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A Educação no Renascimento

A EDUCAÇÃO NO RENASCIMENTO

A REFORMA PROTESTANTE, A CONTRA-REFORMA CATÓLICA E A EDUCAÇÃO.

Carlos Eurico Augusto Germer

Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Curso de Licenciatura em História (HID1091) – História da Educação
Março 2008

RESUMO

Trata-se de como a Reforma Protestante e a Contra-Reforma Católica repercutiram na Educação durante o Renascimento. Um histórico dos fatos que durante a Idade Média precederam e ocasionaram o Renascimento. Os avanços educacionais obtidos e provocados pelo reinado de Carlos Magno e a Reforma Protestante de Lutero. Descrevem-se as providências da Igreja Católica para defender sua hegemonia política e religiosa das conseqüências desta Reforma. O Protestantismo procurou democratizar o acesso da população à educação e incluiu no currículo escolar disciplinas de caráter humanista, defendendo que a mesma é uma missão do Estado. A Igreja Católica criou a Ordem dos Jesuítas para se contrapor à Reforma. Os Jesuítas entre outras missões, deveriam atuar na área da educação, para isso em 1599 promulgou e implantou a coletânea de regras Ratio Studiorum em todas as suas instituições escolares no mundo, unificando suas ações.

Palavras-chave: Educação; Reforma e Contra-Reforma; Renascimento.


1 INTRODUÇÃO

A Idade Média foi marcada pelo teocentrismo e suas decorrências como a explicação do mundo pela fé, a busca da fraternidade cristã e a convicção de que a Terra é o centro do Universo.

A Idade Moderna ou Renascimento veio contrapor-se a esse dogmatismo através do antropocentrismo, racionalismo, individualismo e Universo heliocêntrico. Porém, é impossível descrever o Renascimento e limita-lo aos séculos XV e XVI, sem mencionar ou considerar os acontecimentos e movimentos que o antecederam. E é isto que este trabalho se propõe a fazer focalizando a educação escolar e suas origens.

2 A IDADE MÉDIA

2.1 RENASCENÇA CAROLÍNGIA

Ao contrário do que se supõe, apenas os primeiros quatro séculos do Período Medieval podem ser considerados de relativa estagnação na busca do conhecimento científico. Nos anos restantes até meados do século XV, foram lançadas as bases da Idade Moderna, que conhecemos como Renascimento. Nesse período até os próprios padres descuidavam de seu aperfeiçoamento e atualização.

“O início do progresso intelectual da época feudal data da chamada renascença carolíngia (grifo nosso) do século IX. Foi um movimento iniciado por Carlos Magno ao trazer para a sua corte, em Aix-la-Chapelle, os mais notáveis eruditos que pôde encontrar. O imperador foi levado em parte pelo interesse na cultura, mas também pelo desejo de encontrar padrões uniformes de ortodoxia que pudessem ser impostos a todos os seus súditos. Felizmente parece ter concedido, aos sábios que importou, uma parcela bem grande dos seus estudos. Resultou daí uma renascença do intelecto que ganhou suficiente impulso para se estender aos reinados de vários sucessores [...]”. (BURNS, 1981, p. 369-370).

Foi o monge inglês Alcuíno de York, diretor da escola instalada no palácio do Imperador que foi o encarregado de elaborar um projeto de desenvolvimento escolar. O plano compreendia o reviver do saber clássico, estabelecendo programas de estudo das chamadas sete artes liberais. Dividiu esses estudos em duas partes: o trivium ou ensino literário constituído de gramática, retórica e dialética; e o quadrivium ou ensino científico abrangendo aritmética, geometria, astronomia e música.

A partir do ano 787 d.C. foi decretada a restauração das escolas antigas e a fundação de novas em todo Império.

As novas escolas eram de três tipos: monacais, nos mosteiros; catedrais, nos bispados e palatinas, nos palácios.

2.2 NASCEM AS UNIVERSIDADES

Segundo Burns (1981, p. 377) “Os avanços da filosofia e da ciência no último período da Idade Média [seriam] impossíveis sem o progresso educacional ocorrido entre os séculos IX e XIV” [...e que] o aparecimento das universidades representa a realização educacional mais importante da Idade Média”. Sendo que as mais antigas surgiram entre os séculos IX e XII em: Salerno, Bolonha e Paris.

2.3 O FIM DA IDADE MÉDIA

Um conjunto de fatos que se acumularam ao longo dos séculos provocaram a emergência do Renascimento. A ampliação das áreas agrícolas, o surgimento da burguesia concorrendo com as autoridades reinantes, o surgimento de monarquias nacionais, a intensificação do comércio, o crescimento urbano, os descobrimentos marítimos que abriram novas fronteiras e a retomada da cultura greco-romana entre outros provocaram a falência do feudalismo.

3 O RENASCIMENTO

O Renascimento foi um movimento cultural e urbano que mudou a qualidade da obra intelectual e ampliou a quantidade da produção cultural, dando um grande impulso à literatura e à filosofia, segundo Moser (2008, p. 72).

Alguns fatos que se destacam na Idade Moderna são: o surgimento da imprensa, a ascensão da burguesia, a Reforma Protestante, o enfraquecimento do domínio da Igreja Católica, a expansão do comércio e do capitalismo.

3.1 A INVENÇÃO DA IMPRENSA

No século XV o acontecimento mais importante que impulsionou a expansão da educação foi a invenção da imprensa por Johannes Gutenberg em 1440 (MAN, 2004, contracapa).

Ainda segundo Man (2004, p. 17-18) assim se refere à famosa Bíblia de Gutenberg, de 42 linhas:

“O objetivo de Gutenberg, acredito, era o de um comerciante que se esforçava para ser o primeiro a fazer dinheiro no imenso mercado continental oferecido pela Igreja Católica. Foi como capitalista precoce que ele se tornou um homem moderno. Mas a meta poderia ser realizada apenas se ele pudesse fazer algo contra o reacionarismo e se unificasse uma Cristandade dividida. É uma das maiores ironias da história o fato de ter obtido exatamente o oposto de suas intenções. Tendo finalmente alcançado o sucesso, com uma incrível demonstração de brilhantismo e perseverança, Gutenberg quase perdeu tudo para seus sócios e colegas, somente por um triz se livrando da miséria e da obscuridade. E, tendo produzido uma das maiores publicações do cristianismo, ele anunciou uma revolução – a Reforma – que estilhaçou a unidade cristã para sempre”.

Iniciava-se assim o Renascimento propriamente dito.

3.2 A REFORMA

Um novo acontecimento veio então dinamizar o processo educacional pouco mais que meio século mais tarde, a Reforma Protestante capitaneada pelo monge católico Martinho Lutero, a partir de 1517. Martinho Lutero era um monge católico inconformado com algumas práticas da Igreja, como a venda de indulgências. Sua revolta levou a cristandade a uma cisão definitiva. Segundo Aranha apud Moser (2008, p. 75):

Lutero defendia a educação universal e pública, solicitando às autoridades oficiais que assumissem essa tarefa, por considerá­-la competência do Estado.

[...]. Propôs jogos, exercícios físicos, música - seus co­rais eram famosos – valorizou os conteú­dos literários e recomendava o estudo de história e das matemáticas”.

As inovações de Lutero na educação foram de tal ordem e importância que passaram a ser copiadas pelas outras Nações da época, sendo o sistema educacional alemão considerado como modelo. Segundo Moser (2008, p.75) houve também críticas à sua visão por muitos que a consideraram cristã demais.

3.3. A CONTRA-REFORMA CATÓLICA

Aí então ocorreu uma explosão educativa com passos importantes dados por protestantes e católicos face a Reforma.

A reação católica à campanha da Reforma Protestante e seu crescimento vertiginoso, a partir de padres da Igreja, cristalizou-se de várias maneiras: a Inquisição foi restabelecida, criou-se uma lista de livros proibidos aos fiéis, fundação de seminários e criação da Companhia de Jesus (que como veremos adiante, participará ativamente na educação católica).

3.3.1 A Companhia de Jesus

Também conhecida como a Ordem dos Jesuítas foi fundada por Inácio de Loyola em 1534. Coube à mesma a tarefa de difundir a educação católica na Europa e também no Brasil. “O método de ensino intitulado Ratio Studiorium, elaborado pelos jesuítas no final do século XVI expandiu-se rapidamente por toda a Europa e regiões do Novo Mundo em fase de ocupação”, segundo Bortoloti (2006, p. 1).

3.3.1.1 Ratio studiorum

Constava das regras e grade de ensino que todas as unidades educacionais dos jesuítas deveriam obedecer em qualquer parte do planeta em que estivessem situadas, cujo objetivo era unificar a educação católica, ministrando todos um mesmo conteúdo, da mesma maneira. Somente eram admitidas modificações em casos excepcionais.

Essa regulamentação foi dividida em duas partes: Studia inferiora e Studia superiora.

3.3.1.1.1 Studia inferiora

Letras Humanas composta de gramática, humanidades e retórica, que era o grau médio e durava três anos. Era o estágio inicial de todo o ensino e baseava-se na literatura greco-latina e mantendo um currículo idêntico.

Filosofia e Ciências (ou curso de artes) também durava três anos e compunha-se de: lógica, introdução às ciências, cosmologia, psicologia, física aristotélica, metafísica e moral, cujo objetivo era formar filósofos.

3.3.1.1.2 Studia superiora

Tecnologia e Ciências Sagradas era a culminância dos estudos e objetivava a formação de padres.

O Latim era ensinado até que os alunos tivessem sobre o mesmo pleno domínio. E entre os jesuítas esse idioma era obrigatório até na conversação mais trivial.

Com a didática a exigência também era grande, recomendando-se a repetição para memorização, e nisso os alunos contavam com os decuriões que eram os melhores alunos e que ficavam responsáveis cada um por nove colegas. Aos sábados eram tomadas as lições da semana, donde originou-se a palavra sabatina. Para os mais adiantados havia torneios de erudição.

O estímulo à competição era fomentado entre indivíduos e classes. A emulação era um recurso muito utilizado através de dramatizações, onde os alunos assumiam identidades fictícias como: imperador, ditador, cônsul, tribuno, senador, cavaleiro, decurião, edil, etc. Eram também divididos em duas facções como, por exemplo: romanos e cartagineses.

Os que mais se destacavam na emulação eram premiados em cerimônias pomposas com a presença de familiares, autoridades civis e eclesiásticas. Montavam peças de teatro com textos clássicos e litúrgicos, desde diálogos até comédias e tragédias.

Tinham colégios com internato e externato, com muito estudo e atividades recreativas. As férias eram bem curtas para que os alunos não tivessem a mínima oportunidade de desviar-se dos ensinamentos recebidos. Seu olhar seguia os alunos a todas as partes. Quando houvesse necessidade de algum castigo físico, era contratado um ‘corretor’ fora dos quadros da instituição.

“Os jesuítas tornaram-se famosos pelo empenho em institucionalizar o colégio como local por excelência, de formação religiosa, intelectual e moral das crianças e dos jovens” segundo Aranha apud Moser (2008, p. 77):

“[...] Os jesuítas foram o primeiro grupo organizado a tentar sistematizar a educação, e aqueles que estudam em nestas escolas, ainda hoje existentes, possuem características interessantes e inegáveis de seus fundadores. Com o tempo a Sociedade dos Jesuítas, junto com suas idéias de educação, foi estendida para a maioria dos países da Europa. [...] vale ressaltar que a educação jesuítica procurou desenvolver não só os aspectos religiosos, mas também a potencialidade das pessoas”. (ARANHA apud MOSER, 2008, p. 78).


4 O SURGIMENTO DOS COLÉGIOS.

Metodologias da Idade Média ainda sobreviviam mas percebe-se um maior interesse na integração entre professores e alunos, tornando a educação mais participativa. Aranha apud Moser (2008, p. 73) cita que:

“o aparecimento dos colégios, do século XVI até o XVIII , foi um fenômeno correlatado ao surgimento da nova imagem da infância e da família. [...].

Em 1452, ao reestruturar a Universidade de Paris, a Faculdade de Artes tornou-se propedêutica às outras três (filosofia, medicina e leis), lançando-se, desse modo a semente do curso colegial, o que favoreceu a separação mais nítida dos graus secundário e superior”.

5 CONCLUSÃO

Fica claro que o Renascimento foi uma conseqüência de fatos anteriores e que foi gestado ao longo dos muitos séculos finais do Período Medieval, que, por sua vez, também não foi aquela noite escura de mais de mil anos, entendida por alguns historiadores. Durante esse período houve uma grande evolução na forma e conteúdo de transmissão dos conhecimentos. O Renascimento estabeleceu alguns métodos na educação de crianças e jovens. O papel desempenhado pelo surgimento da Imprensa e a Reforma liderada por Lutero foi decisivo, tornando-se difícil eleger um dos fatores como fundamental. Defende-se como o fator mais importante a Reforma, já que a mesma mobilizou a Igreja Católica que era hegemônica espiritual e economicamente. Mas tanto a Reforma como a Contra-Reforma provocaram um avanço inegável, e que ainda hoje repercute na educação ocidental e mundial. Mesmo se tratando de ações conseqüentes

6 REFERÊNCIAS

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da educação e da pedagogia. São Paulo: Moderna, 2006.

BORTOLOTI, Karen Fernanda da Silva. O Ratio Studiorium e a missão no Brasil. Disponível em: <http://www.uniasselvi.com.br/aprendizagem/o-2.0/material_apoio/material_apoio_aluno.php>.
Acessado em: 06 mar. 2008.

BURNS, Edward Mcnall. História da civilização ocidental: do homem das cavernas até a bomba atômica. 24.ed. Porto Alegre: Globo, 1981.

MAN, John. A revolução de Gutenberg: a história de um gênio e da invenção que mudaram o mundo. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.

MOSER, Giancarlo. História da educação. Indaial: Asselvi, 2008.

Segunda-feira, 7 Julho, 2008 - Publicado por Henrique Miranda | Academia livre | , , | 16 Comentários

16 Comentários »

  1. eu axei ótimo…….
    vai me ajudar muito em um paper da faculdade……
    muito obrigado.

    abraço.

    Comentário por Janaina Calistro | Sábado, 16 Agosto, 2008

  2. muito me ajudou no meu paper …. obrigadâo ok vera….

    Comentário por Vera Freitas | Sábado, 16 Agosto, 2008

  3. Realmente um primor de trabalho… muito me elucidou em relação ao trabalho que eu fiz.
    Obrigado e continuem sempre assim.

    Comentário por Arne Balbinotti | Domingo, 17 Agosto, 2008

  4. Paper de qualidade é isso aí seu Carlos!!

    Comentário por Deysi | Segunda-feira, 18 Agosto, 2008

  5. ótimo paper me ajudou muito.!@

    Comentário por fabio bão | Quinta-feira, 21 Agosto, 2008

  6. Me ajudou muitoooooooooo, deu uma luz para o meu PAPER…

    Comentário por | Sábado, 23 Agosto, 2008

  7. me ajudou a fazer a prova,obg.

    Comentário por aline | Terça-feira, 23 Setembro, 2008

  8. muito bom …minha pesquisa ganhou bons ares.Parabéns…

    Comentário por narayna | Domingo, 28 Setembro, 2008

  9. Muito bom, pude entender um pouco sobre a educação no renascimento.

    Comentário por Verônica | Domingo, 5 Outubro, 2008

  10. Desde de já agradeso a esse site sobre essas questões me ajudou muito para meu trabalho obrigado

    Comentário por valéria alves de oliveira | Domingo, 23 Novembro, 2008

  11. De nada, Valéria. Ficamos felizes pelo nosso blogue compartilhar conhecimentos com os seus leitores. Bom Trabalho e ótimos estudos. Abraço fraterno,
    Henrique

    Comentário por Henrique Miranda | Domingo, 23 Novembro, 2008

  12. Parabens pelo trabalho…

    Comentário por Rafaela | Quarta-feira, 6 Maio, 2009

  13. preciso fazer um trabalho de história,sobre a educação e o renascimento no seculo xv e xvi,mais o meu professor não quer nada escrito ele quer que agente represente, mais eu não sei como, será que vc poderia me ajudar e para segunda feira , por favor .Obrigado.

    Comentário por valmir | Quinta-feira, 7 Maio, 2009

  14. brigadão heeim! me ajudou muito! ficou bem legal!
    bjo, continue assim!

    Comentário por karol | Domingo, 31 Maio, 2009

  15. É um texto muito produtivo com uma linguagem clara e objetiva…aborda questões importantes da educação na transgresão da idade média pelo período Renascentista! obrigada…

    Comentário por Ana Paula | Terça-feira, 9 Junho, 2009

  16. Nossa otimo,tudo que eu precisava encontrei aqui…muito bom messsmo!!!

    Comentário por Roberta | Segunda-feira, 22 Junho, 2009


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