

Na coluna “Notas e informações” o Jornal Estado de São Paulo publicou hoje o editorial abaixo, sobre a sucessão presidencial e o presidente Lula. Mesmo não concordando integralmente com o conteúdo, repasso-o a vocês, como amostra de que se pode analisar e criticar politicamente, com argumentos sensatos, justos e reais. Leiam e tirem suas conclusões:

A política de massas e a sucessão

O senador petista Aloizio Mercadante, citado pela colunista Dora Kramer, deste jornal, ofereceu semanas atrás uma explicação arguta para o que se pode chamar apropriadamente o autodesterro do presidente Lula, mais encontradiço em qualquer lugar do País ou do exterior do que no seu domicílio atual – Palácio do Planalto, Praça dos Três Poderes, Brasília, DF. Disse o senador: “O governo está fraco no Parlamento e na imprensa, onde a pauta da oposição tem hegemonia. Se ele ficar em Brasília, dentro do Palácio, torna-se refém dessa agenda. Então, ele sai para disputar e faz a pauta do povo que quer ouvir falar de obras, de energia, de coisas concretas. O povo é situacionista.” Naturalmente, Lula só pode ir ao encontro do povo porque, na sua gestão, a vida do povo melhorou – na versão do presidente, graças a ele, “mais uma mãozinha de Deus”.

É bem verdade que ele não toma o tempo de suas jubilosas platéias explicando, do palanque, o que vem a ser esse efeito Maradona: o superaquecimento da economia mundial, puxado pela China, coincidindo com a sua presidência. E não explica, decerto, para não complicar à toa o que ele faz parecer tão simples: a bonança é conseqüência do ineditismo de “governar para os pobres”. Assim, entregue em regime de dedicação praticamente integral ao doce mister de proclamar que “nunca antes na história deste país…”, Lula parte da percepção popular, baseada em experiência própria, de que as coisas melhoraram, para assentar na consciência nacional a convicção de que ele é o responsável único por isso. Ele – não o PT, nem os seus aliados, nem qualquer de seus ministros (com a recente exceção da titular da Casa Civil, Dilma Rousseff, a mãe do PAC, em fase de testes pré-eleitorais).

Com o imenso talento persuasivo que seria bisonho negar-lhe, Lula reintroduziu na cena brasileira, depois de décadas, a política de massas. Nela, o líder afasta dos olhos da multidão o papel do sistema político que o produziu e do qual é o primeiro protagonista; o papel da administração pública de que ele depende; e o papel até mesmo das instituições que o enquadram – a fim de estabelecer uma relação direta e superior a tudo o mais com os seus liderados. Esses são requisitos para que o líder possa se arrogar, não compartilhando com ninguém nem nada, o mérito pelas políticas que mudaram as condições de vida da maioria da população. Claro que o carisma também é essencial, e Lula o tem de sobra, bem como a singularidade, em relação aos populistas do passado, de ser ele um do povo, portanto, ainda mais confiável e querido. Eis aí a história por trás dos seus formidáveis índices de aprovação que as pesquisas registram, uma após outra.

“Lula”, definiu há pouco o seu mordaz interlocutor Delfim Netto, “é um sobrevivente, o Darwin andando, com uma vantagem: nunca leu Karl Marx.” De todo modo, ao fazer política de massas, a pretexto de tocar o PAC, além de se distanciar da adversa agenda planaltina de que fala o senador Mercadante, Lula se instala no centro absoluto da sucessão presidencial. Seja para a eventualidade de passar arriada a montaria da re-reeleição, seja para se afirmar como o Grande Eleitor de 2010. A primeira hipótese parece menos provável. Embora metade da população já se mostre favorável à mudança que traria o terceiro mandato – dando razão a Bertolt Brecht, quando dizia que “primeiro vem o rango, depois vem a moral” -, continuam incertas as chances de o Congresso aprovar, em duas votações com quórum de 60%, a emenda constitucional do continuísmo. E Lula soa convincente nas suas seguidas manifestações de recusa ao golpe.

A construção do presidente-eleitor é ostensiva – mesmo no apelo, que faz com divertida malícia, para que os políticos dissociem os eventos do PAC da sucessão. “Não pode ter um clima eleitoral porque daqui a pouco a Justiça Eleitoral pensa que eu estou fazendo campanha”, avisou dias atrás num comício. Mas a obra se deixa ver em especial quando ele bate na tecla do risco do “retrocesso”, contra o qual pede a Deus que o sucessor seja “uma pessoa até mais abençoada do que eu, que olhe para os pobres mais do que nós estamos olhando”. A aposta de Lula é a de que, tendo anunciado o nome da pessoa abençoada, o povo nela votará como se votasse nele próprio.

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quinta-feira, 1 maio, 2008 Posted by | Repassando... | , , | Deixe um comentário

Respostas possíveis para perguntas imbecis…(II)

Hoje, com o estômago recuperado do esforço inaudito de ter que ler e responder canalhices dirigidas ao presidente Lula, voltei ao rol das perguntas cretinas a mim enviadas, para responder a mais quatro delas.

Pergunta 1: Por que o presidente do povo se vangloria de não ter estudo e ser filho de mãe analfabeta e acha normal ter filhos estudando fora do Brasil?

Além de cretinos, o(s) autor(es) desta pergunta ainda sofrem de surdez aguda, pois nunca vi o Lula se vangloriar de sua baixa escolaridade ou do analfabetismo dos pais. Na primeira vez em que ele abordou este fato, foi para emocionar-se por ter sido reconhecido pelo povo brasileiro como capaz de governar o país, apesar de sua baixa escolaridade (lembram-se de sua primeira posse?). Em várias outras ocasiões, abordou este mesmo fato para justificar o seu interesse em implementar avanços na educação e evitar que a sua situação pessoal continuasse a atingir milhões de brasileiros (e os primeiros bons resultados na educação estão aí, para quem quiser saber!). E, há pouco tempo, declarou a sua intenção de, ao deixar a presidência, retomar os estudos par obter um diploma universitário. Isso é vangloriar-se da baixa escolaridade? E se ele tem uma filha estudando fora do país (como inúmeros brasileiros o fazem), é mais uma confirmação da sua valorização à educação, certo? Ou a oposição Pitbull está incomodada com o fato de um ex-operário poder oportunizar boa educação aos filhos? Ou está com medo de que, se a moda pega, daqui a pouco teremos filhos de operários competindo no mercado de trabalho com as elites? Continue lendo

quarta-feira, 30 abril, 2008 Posted by | Comentário | , | Deixe um comentário

Respostas possíveis para perguntas imbecis…

Henrique R. de Miranda
henriquermiranda@yahoo.com.br

É estarrecedor o cinismo com que a oposição pitbull, presente na esfera política e nas classes desmamadas das tetas públicas, buscam os caminhos mais sórdidos para desmerecer o Lula, enquanto presidente democraticamente eleito, reeleito e possuidor do mais alto índice de aprovação popular da nossa história recente, como governante. Primeiro, durante a primeira campanha eleitoral, praticaram o terrorismo político, disseminando a “verdade” de que um governo petista afetaria a credibilidade internacional do Brasil e derrubaria as conquistas do governo FHC. O resultado foi que o Lula, eleito, recebeu um país com uma avaliação internacional de risco estratosfericamente negativa, inflação crescente, desemprego beirando os 20% e inúmeras seqüelas sociais. Passaram-se dois anos, a situação começou a ser revertida e as alcatéias das bestas opositoras, desta vez facilitada pelos imbecis do PT (sim, lá também existem imbecis!), passaram a atacar o Lula. Não os notoriamente envolvidos no Mensalão, mas o Lula! Tanto é que nenhum dos parlamentares concretamente envolvidos foi punido, apenas o Roberto Jefferson, que denunciou, e o José Dirceu, pretenso cabeça do esquema. O Lula, mesmo sem provas, não caiu porque o respaldo da população não deu clima para um processo de impeachement. Continue lendo

segunda-feira, 28 abril, 2008 Posted by | Comentário | , , | Deixe um comentário