Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Aquilo que só os demotucanóides não enxergam…

O QUE O PT  DE  LULA  FEZ COM O BRASIL?
“O Brasil foi o país que melhor utilizou o crescimento econômico alcançado nos últimos cinco anos para elevar o padrão de vida e o bem-estar da população. Se o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu a um ritmo médio anual de 5,1% entre 2006 e 2011, os ganhos sociais obtidos no período são equivalentes aos de um país que tivesse registrado expansão anual de 13% da economia”. A conclusão é de um levantamento feito pela empresa internacional de consultoria Boston Consulting Group (BCG), que comparou indicadores econômicos e sociais de 150 países e criou o Índice de Desenvolvimento Econômico Sustentável (Seda, na sigla em inglês), com base em 51 indicadores coletados em diversas fontes, como Banco Mundial, FMI, ONU e OCDE. O desempenho brasileiro nos últimos anos em relação à melhoria da qualidade de vida da população é devido principalmente à distribuição de renda. “O Brasil diminuiu consideravelmente as diferenças de rendimento entre ricos e pobres na década passada, o que permitiu reduzir a pobreza extrema pela metade. Ao mesmo tempo, o número de crianças na escola subiu de 90% para 97% desde os anos 90”, diz o texto do relatório “Da riqueza para o bem-estar”, que será oficialmente divulgado hoje, segundo o Valor.
(Leia também aqui:’Que horas são? É tarde; é tarde’) 
(Carta Maior; 3ª feira/27/11/2012)
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PS: a imagem acima foi inserida por este blogueiro.
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terça-feira, 27 novembro, 2012 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

Acordei com saudades de mim…

A sexta enforcada, mal aberta em sua porteira do dia, pegou-me mirando o portão semi-aberta do abrigo vazio da Oiá. Ontem, levei-a para passar o feriadão com um belo cachorro, emprenhar e, finalmente, dar-me netos para povoar o meu quintal. E não vê-la nesta manhã nascente, trouxe-me a sensação de incompletitude do meu ambiente matutino. E mais: o fato dela ter ficado, ontem, tão alegre junto ao namorado (nem olhou o carro quando saí) deixou-me a mesma sensação que tantas vezes senti com a partida dos meus filhos para o mundo. Todo um emaranhado de reflexões envolvendo lembranças paternas, relações animais antigas, vivências que saltaram do armário…

Entre um cigarro e outro, sentado na soleira da varanda, voltei ao tempo em que, no meio do mato, sentado no assento do velho jeep que ocupava a minha varanda rústica, encharcava-me de café e tabaco, admirando Diana, Valente e Rosinha (meus cachorros de caça), enquanto ouvia ouvia o papo infantil do meu filho terceiro, ainda de pijama e sentado ao meu lado. Lembrando o namorado da Oiá, tive a certeza de que a sua ascendência da raça Americano (sua cabeça forte e delicada, suas orelhas pendentes e sua afetividade), tinham-me encaminhado àqueles momentos antigos e determinado a minha escolha… Lembrando-me daquele momento antigo, caminhei por outras paisagens, outros momentos…

Recordei meu quarto filho que, aos cinco anos, fez-me dar-lhe um pequeno vira-latas e, após a segunda noite ouvindo-o chorar do lado de fora da nossa minúscula casa urbano-periférica, concordou (numa tristeza disfarçada) em doá-lo .O mesmo filho a quem dei, anos após  (numa casa melhor e já como pai não cotidianamente presente), um patinho que o seguia por todos os cantos e via TV a seus pés e que foi pra panela porque sujava muito a casa. O mesmo filho que hoje, dono do seu destino, cria um cão Labrador em um apartamento, aguenta os esforços de tal façanha e que, de vez em quando, me envia emails pedindo conselhos sobre a saúde do mesmo.

Lembrei-me das inúmeras tentativas do meu caçula que há anos e sem sucesso,  em criar hamster’s, em gaiolas minúsculas pelos cantos da casa, limitado pelas imposições das existências urbanas…

Lembrei-me dessas coisas e senti uma saudade imensa de mim mesmo. Daqueles tempos em que tinha meus filhos ao redor e compartilhava com eles, mesmo de forma incompleta e pouco cúmplice nas limitações ambientais, momentos mágicos… E nesta saudade, não me neguei a entristecer-me por não ter cedido às inconveniências da sujeira, dos ambientes domésticos sem quintal e ter evitado as tristezas justas dos meus filhos. Senti saudades do que eu vivi de bom e tristeza pelas intolerâncias que não pude evitar…

E agora, em breve, terei “netos” pra enfeitar o meu quintal e a minha vida, mas não terei meus filhos para compartilhar. Terei neles lembranças de Diana, Valente, Rosinha, Karol, Kosalyn, mas não terei meus filhos para compartilhar e rir das histórias, percepções e observações.

A vida é imperfeita, assim como nossas saudades são inevitáveis…

Bom feriado a todos.

sexta-feira, 16 novembro, 2012 Posted by | Comentário | , , | 2 Comentários

Sobre violência, imagens e cretinice…

Dia destes, assisti uma reportagem global sobre os vídeos divulgados pela Internet, sobre violência (brigas de jovens, etc.), amparada por entrevistas e comentários de psicólogos, psiquiatras, pedagogos e outros que tais, denunciando que estes vídeos fomentam o aumento da violência na população, por replicabilidade. Seria risível, senão fosse mais uma cretinice destes crápulas travestidos de jornalistas com responsabilidade social. Pois, se assim for (e acredito que o seja), o que dizer da violência diuturnamente divulgada por estas mídias empresariais em seus noticiários? Não foi preciso pensar muito para lembrar-me de que, tempos atrás, uma semana após a mesma Globo divulgar imagens sobre os arrastões de gangues nas praias de Copacabana, arrastões idênticos iniciaram-se nas praias paraenses, em plena Amazônia. E agora, após quinze dias de imagens insistentes sobre os atentados do crime organizado em São Paulo, eles começam a se espalhar no resto do Brasil, já alcançando os interiores paulistas e o estado de Santa Catarina. Quer dizer: imagens e notícias da “grande” imprensa são inócuas e permitidas, imagens amadoras da Internet são nocivas e devem ser combatidas? E o que dizer das imagens amadoras que esta “grande” imprensa compra e divulga para complementar seus”informativos”?

Decididamente, são uns cretinos juramentados…

quinta-feira, 15 novembro, 2012 Posted by | Comentário | , | Deixe um comentário

Aconteceu na Islândia… Você sabia?

Quando se fala na grande imprensa como pau-mandado das elites dominantes, muita gente não acredita, principalmente aqui no Brasil, onde o PIG (Partido da Imprensa Golpista) disfarça-se de democrata enquanto manipula informações e fomenta golpes contra aqueles que contrariam os seus interesses. Neste contexto, é bom dar umaolhada no vídeo cujo link repassoa seguir e queme foi repassado pelo navegante Carlos Germer (SC). Assista e se pergunte: a grande imprensa noticiou isto por aqui?

Pois é.. Pressão popular contra os safados capitalistas (incluindo ela, a imprensa vassala) não é matéria do interesse dela…

https://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=lNt7zc6ouco

quinta-feira, 15 novembro, 2012 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário

O Quixote de Brasília…

Publicado em 13/11/2012

Desagravo a Lewandowski, um magistrado

No Blog da Cidadania, do Edu, voce assina um manifesto a favor de Lewandowski.

Saiu no Blog do Nassif:

O desagravo a Lewandowski

Do grande magistrado se espera a sabedoria, não a erudição desenfreada e vazia dos que cultivam citações fora do contexto. Espera-se a simplicidade, não a empáfia dos pavões. Espera-se a responsabilidade dos que sabem estar tratando com o destino de pessoas; não a insensibilidade dos indiferentes ou o orgasmo dos sádicos.
O grande magistrado faz-se ao longo de sua história, e não através do grande momento, da bala de prata, do discurso rebuscado e irresponsável que acomete os vaidosos quando expostos aos holofotes da mídia. Espera-se do grande magistrado a coragem verdadeira, dos que não relutam em enfrentar até os assassinatos de reputação sem abrir mão de suas convicções ; e não a coragem enganadora dos berros, dos gritos de quem quer se fazer notar pelo escândalo.
A coragem do grande magistrado se manifesta quando, exposto ao clamor da turba, não perde a calma nem o brio; e não quando cede ao jogo de cena que fabrica linchamentos e compromete a isenção.
O Ministro Ricardo Lewandowski fala alemão. Jamais alguém assistiu embates ridículos de erudição, como esse desafio vazio de Spy x Spy, Barbosa x Gilmar, para saber quem domina mais o alemão. Não pretende chocar, como Marco Aurélio de Mello, mas tem a coragem de investir contra a maioria, quando se trata de seguir sua consciência.
Com seu ar de lente, está longe da esperteza de praia de Luiz Fux, do ar melífluo de Ayres Britto, da falsa solenidade de Celso de Mello ou do ar de presidente de Diretório Acadêmico de Toffoli.
O Ministro aplicou penas severas, sim, tão severas quanto as de qualquer juiz não afetado pelas pressões externas da turba. Mas não cedeu um milímetro em suas convicções. Nem quando foi cercado pelos colegas, ao tentar demonstrar o erro de interpretação na teoria do domínio do fato. Nem quando foi alvo de campanhas inomináveis de colunistas estimuladores de linchamentos.
Se um dia esse Supremo for dignificado, será pelo Ministro simples, cordato, sensível que tentou trazer a noção de humanidade e de justiça a um grupo embriagado pelas luzes de neon da cobertura jornalística.
Clique aqui para assinar o Manifesto de Desagravo a Lewandowski, preparado pelo Blog da Cidadania.

terça-feira, 13 novembro, 2012 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

Enquanto isso, na Barbosalândia…

terça-feira, 13 novembro, 2012 Posted by | Repassando... | , , | Deixe um comentário

O Barbosinha tá fazendo escola…

sábado, 10 novembro, 2012 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

Mostrando o veneno da cobra…

Publicado em 03/11/2012
Via conversaafiada.com.br

PML: quem não tem voto caça com Valério

Nem mesmo quando, preso por outras razões, tomava porrada de colegas de presídio numa cadeia,  lembrou que podia contar algo para se proteger?

A Folha (*) e  Estadão oferecem na capa da edição deste sábado uma delação premiada ao Marcos Valério, o novo Herói da Moral Udenista, trono até aqui ocupado por Thomas Jefferson, a única “prova” produzida para condenar o Dirceu.
O que dá mais relevância a este excelente artigo de Paulo Moreira Leite.
Ele desmonta também a farsa do evento Celso Daniel, uma espécie de D. Sebastião da Elite brasileira.
Quando a coisa aperta, eles chamam D. Sebastião !
Ao PML:

Quem não tem voto caça com Valério

O alvoroço provocado pela notícia de que Marcos Valério pode ter informações comprometedoras contra Lula, Antônio Palocci e até sobre o caso Celso Daniel chega a ser vergonhoso.
Desde a denuncia de Roberto Jefferson que Valério tem demonstrado grande disposição para colaborar com a polícia.
Foi ele quem entregou a relação de 32 beneficiários das verbas do mensalão, inclusive Duda Mendonça.
Conforme os advogados de um dos réus principais, ao longo do processo Valério fez quatro tentativas de oferecer novas delações em troca de uma redução de sua pena.  As quatro foram rejeitadas.
O estranho,  agora, não é a iniciativa de Valério, mais do que compreensível para quem se encontra numa situação como a sua. Não estou falando apenas dos 40 anos de prisão.
As condenações de José Dirceu  e José Genoíno se baseiam em “não é possível que não soubessem”, “não é plausível”, “um desvio na caminhada” e assim por diante.
Eu acho legítimo pensar que deveriam ser questionadas em novo julgamento,  o que certamente poderia ser feito se tivessem direito a uma segunda instância, como vai ocorrer com os réus do mensalão PSDB-MG que foram desmembrados nestes “dois pesos, dois mensalões,” na antológica definição de Jânio de Freitas.
Parece muito difícil questionar o mérito das acusações contra Valério.  Ele participava de um esquema para levantar recursos de campanha. Mas seu interesse era comercial, digamos assim. Pretendia levantar R$ 1 bilhão até o fim do governo, disse Silvio Pereira, secretário geral do PT, em entrevista a Soraya Agege, do Globo, em 2006.
Era o titular do esquema, o dono das agências de publicidade, aquele que recolhia e despachava o dinheiro, inclusive com carros forte e conta em paraíso fiscal.
O estranho, agora, não é o comportamento de Valério. São os outros.
É a torcida, o ambiente de vale-tudo.
Ele teve sete anos para apresentar qualquer informação relevante. A menos que tenha adquirido o costume de criar dificuldades para comprar facilidades até com a própria liberdade, o que não é bem o costume dos operadores financeiros, seu silêncio sugere a falta de fatos importantes para revelar. Ele enfrentou em silêncio a denúncia  do primeiro procurador, Antônio Carlos Fernando de Souza, em 2006.  Assistiu do mesmo modo à aceitação da denúncia pelo Supremo, em 2007. Deu não se sabe quantos depoimentos a Justiça e a Polícia.  Seu advogado, Marcelo Leonardo, um dos mais competentes do julgamento, escreveu não sei quantas alegações finais no STF.
Nem mesmo quando , preso por outras razões, tomava porrada de colegas de presídio numa cadeia,  lembrou que podia contar algo para se proteger?
A verdade é que os adversários de Lula não conseguem esconder a vontade de que Valério  tenha grandes revelações a fazer.  Deveriam estar acima de tudo desconfiados e cautelosos, já que as circunstâncias não garantem a menor credibilidade a qualquer denuncia feita DEPOIS que  um réu enfrenta uma condenação de 40 anos e não se vislumbra nenhum atenuante para amenizar a situação.
É preocupante porque  nós sabemos que é possível transformar versões falsas  em fatos verdadeiros.
Basta que os melhores escrúpulos sejam deixados de lado, as versões anunciadas sejam convenientes e atendam aos interesses de várias partes envolvidas.  O país tem uma longa experiência com essa turma. Ela denunciou um grampo telefônico que não houve. Falou de uma conta em paraíso fiscal – do próprio Lula e outros ministros – que eles próprios sabiam que era falsa. Também denunciou uma  caixa de dólares enviados do exterior para a campanha de 2002 que ninguém foi capaz de abrir para dizer o que tinha lá dentro.
Na prática, os adversários de Lula querem que Valério entregue aquilo que o eleitor não entregou.
O próprio Valério sabe disso. De seu ponto de vista, qualquer coisa será melhor do que enfrentar uma pena de 40 anos, concorda? Qualquer coisa.
Do ponto de vista dos adversários de Lula, também. Qualquer coisa é melhor do que uma longa perspectiva de derrotas, não é mesmo?  Talvez não por 40 anos mas quem sabe mais quatro?
É por isso que os interesses das partes, agora, coincidem.  O mocinho da oposição tornou-se Valério.
No mundo do “não é possível”, do “é plausível”, do “não pode ser provado mas não poderia ser de outra forma ” as coisas ficam fáceis para quem acusa.  A moda ideológica, agora, é acusar de bonzinho quem acha que a obrigação da prova cabe a quem acusa.
E eu, que pensei que a presunção da inocência era um direito constitucional e fazia parte das garantias fundamentais. Mas não. Isso é ser bonzinho, é se fazer de ingênuo.
No novo figurino, as  coisas parecem verdadeiras porque não podem ser provadas. É a inversão da inversão da inversão.  O movimento estudantil tem uma corrente que se chama negação da negação.  Estamos dando uma radicalizada…
A experiência ensina que há um  meio infalível de levantar uma credibilidade em  baixa. É a ameaça de morte, o que explica a lembrança do caso Celso Daniel.
Os advogados dizem que Valério sofreu ameaças de morte. Já se fala nos cuidados  com a segurança pessoal e da família. Também li que a Polícia Federal “ainda “ não decidiu protegê-lo.
Algumas palavras tem importância especial em determinados momentos.  A morte de Celso Daniel foi acompanhada por várias suspeitas de crime político mas, no fim de três meses de investigação, a Polícia Civil de São Paulo concluiu que fora crime comum.
Um delegado da Polícia Federal, que seguiu o caso e até participou das investigações a pedido de Fernando Henrique Cardoso, chegou a mesma conclusão. O caso parecia encerrado. Os suspeitos estavam presos, confessaram tudo e aguardavam julgamento. Quem fala em aparelho petista deve lembrar que a investigação tinha o respaldo do comando da polícia do governo Alckmin e da PF no tempo de FHC.
O caso saiu dos arquivos quando um irmão de Celso Daniel alegou que sofria ameaça de morte. Fiz várias entrevistas com familiares e policiais e posso afirmar que nunca ouvi um fato consistente. Nem um grito ameaçador ao telefone. Nem um palavrão no trânsito. Nem um empurrão no bandejão da faculdade.
Nunca. Respeito aquelas pessoas, fomos colegas de luta no movimento estudantil mas aquilo me pareceu uma história sem consistência. Eu ia fazer uma matéria sobre essa denuncia mas aquilo não dava uma linha. Não havia sequer um fato para ser narrado. Nem um boato para  ser desmentido. Nada. Fiquei impressionado porque eu havia entrado na história achando que havia alguma coisa, seja lá o que fosse.  Nada. Mas a família conseguiu o direito até de viver exilada na França. O caso foi reaberto e, embora uma segunda investigação policial tenha chegado a mesma conclusão, o suspeito de ser o mandante aguarda o momento de ir a julgamento.
Nos últimos meses, com o julgamento no mensalão, os adversários de Lula pensavam  que seria possível reverter o ambiente político favorável a Lula, no país inteiro. É este ambiente que coloca a reeleição de Dilma no horizonte de 2014, embora muita enxurrada possa passar por debaixo da ponte. Mas, no momento, essa perspectiva, para a oposição, é insuportável e dolorosa – até porque ela não foi capaz de reavaliar suas sucessivas  derrotas do ponto de vista político, não fez um balanço honesto dos acertos do governo Lula, o que dificulta aceitar que o país tem um presidente popular como nenhum outro antes dele, a tal ponto que até postes derrotam  medalhões vistos como imbatíveis. No seu apogeu, a ideia de renovação sugerida por FHC foi descartada como proposta petista por José Serra. Assim fica difícil, né.
(Vamos homenagear os postes. Essa expressão foi cunhada por uma das principais vozes da luta pela democratização, Ulysses Guimarães, para quem “poste” era o candidato capaz de representar os interesses do povo  e da democracia, mesmo que fosse um ilustre desconhecido. Certa vez, falando sobre a vitória estrondosa do MDB em 1974, quando elegeu 17 de 26 senadores, Ulysses falou que naquela eleição o partido elegeria “até um poste.” Postes, assim, são candidatos que entendem o vento da sua época.)
Semanas antes da eleição do poste Fernando Haddad,  o procurador geral Roberto Gurgel chegou a dizer que ficaria muito feliz se o julgamento influenciasse a decisão do eleitor. Muita gente achou natural um procurador falar assim.
Eu não fiquei surpreso porque sempre achei a denuncia politizada demais, cheia de pressupostos e convicções anteriores aos fatos. Eu acho que a denuncia confunde aliança política com compra de votos e verba de campanha com suborno, o que a leva a querer criminalizar todo mundo que vê pela frente – embora, claro, tenha sido  seletiva ao separar o mensalão PSDB-MG, como nós sabemos e nunca será demais lembrar. Mas não achei o pronunciamento do procurador natural. Em todo caso, considerando a liberdade de expressão…
Mas a fantasia oposicionista era tanta que teve gente até que se despediu de Lula, lembra?
Embora o julgamento tenha caminhado na base do “não é plausível”, “não poderia ter sido de outro jeito ”e outras considerações pouco conclusivas e nada robustas, faltou combinar com o eleitor.
Em campanha própria, com chapa pura, os  adversários de Lula tiveram uma grande vitória em Manaus. Viraram a eleição em Belém onde o PSOL não quis apoio de Lula.  Ganharam em Belo Horizonte em parceria com Eduardo Campos, que até segundo aviso é da base de Lula e Dilma.
O  PT cresceu no número de prefeituras, no número de votos em escala nacional, e também levou o troféu principal da campanha, a prefeitura de São Paulo.  Mesmo com a vitória em Salvador, os partidos conservadores, à direita do PSDB, tiveram a metade do eleitorado reunido em 2008. Isso aí: perderam 50% dos votos.
É neste ambiente que Valério passa ter importância. Quem não tem voto caça com Valério.

domingo, 4 novembro, 2012 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

A esvoaçante e mimética mariposa da direita…

03/11/2012

As raízes do golpismo da direita brasileira

Até 1930 a direita brasileira dispunha a seu bel prazer do Estado, colocava-o totalmente a serviço dos interesses primário-exportadores, desconhecendo as necessidades das classes populares. Getúlio fez a brusca transição de um presidente – Washington Luiz, carioca adotado pela elite paulista, como FHC – que afirmava que “Questão social é questão de polícia”, para o reconhecimento dos direitos dos trabalhadores pelo Estado.
Com o surgimento da primeira grande corrente de caráter popular, a direita passou a ficar acuada. A democratização econômica e social foi seguida da democratização politica, com o processo eleitoral consagrando as candidaturas com apoio popular, Sucessivamente, em 1945, 1950, 1955, a direita foi derrotada e acostumou-se a bater na porta dos quarteis, pedindo golpe militar.
Sentido-se esmagada pelas derrotas, a direita chegou a pregar o voto qualitativo, em que, segundo eles, o voto de um médico ou de um engenheiro valeria 10, enquanto o de um trabalhador (“marmiteiro”, diziam eles, zombando dos trabalhadores que levavam marmitas pro trabalho) devia valer 1. Só assim poderiam ganhar.
A efêmera vitória de 1960, com a renúncia do Jânio, foi sucedida pela nova tentativa e golpe militar de 1961 e, logo depois, pelo golpe efetivamente realizado em 1964. Só pela força e pelo regime de terror a direita conseguiu triunfar e colocou em prática sua revanche contra o povo, pela repressão e pela expropriação dos direitos da grande maioria.
Foi no final da ditadura, com uma votação indireta, pelo Colégio Eleitoral, passando pela morte de Tancredo, que a direita deu continuidade a seus governos, agora com um híbrido de ditadura e de democracia, mas que favoreceu a eleição de Collor, outra versão da direita. Tal como Jânio, teve presidência efêmera.
O governo FHC foi a melhor expressão da direita, renovada, reciclada para a era neoliberal. Naqueles 8 anos a direita brasileira pode realizar seu programa, que terminou numa profunda e prolongada recessão e a derrota sucessiva da direita, por três vezes.
A direita repete, na Era Lula, os mesmos mecanismos da Era Getúlio. Enquanto os governos desenvolvem políticas econômicas e sociais que favorecem à grande maioria, recebem dela o apoio majoritário e derrotam sistematicamente a direita, resta a esta atividades golpistas. Se antes batiam às portas dos quartéis (eram chamadas de “vivandeiras de quartel”), agora usam a mídia para bater às portas do Judiciário.
São partidos e mídias cada vez mais minoritários, derrotados em 2002, em 2006, em 2010, voltaram a ser derrotadas agora em 2012. São governos que os derrotam com o apoio das grandes maiorias beneficiárias das suas políticas sociais. Quem não tem povo, apela para métodos golpistas, ontem com os militares e a mídia, hoje com a mídia e o Judiciário.

Postado por Emir Sader às 15:43

domingo, 4 novembro, 2012 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário