Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Assino embaixo e ainda acrescentaria alguns impropérios impublicáveis…

Carta aberta a Sérgio Moro.

Postado em 23 Jun 2016

Uma desgraça nacional

Uma desgraça nacional

Caro Moro:

Me desculpe a franqueza, mas o senhor é uma desgraça nacional. Simboliza a justiça partidária que tanto mal faz ao país.

O senhor é um antiexemplo. No futuro, quando formos uma sociedade mais avançada, ficará a pergunta: como pudemos tolerar um juiz tão parcial?

Sequer as aparências o senhor respeitou. São abjetas as imagens em que o senhor aparece ao lado de barões da mídia como João Roberto Marinho e de políticos da direita como João Dória.

O senhor tem ideia do que aconteceria na Inglaterra se um juiz com tanto poder como o senhor confraternizasse com caciques da política e da mídia?

Mas o pior não foram as aparências: foram e são os atos práticos.

Como o senhor não se envergonhou de participar dos espetáculos circenses em que o objetivo era criminalizar um e apenas um partido, o PT?

Como o senhor não se envergonhou em passar para a Globo conversas criminosamente gravadas entre Lula e Dilma?

Caro Moro: como o senhor consegue dormir?

Vejamos os fatos destes últimos dias. O senhor e sua Lava Jato foram fulminantes em prender um ex-ministro de Lula e embaraçar o editor de um site que representa um tipo de visão completamente ignorado pelas grandes empresas jornalísticas.

Funcionários da PF, em extravagantes uniformes de camuflagem e fortemente armados, se deixaram também fotografar em frente à sede do PT em São Paulo.

O senhor tem noção do ridículo, do patético disso? Parecia que os policiais estavam indo desbaratar uma célula dos Estados Islâmicos.

Mas, ao mesmo tempo, ficamos todos sabendo que vocês fracassaram miseravelmente não uma, mas duas vezes em intimar a mulher de Eduardo Cunha, Claudia Cruz.

Vocês não sabem sequer onde ela fica para entregar a intimação? Ou o empenho frenético em investigar e atacar um lado é contrabalançado pela negligência obscena em tratar casos ligados ao outro lado?

O senhor tem ideia do desgaste que este tipo de coisa provoca em sua imagem em milhões de brasileiros?

Um homem pode ser medido pelos admiradores que semeia. O senhor é hoje venerado pelo mesmo público que idolatra Bolsonaro: são pessoas essencialmente racistas, homóficas, raivosas, altamente conservadoras e brutalmente desinformadas.

O senhor não combateu, verdadeiramente, a corrupção. O senhor combateu e combate o PT. São duas coisas distintas. Falo isso com a tranquilidade de quem jamais pertenceu ao PT ou teve qualquer vínculo com o partido.  Meu pai se elegeu presidente do sindicato dos jornalistas de SP, no começo dos anos 1980, numa disputa épica contra o representante do PT, Rui Falcão. Jamais superei certas mágoas do PT até porque meu pai era meu norte e meu sul, meu leste e meu oeste.

Não fossem os delatores, as roubalheiras de gente como Aécio, Temer e Jucá prmaneceriam desconhecidas e intocadas.

Não fossem as autoridades suíças, as contas secretas que finalmente liquidaram a maior vocação corrupta das últimas décadas no Brasil não seriam conhecidas, e Eduardo Cunha continuaria a cometer seus crimes.

Caro Moro: o senhor há de ter o mesmo destino de um homem que teve um papel igual ao seu na política brasileira, Joaquim Barbosa.

A mídia o usou e espremeu ao máximo, e depois o descartou. JB não é nota sequer de rodapé dos jornais e revistas. Não é ouvido para nada.

O senhor, como JB no Mensalão, está tendo seus dias de Cinderela, porque é útil à plutocracia. Mas Gata Borralheira sempre ronda a Cinderela, como o senhor sabe.

Sinceramente.

Paulo

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Paulo Nogueira
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O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

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sexta-feira, 24 junho, 2016 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

A gagueira eloquente do beiçola togado…

A confissão de Gilmar na Suécia.

Postado em 18 Jun 2016

Não importa se Dilma pedalou ou não

Foi divertido ver um vídeo de Gilmar Mendes na Suécia, feito pelo Cafezinho.

O que ele foi fazer lá é irrelevante.

O que importa foi o que ele disse a um jornalista contratado pelo Cafezinho, Wellington Calasans. Disse gaguejando, aliás. Como notou Miguel do Rosário, editor do site, Gilmar estava longe de sua zona de conforto. Não estava dando entrevista por seus amigos da Globo, da Folha, da Veja, aquele tipo de coisa em que está tudo combinado.

A Toga Falante, como ele está sendo chamado nas redes sociais, vacilou.

Mas o realmente extraordinário foi a admissão do seguinte: o processo de impeachment é uma farsa. Um circo. Uma palhaçada.

Ele não usou exatamente estas palavras, claro, mas foi isso o que gaguejou.

Se Dilma cometeu ou não o crime de que é acusada — as pedaladas — não quer dizer nada, confessou Gilmar. O que vale, unicamente, é que ela não teve os votos necessários na Câmara para deter a ação do sindicado de ladrões montado por Eduardo Cunha.

Ora, ora, ora.

O ministro Luís Barroso dissera algo parecido alguns dias antes. Parece ser algo ensaiado no STF para justificar a indecente omissão no golpe. Os juízes deliberam sobre pipoca no cinema, mas se acoelham e silenciam diante de um golpe de Estado. E o infame Toffoli tem a petulância de dizer que falar em golpe é ofender as instituições brasileiras.

O parecer pelo impeachment pelo qual Janaína recebeu 45 mil reais do PSDB não é nada. Todos os debates em torno das pedaladas são nada. Todas as sessões na Câmara e no Senado são nada. Todas as declarações de corruptos como Aécio e FHC são nada.

É um julgamento de mentirinha, portanto. É o avesso da real justiça. É como os julgamentos de Stálin na década de 1930 em que o veredito era conhecido assim que o processo era aberto.

É um julgamento paraguaio, numa palavra.

54 milhões de votos foram triturados numa encenação criminosa que se arrasta há meses.

Qual o custo disso para o país? Quem vai pagar por ele?

Talvez o próprio Gilmar possa responder a essa questão numa próxima ocasião — caso não esteja falando com amigos da Globo.

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Paulo Nogueira
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segunda-feira, 20 junho, 2016 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

Coxinhas: não é possível enganar a todos, por todo o tempo…

Greenwald: Enquanto a corrupção assombra Temer, caem as máscaras dos movimentos pró-impeachment

Postado em 16 Jun 2016

Publicado no Intercept. POR GLENN GREENWALD

 

O impeachment da presidente do Brasil democraticamente eleita, Dilma Rousseff, foi inicialmente conduzido por grandes protestos de cidadãos que demandavam seu afastamento. Embora a mídia dominante do país glorificasse incessantemente (e incitasse) estes protestos de figurino verde-e-amarelo como um movimento orgânico de cidadania, surgiram, recentemente, evidências de que os líderes dos protestosforam secretamente pagos e financiados por partidos da oposição. Ainda assim, não há dúvidas de que milhões de brasileiros participaram nas marchas que reivindicavam a saída de Dilma, afirmando que eram motivados pela indignação com a presidente e com a corrupção de seu partido.

Mas desde o início, havia inúmeras razões para duvidar desta história e perceber que estes manifestantes, na verdade, não eram (em sua maioria) opositores da corrupção, mas simplesmente dedicados a retirar do poder o partido de centro-esquerda que ganhou quatro eleições consecutivas. Como reportado pelos meios de mídia internacionais, pesquisas mostraram que os manifestantes não eram representativos da sociedade brasileira mas, ao invés disso, eram desproporcionalmente brancos e ricos: em outras palavras, as mesmas pessoas que sempre odiaram e votaram contra o PT. Como dito pelo The Guardian, sobre o maior protesto no Rio: “a multidão era predominantemente branca, de classe média e predisposta a apoiar a oposição”. Certamente, muitos dos antigos apoiadores do PT se viraram contra Dilma – com boas razões – e o próprio PT tem estado, de fato, cheio de corrupção. Mas os protestos eram majoritariamente compostos pelos mesmos grupos que sempre se opuseram ao PT.

É esse o motivo pelo qual uma foto – de uma família rica e branca num protesto anti-Dilma seguida por sua babá de fim de semana negra, vestida com o uniforme branco que muitos ricos  no Brasil fazem seus empregados usarem – se tornou viral: porque ela captura o que foram estes protestos. E enquanto esses manifestantes corretamente denunciavam os escândalos de corrupção no interior do PT – e há muitos deles – ignoravam amplamente os políticos de direita que se afogavam em escândalos muitos piores que as acusações contra Dilma.

 

Claramente, essas marchas não eram contra a corrupção, mas contra a democracia: conduzidas por pessoas cujas visões políticas são minoritárias e cujos políticos preferidos perdem quando as eleições determinam quem comanda o Brasil. E, como pretendido, o novo governo tenta agora impor uma agenda de austeridade e privatização que jamais seria ratificado se a população tivesse sua voz ouvida (a própria Dilma impôs medidas de austeridade depois de sua reeleição em 2014, após ter concorrido contra eles).

Depois das enormes notícias de ontem sobre o Brasil, as evidências de que estes protestos foram uma farsa são agora irrefutáveis. Um executivo do petróleo e ex-senador do partido conservador de oposição, o PSDB, Sérgio Machado, declarou em seu acordo de delação premiada que Michel Temer – presidente interino do Brasil que conspirou para remover Dilma – exigiu R$1,5 milhões em propinas para a campanha do candidato de seu partido à prefeitura de São Paulo (Temer nega a informação). Isso vem se somar a vários outros escândalos de corrupção nos quais Temer está envolvido, bem como sua inelegibilidade se candidatar a qualquer cargo (incluindo o que por ora ocupa) por 8 anos, imposta pelo TRE por conta de violações da lei sobre os gastos de campanha.

E tudo isso independentemente de como dois dos novos ministros de Temer foram forçados a renunciar depois que gravações revelaram que eles estavam conspirando para barrar a investigação na qual eram alvos, incluindo o que era seu ministro anticorrupção e outro – Romero Jucá, um de seus aliados mais próximos em Brasília – que agora foi acusado por Machado de receber milhões em subornos. Em suma, a pessoa cujas elites brasileiras – em nome da “anticorrupção” – instalaram para substituir a presidente democraticamente eleita está sufocando entre diversos e esmagadores escândalos de corrupção.

Mas os efeitos da notícia bombástica de ontem foram muito além de Temer, envolvendo inúmeros outros políticos que estiveram liderando a luta pelo impeachment contra Dilma. Talvez o mais significante seja Aécio Neves, o candidato de centro-direita do PSDB derrotado por Dilma em 2014 e quem, como Senador, é um dos líderes entre os defensores do impeachment. Machado alegou que Aécio – que também já havia estado envolvido em escândalos de corrupção – recebeu e controlou R$ 1 milhão em doações ilegais de campanha. Descrever Aécio como figura central para a visão política dos manifestantes é subestimar sua importância. Por cerca de um ano, eles popularizaram a frase “Não é minha culpa: eu votei no Aécio”; chegaram a fazer camisetas e adesivos que orgulhosamente proclamavam isso:

 

Evidências de corrupção generalizada entre a classe política brasileira – não só no PT mas muito além dele – continuam a surgir, agora envolvendo aqueles que antidemocraticamente tomaram o poder em nome do combate a ela. Mas desde o impeachment de Dilma, o movimento de protestos desapareceu. Por alguma razão, o pessoal do “Vem Pra Rua” não está mais nas ruas exigindo o impeachment de Temer, ou a remoção de Aécio, ou a prisão de Jucá. Porque será? Para onde eles foram?

Podemos procurar, em vão, em seu website e sua página no Facebook por qualquer denúncia, ou ainda organização de protestos, voltados para a profunda e generalizada corrupção do governo “interino” ou qualquer dos inúmeros políticos que não sejam da esquerda. Eles ainda estão promovendo o que esperam que seja uma marcha massiva no dia 31 de julho, mas que é focada no impeachment de Dilma, e não no de Temer ou de qualquer líder da oposição cuja profunda corrupção já tenha sido provada. Sua suposta indignação com a corrupção parece começar – e terminar – com a Dilma e o PT.

Neste sentido, esse movimento é de fato representativo do próprio impeachment: usou a corrupção como pretexto para os fins antidemocráticos que logrou atingir. Para além de outras questões, qualquer processo que resulte no empoderamento de alguém como Michel Temer, Romero Jucá e Aécio Neves tem muitos objetivos: a luta contra a corrupção nunca foi um deles.

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Sobre o Autor

Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

sexta-feira, 17 junho, 2016 Posted by | Repassando... | | Deixe um comentário

Playboy reles do Leblon: o inferno é aqui mesmo…

Carta aberta a Aécio Neves.

Postado em 16 Jun 2016

Cavou sua sepultura

Caro Aécio:

Que diferença um ano e meio faz, hem? Lembro você fazendo uma campanha à base da palavra corrupção contra Dilma.

Você chegou a empregar a expressão mar de lama, a mesma com que o corvo Lacerda martelou criminosamente Getúlio atpe levá-lo a dar um tiro no peito.

Você se comportava como um cidadão acima do bem e do mal, um homem tão incorruptível como Robespierre, um exemplo de retidão como o romano Catão.

Uns poucos sabíamos que era uma mentira mantida pelos barões de imprensa. Eles simplesmente mandavam não publicar nada que afetasse sua imagem de homem de elevados princípios morais.

Mas agora seu “esquema” é de domínio amplo, geral e irrestrito. A já histórica delação de Sérgio Machado citou-o não uma, não duas, não três — mas quarenta vezes.

Machado disse que lhe deu os meios para financiar a campanha de 50 deputados, quantidade suficiente para lhe dar a presidência da Câmara no final dos anos 1990.

Isto faz de você um elo entre seu mentor, FHC, o homem que comprou os votos para poder ser reeleito, e Eduardo Cunha, que também financiou a campanha de deputados e com isso virou, como você, presidente da Câmara.

Outros delatores também mencionaram você. Delcídio, por exemplo, falou de Furnas. Sua irmã, Andrea, foi outro nome frequente. Uma das coisas que ela fez foi, quando você governava Minas, transferir dinheiro público para os veículos de mídia da família.

Caro Aécio: isto é indecente. Mas ninguém lhe cobrou. E é fácil de entender: você destinava uma bolada publicitária à Globo, e os Marinhos pensam nisso e só nisso.

Você está em todas.

Isso quer dizer que você, políticamente, é um morto que anda. Todas as denúncias serão lembradas em qualquer debate do qual você participe. E você não terá resposta. Sua campanha girou em torno da corrupção dos outros. O problema agora é sua própria corrupção.

Você se transformou numa farsa, em suma. Como aqueles pastores americanos que condenavam a homossexualidade durante o dia e à noite se esgueiravam em pontos gays.

Você foi desmascarado.

E no entanto foi você mesmo quem deflagrou o processo que o triturou ao se comportar como um homem mimado, estragado, que não sabe aceitar a derrota.

Tivesse a elegância mínima de aceitar a vitória da adversária, estaria em boa situação hoje para as eleições presidenciais. Seus 50 milhões de votos eram um grande cacife para uma segunda tentativa.

Mas não. Inventou pretextos sobre pretextos para subverter as urnas. Deu as mãos a Eduardo Cunha no trabalho sujo contra a democracia e contra Dilma. Contratou uma desvairada como Janaína Paschoal para elaborar um projeto imundo de impeachment.

Tudo foi muito bem para você — até ir muito mal. Seu nome começou a aparecer nas denúncias de roubalheira, e não saiu mais. Já não era apenas o aeroporto particular construído com recursos públicos perto de sua casa de campo. Eram coisa muito mais graves.

Você, numa palavra, se ferrou.

É hoje motivo de desprezo, ódio, rejeição ampla, geral e irrestrita.

Você confiava que mesmo que os delatores citassem você a imprensa daria um jeito de suprimir as menções. Mas você prevaricou tanto que nem a Globo conseguiu manter você fora do noticiário.

E olhe que a Globo foi aparelhada por você. O chefe de política do jornal Globo em Brasília, Paulo César Pereira, é seu parente. O laço foi reforçado: você é padrinho de casamento de Paulo. A mulher de Paulo é Andrea Sadi, repórter de política da GloboNews. Sua afilhada, portanto.

Joseph Pulitzer, o maior editor da história para muitos, dizia que jornalista não podia ter amigos, ou isso deformaria o seu trabalho.

Que você acha disso, Aécio?

Montaigne disse que a maldade traz seu próprio castigo. Você foi mau ao conspirar contra Dilma. E o castigo está aí.

Falta apenas uma coisa: uma tornozeleira. Vejo em você uma perna à espera de uma tornoleira.

Sinceramente.

Paulo

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Paulo Nogueira
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O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

sexta-feira, 17 junho, 2016 Posted by | Repassando... | | Deixe um comentário

A melhor defesa é o ataque…

Lula quer que a PGR investigue Moro

Será que o juiz desrespeitou os Direitos Humanos?
publicado 16/06/2016
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Agora no G1:

Lula pede que PGR investigue Moro por suposto ‘abuso de autoridade’

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu nesta quinta-feira (16) à Procuradoria Geral da República (PGR) uma investigação sobre o juiz Sérgio Moro, que conduz a Operação Lava Jato na primeira instância, por suposto “abuso de autoridade”.

O pedido aponta uma série de decisões do magistrado que, segundo a defesa, causaram “violência” à liberdade e à dignidade do petista, além de “um enorme constrangimento e escabroso vexame”, em referência a diligências determinadas para investigar Lula.

(…)

Na representação apresentada à PGR, os advogados de Lula afirmam que as medidas autorizadas por Moro também violaram a Convenção Interamericana de Direitos Humanos. Citam, por exemplo, a condução coercitiva que obrigou Lula a depor no início de março.

“Sérgio Moro privou Lula de sua liberdade por cerca de seis horas no dia 4 de março, por meio de providência não prevista em lei (e que havia sido proibida na véspera pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em outro procedimento) – a realização de condução coercitiva sem prévia intimação desatendida”, diz um trecho.

O documento também cita decisão recente do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF) que anulou a validade da gravação de uma das conversas entre Lula e a presidente afastada Dilma Rousseff, sobre o envio de um termo de posse na Casa Civil.

sexta-feira, 17 junho, 2016 Posted by | Repassando... | | Deixe um comentário

O Lula não tem pés de barro…

O fracasso da mídia em exterminar Lula fica claro no Datafolha.

Postado em 09 Apr 2016
por : Paulo Nogueira

A mídia quis matar Lula, mas ...

A mídia quis matar Lula, mas …

Uma vez, numa conversa com Zé Dirceu já nem sei lá exatamente a propósito de que, ele disse o seguinte: “Os políticos têm pavor de 30 segundos no Jornal Nacional.”

Lembrei. Eu falava do vigor florescente da mídia digital e Dirceu retrucou com a força da mídia tradicional, mais especificamente a Globo.

Aquela conversa me veio à cabeça ao ver o Datafolha de hoje.

Lula nas últimas semanas sofreu massacres sucessivos do Jornal Nacional que foram muito, mas muito além dos 30 segundos citados por Dirceu.

Fernando Morais cronometrou 23 minutos num determinado dia.

Era para Lula estar carbonizado. Apartamento, sítio, ações pirotécnicas da Polícia Federal e da Lava Jato, grampos supostamente incriminadores em que conversas de Lula e Dilma foram interpretadas pelos locutores do JN: nada faltou.

Ao assassinato de reputação de Lula pela Globo se somou ainda o trabalho sujo de jornais e revistas como Veja, Época, IstoÉ, Folha, Estadão, Globo, para não falar de inumeráveis colunistas patronais.

A plutocracia jogou bombas atômicas em Lula. Ou o que ela julgava serem bombas atômicas.

Mas.

Eis que Lula aparece na liderança das pesquisas de intenções de voto para 2018.

E Aécio, tão poupado pela Globo, despenca rumo ao cemitério político. Moro, tão bajulado, aparece na rabeira.

Isso quer dizer o seguinte.

Primeiro, e acima de tudo: Lula é muito mais forte do que a plutocracia sonhava. A jararaca está aí. Sozinho, Lula comandou nas duas últimas semanas um formidável movimento popular de reação ao golpe que a direita imaginava ser coisa liquidada.

Segundo, está aí a prova cabal da perda de influência da Globo e da imprensa em geral.

Tanta perseguição do Jornal Nacional e coadjuvantes para Lula, em vez de estar morto, ser líder das intenções de voto?

É um fracasso espetacular.

Se tiver um mínimo de lucidez, a cúpula da Globo vai se reunir para tentar entender o fiasco miserável.

O antijornalismo que a Globo passou a adotar recentemente, claramente inspirado na Veja, já não funciona entre os brasileiros.

O JN parece, hoje, uma Veja eletrônica. A Globo como um todo, aliás. Uma pequena demonstração disso reside num diretor da casa, Erick Bretas, que conseguiu se fantasiar de Moro em sua conta no Facebook. Isso é um acinte, um insulto ao jornalismo decente.

Ao contrário de outros tempos, a internet funciona como um contraponto aos crimes jornalísticos das grandes corporações de mídia.

Quanto mais um veículo perde o pé no antipetismo radical, menos influência tem. A Veja é o exemplo maior. Ninguém exceto seus leitores, e eles mesmos em número sempre menor, a leva a sério.

A Globo tomou o mesmo caminho. Ficou aloprada.

Mas nem seus funcionários parecem acreditar nela mais. Estrelas de suas novelas queixaram-se publicamente, nas últimas semanas, da cobertura do Jornal Nacional, mesmo ao preço de arriscar o pescoço.

Do mar de lama em que se meteu a imprensa emergiu, paradoxalmente, Lula.

Quiseram exterminá-lo, e no entanto o que fizeram foi uma propaganda involuntária de Lula para 2018.

Não adianta tentar transformar Moro em herói. Não é. É um herói de mentirinha. Lula é, ele sim, um herói do povo, quer a plutocracia goste ou não.

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Paulo Nogueira
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domingo, 12 junho, 2016 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

Nem as testemunhas do Trairão estão ajudando a manter o golpe…

Testemunhas da acusação, funcionários do Tesouro favorecem defesa de Dilma

Postado em 9 de junho de 2016 às 8:10 am

Do uol:

fogo1Os senadores da base aliada de Temer indicaram funcionários de carreira do Tesouro Nacional como testemunhas de acusação na comissão do impeachment. Os depoimentos, entretanto, foram vistos de forma positiva pelos aliados de Dilma, que elogiaram os servidores.
Já era madrugada desta quinta-feira quando o coordenador-geral de operações de crédito (Copec) do Tesouro Nacional, Adriano Pereira de Paula, pôde responder às questões dos senadores.

Adriano afirmou que toda a quitação do passivo de 2015 foi feita até 28 de dezembro, ou seja, dentro do exercício e em conformidade com a Lei de Responsabilidade Fiscal. O funcionário do Tesouro disse que houve restos a pagar em 2016, mas que eram tecnicamente possíveis.

Adriano também afirmou ser plausível dizer que o valor do Plano Safra não seja definido por um único integrante do governo federal, ou seja, retirando a autoria da presidente afastada Dilma Rousseff da operação de crédito chamada de pedalada fiscal.

As declarações do servidor do Tesouro foram tão satisfatórias para a defesa que o ex-advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, parabenizou a testemunha da acusação e não quis fazer a ele nenhuma outra pergunta.

O secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Otávio Ladeira, foi a última testemunha do dia. Ele confirmou que, em 2013, a equipe do órgão identificou problemas fiscais, mas não fez nenhum encaminhamento especial para a presidente Dilma.

Ladeira afirmou ainda que, em 2015, ano que é analisado no processo de impeachment, houve “inflexão” em relação aos anos anteriores, no sentido de que o governo se esforçou em fazer pagamentos atrasados e quitar débitos. Dessa forma, “todos os pagamentos foram realizados até dezembro”, inclusive as pedaladas.

“É importante comentar que em abril foi criado um comitê de subsecretários para evitar atrasos nos pagamentos – ou, se houvesse, que fosse uma decisão colegiada”, afirma Ladeira.

Mais uma vez, Cardozo abriu mão de fazer perguntas à testemunha, satisfeito com as declarações que caracterizou como “técnicas”. Ladeira se despediu da comissão sob elogios de senadores petistas, que disseram que a testemunha trouxe declarações “verdadeiras”, independentes de posicionamentos políticos.

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PS: a imagem acima foi inserida por este blogueiro.

sexta-feira, 10 junho, 2016 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

Trairão: espécie em processo de breve extinção…

Por que a pesquisa CNT/MDA é mortal para Temer.

Postado em 08 Jun 2016
Rejeitado desde a largada

Rejeitado desde a largada

Leitores do DCM correram para desqualificar a pesquisa CNT/MDA que acabou de sair.

Com toda a maquiagem que possa ter sido feita, ela é extraordinariamente reveladora no que diz respeito a Temer.

Apenas 11,3% dos ouvidos aprovam Temer. A mídia está tentando mitigar o efeito explosivo deste número comparando-o com o de Dilma nos últimos dias antes do impeachment.

Mas é uma falácia.

Dilma vinha sob frenético bombardeio da mídia. Manifestações de analfabetos políticos recebiam holofotes superpotentes, bem como as ações espetaculosas da Lava Jato.

Só por milagre ela teria bons índices nas pesquisas, dadas as circunstâncias.

Mas com Temer a história é bem diferente. Ele foi vendido pela imprensa como alguém capaz de unificar o país. Ele próprio, num momento de ufanismo idiota, afirmou que faria um governo de “salvação nacional”.

O tempo desgasta qualquer governo. Há sempre uma lua de mel para novos presidentes, uma taxa de tolerância que aos poucos vai minguando.

Temer conseguiu liquidar a lua de mel antes mesmo de começá-la. Os números demonstram que ele foi rejeitado desde a largada. É um patinho feio sem jamais ter tido um instante de cisne.

Para ele, o cenário só tende a piorar. Se ele carrega um índice miserável de apoio agora, quando teoricamente seu crédito seria alto, que vai acontecer daqui por diante?

Quando ele vai chegar a zero?

Churchill, num de seus grandes momentos como orador, disse o seguinte de um líder trabalhista que estava no poder, Clement Attle. “Um táxi chegou vazio a Downing Street 10 e dele desceu o Attle.” (Aquela é a sede do governo britânico.)

O mesmo vale para Temer. Um táxi chegou vazio ao Planalto, e dele desceu Temer.

Ele não tem a mínima condição de governar o Brasil numa situação tão dramática. Não há ajuda da mídia capaz de mudar este fato básico da vida como ele é.

Temer é uma desgraça, e é assim que os brasileiros o enxergam quando a plutocracia imaginava que ele seria visto como uma solução.

O golpe micou.

Restam duas alternativas. Uma é devolver a Dilma o que lhe foi roubado. A outra é chamar eleições presidenciais o mais rápido possível.

Até pela brutal injustiça de que Dilma foi vítima, preferiria a alternativa um. Mas penso que a dois — novas eleições — é a que tende a vencer.

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Paulo Nogueira
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Batendo em cadela morta…

Carta aberta a Janaína Paschoal.

Por Paulo Nogueira

Postado em 08 Jun 2016

Janaína em seu momento supremo no golpe

Janaína em seu momento supremo no golpe

Cara Janaína:

Leio que você se sente esquecida pelos homens a quem ajudou no golpe com seu parecer a favor do impeachment.

Você foi usada. Você foi comprada. Por 45 mil reais o PSDB obteve de você uma peça que suprimiu 54 milhões de votos e interrompeu uma democracia tão jovem..

Saiu barato para os liderados pelo Decano do Golpe, FHC, e seu Robin, Aécio. Cada real empregado neste projeto matou quase mil votos.

E esqueceram você.

Não se desespere, porém. Você será eternamente lembrada por brasileiros numa quantidade infinitamente maior do que a soma de todos os golpistas.

Pertence já à história o espetáculo em que você, como que possuída, girava a cabeça para lá e para cá. Prometia matar a cobra, se me lembro.

Só não foi o espetáculo mais patético do golpe porque, não muito tempo depois, deputados corruptos agarrados a bandeiras disseram sim ao golpe em nome da família quadrangular, dos maços, dos filhos e netos.
Também, lembremos, em nome de pais e maridos. O marido homenageado foi preso por corrupção no dia seguinte. O pai louvado teve o mesmo destino algumas semanas depois.

Não fossem os deputados, sua performance em que você abateu um réptil, previsivalmente viralizada nas redes sociais, seria o retrato perfeito do golpe.

Você será lembrada para sempre não como uma jurista, mas, e temos aí ao menos uma rima, como uma golpista que se comportou como uma fâmula da plutocracia.

Você excluiu do grupo que a largou o senador Aloysio Nunes. Cuidado, Janaína. Um internauta notou, depois de saber disso, que a companhia do senador Aloysio é a pior forma de solidão que um ser humano pode enfrentar.

Mulheres usadas e abandonadas costumam comover. A literatura está cheia de casos assim. Ana Karenina ainda hoje nos comove. Ema Bovary também. Gostaríamos de abraçá-las e confortá-las em face de um universo masculino tão canalha.

Mas você é um caso especial. Seu infortúnio não emociona. Não provoca lágrimas de solidariedade. Gera, antes, um tipo de satisfação como se, afinal, alguma justiça foi feita. Em vez de choro, risadas, ou mesmo gasgalhadas.

Montaigne escreveu que a maldade traz seu próprio castigo. Penso nesta frase e acho que ela se aplica perfeitamente a você.

Não a esqueceremos.

Sinceramente.

Paulo

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Paulo Nogueira
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A que ponto chega o ódio ao Lula…

5/6/2016 19:27

Gravação mostra Procurador da Lava Jato ameaçando testemunha para incriminar Lula

Procurador chega a ameaçar para forçar depoimento e delação contra Lula, áudio bombástico que mostra como funcionam as delações negociadas

Conjur pode ser lido Aqui

Por Pedro Vasconcelos

Ameaçar testemunhas com o intuito de influenciar o resultado de uma investigação criminal configura crime de coação no curso do processo, previsto no artigo 344 do Código Penal, já decidiu o Supremo Tribunal Federal. No entanto, é difícil imaginar qual é o possível desfecho quando a atitude é do próprio Ministério Público Federal.
Ameaças veladas, como “se o senhor disser isso, eu apresento documentos, e aí vai ficar ruim pro senhor”, que poderiam estar em um filme policial, foram feitas em plena operação “lava jato”. E em procedimento informal, fora dos autos.

O cenário é uma casa humilde no interior de São Paulo. Quatro procuradores batem à porta e, atendidos por familiares do morador — que presta serviços de eletricista, pintor e jardinagem em casas e sítios—, começam a questionar se ele trabalhou no sítio usado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e se conhece um dos donos do imóvel, o empresário Jonas Suassuna. Ao ouvirem que o homem não conhecia o empresário nem havia trabalhado no local, começam o jogo de pressões e ameaças:

Procurador: Quero deixar o senhor bem tranquilo, mas, por exemplo, se a gente chamar o senhor oficialmente pra depor daqui a alguns dias, e você chegar lá pra mim e falar uma coisa dessas…
Interrogado: Dessas… Sobre o quê?
Procurador: Sobre, por exemplo, o senhor já trabalhou no sítio Santa Barbara?
Interrogado: Não trabalho.
Procurador: O senhor já conheceu o senhor Jonas Suassuna?
Interrogado: Nunca… Nunca vi.
Procurador: O senhor já fez algum pedido pra ele em algum lugar?
Interrogado: Nem conheço.
Procurador: Então, por exemplo, aí eu te apresento uma série de documentações. Aí fica ruim pro senhor, entendeu?

A conversa foi gravada pelo filho do interrogado, um trabalhador da região de Atibaia. Os visitantes inesperados eram os procuradores do Ministério Público Federal Athayde Ribeiro Costa, Roberson Henrique Pozzobon, Januário Paludo e Júlio Noronha.

Nas duas gravações, obtidas pela ConJur, os membros do MPF chegam na casa do “faz tudo” Edivaldo Pereira Vieira. Sutilmente, tentam induzi-lo, ultrapassando com desenvoltura a fronteira entre argumentação e intimidação, dando a entender que dizer certas coisas é bom e dizer outras é ruim.

Na insistência de que o investigado dissesse o que os procuradores esperavam ouvir, fazem outra ameaça velada a Vieira, de que ele poderia ser convocado a depor e dizer a verdade.

Procurador: É a primeira vez, o senhor nos conheceu agora, e eventualmente talvez a gente chame o senhor pra depor oficialmente, tá? Aí, é, dependendo da circunstância nós vamos tomar o compromisso do senhor, né, de dizer a verdade, aí o senhor que sabe…
Interrogado: A verdade?
Procurador: É.
Interrogado: Vou sim, vou sim.
Procurador: Se o senhor disser a verdade, sem, sem problema nenhum.
Interrogado: Nenhum. Isso é a verdade, tô falando pra vocês.
Procurador: Então seu Edivaldo, quero deixar o senhor bem tranquilo, mas, por exemplo, se a gente chamar o senhor oficialmente pra depor daqui a alguns dias, e você chegar lá pra mim e falar uma coisa dessas…

Investigado ou testemunha
Ao baterem à porta de Vieira, um dos procuradores diz: “Ninguém aqui tá querendo te processar nem nada, não”.

No entanto, o nome de Pereira Vieira aparece na longa lista de acusados constantes do mandado de busca e apreensão da 24ª etapa da operação “lava jato”, que investiga se o ex-presidente Lula é o dono de sítio em Atibaia, assinado pelo juiz Sergio Fernando Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba.

Ao se despedirem, deixando seus nomes e o telefone escritos a lápis numa folha de caderno, os membros do MPF insistem que o investigado escondia algo e poderia “mudar de ideia” e decidir falar:

Procurador: Se o senhor mudar de ideia e quiser conversar com a gente, o senhor pode ligar pra gente?
Interrogado: Mudar de ideia? Ideia do quê?
Procurador: Se souber de algum fato.
Interrogado: Não…
Procurador: Se você resolver conversar com a gente você liga pra gente, qualquer assunto?
Interrogado: Tá.

Ouça trechos da gravação:

terça-feira, 7 junho, 2016 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário