Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Pra consolar meu jeito cambaio de ser…

Ninguém me habita

Ninguém me habita. A não ser
o milagre da matéria
que me faz capaz de amor,
e o mistério da memória
que urde o tempo em meus neurônios,
para que eu, vivendo agora,
possa me rever no outrora.
Ninguém me habita. Sozinho
resvalo pelos declives
onde me esperam, me chamam
(meu ser me diz se as atendo)
feiúras que me fascinam,
belezas que me endoidecem.

Thiago de Mello

sexta-feira, 28 novembro, 2014 Posted by | Repassando... | | Deixe um comentário

Do homem para o coração do homem..

Hoje, acordei meio ensimesmado, meio carente de motivações, e recorri ao meu remédio preferido e infalível: abrir ao acaso o livro “Vento Geral” do meu poeta caboclo preferido (Thiago de Mello) e ler um de seus poemas. E meus dedos casuais levaram-me aos “Estatutos do Homem”, sua obra mais conhecida. Após lê-lo, senti-me tão esperançoso novamente, que resolvi postá-lo para vocês. Embora pouco divulgado atualmente, Thiago de Mello é um dos maiores poetas brasileiros, ainda vivo. Caboclo amazônida nascido no coração da mata (Barreirinha – AM), sempre defendeu a liberdade, a democracia e uma sociedade mais justa. E por causa disso teve que exilar-se no exterior, durante o período da ditadura militar implantada em 1964. Orgulhoso de sua cultura amazônica, sensível às imperfeições e qualidades da espécie humana, tem como sua obra mais conhecida o poema transcrito abaixo. Quem quiser, gostar e puder, compre o seu livro “Vento Geral” (que possuo, com dedicatória dele, e que de tão manipulado já está rasgando). Por favor, leiam:

Os Estatutos do Homem (Ato Institucional Permanente)
Thiago de Mello

A Carlos Heitor Cony

Artigo I

Fica decretado que agora vale a verdade,
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II

Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III

Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV

Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.

Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:

O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino. Continue lendo

quarta-feira, 14 maio, 2008 Posted by | Arte e cultura, Comentário, Repassando... | , , , | 4 Comentários